sexta-feira, 7 de março de 2025

HibernAção

Este blog está temporariamente 
desligado ou fora da área de serviço,
em hibernação do processo de criação!


Imagem: lovethispic.com

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Reflexão

Retrato
Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Fonte:
Revista Bula
Os 10 melhores poemas de Cecília Meireles

domingo, 26 de janeiro de 2025

Solitude

Hora de ficar só.

Enxergo-me  só  e,  talvez,  eu  precise  ficar  assim.   Encontrar-me para, quem sabe um dia, encontrar alguém.  Alguém que, em louca consciência, me aceitará por completo.

Preciso explorar a minha vida para, depois, dividi-la com alguém. Preciso planar nos conhecimentos do mundo e me perder em sonhos pouco palpáveis. Traçar horizontes e abraçar o sol. Esbarrar em mim todos os dias e refletir sobre a minha sina. Subir cumes de sentimentos e montanhas em lugares distintos. Apaixonar-me por pessoas de todos os tons.

Claro que, nas inesperadas vicissitudes da vida, eu posso sentir falta de ter alguém, mas preciso aprender domar as minhas carências cotidianas e reconhecer essa fase como necessária. Fase que me valoriza e enaltece o meu brio para um futuro mais notável e seguro. Adoro me conhecer, me descobrir e, por consequência, descobrir o mundo. Ele, que me oferece muito mais do que trabalhos rotineiros, beijos repetidos e conversas triviais nos mesmos lugares.

Nesse interim não quero esquecer ninguém, só quero levar lembranças empacotadas e recheadas para os meus momentos gozosos. E que eu sinta saudade, mas que também me sinta livre para criar novas saudades quando possível.

Não nasci para devaneios pequenos e confesso não trocar nenhuma segurança passageira pela minha satisfação de ter vivido tudo o que me é de direito viver. O meu maior medo, talvez, é o terminar de sonhar com a capacidade da vida.

Autoria: Fred Elboni

Publicação copiada e adaptada de:

sábado, 11 de janeiro de 2025

Felicidade (im)permanente

Confúcio disse: "Quem quiser ser constantemente feliz deve mudar frequentemente!"
Na aceitação das mudanças há felicidade. É uma característica que as pessoas com vidas plenas e satisfeitas possuem.

Não há felicidade absoluta, pois ser feliz é uma direção e não um destino! A felicidade não deve ser percebida como uma meta e sim uma busca pelo bem-estar ao longo do caminho pois, sendo um estado de espírito, é algo impermanente. 

A felicidade pode ser caracterizada por: 
- Satisfação com a vida
- Harmonia física e psíquica
- Paz interior
- Sentimentos de alegria ou contentamento

Alguns hábitos que podem ajudar a alcançar a felicidade são: 
- Ter uma boa qualidade de sono
- Fazer alongamentos e exercícios físicos
- Cultivar hobbies
- Praticar atos de bondade e voluntariado
- Valorizar amizades
- Incentivar a gratidão
- Manter contato com a natureza
- Simplificar e investir no essencial
- Capacidade de perdoar os erros cometidos por você e pelos outros 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Idades



Elefante
Autor: Luiz Fernando Priamo

Aos montes chegam as idades.
Penduram na pele flácida da barriga
E fazem sulcos na testa, olhos e boca.

O que era pique, agora é piripaque.
O que foi disposição converte-se em má posição.
Despejam os cabelos, mas enchem as ideias.

De tanto contar passos é necessário marca-passo.
De tanto fechar a cara não sabe mais abrir a boca.
Ouve pouco, come muito, enxerga nada e não quer ver.

Caem os ombros, antes tão tensos.
Pesam as mãos, enrugadas
E fazem do nada mais uma distração.

Texto retirado da página 24 do livro 
Involuntário
Juiz de Fora: Funalfa, 2010.

Livro : Involuntário
Foto: Sylvio Bazote 


domingo, 19 de novembro de 2023

Casas & Acasos

Algumas casas
Autor: Felipe Moratori

Algumas casas guardam um porão, asilo dos sentimentos inconfessos, onde se depositam as sombras e angústias, onde se evita entrar. O porão é túmulo que se pode visitar.

Algumas casas guardam corredores infindáveis, onde as relações que não se estabelecem se tornam visíveis em ocasionais encontros ou furtivas travessias. São nos corredores que se penduram as faces.

Algumas casas guardam um sótão, refúgio de solidão, onde estão cuidadosamente encaixotados e esquecidos, sonhos e lembranças estagnadas. É no sótão que se estabelece o contato com possíveis céus.

Adaptação de textos retirados das páginas 33, 35 e 38 do livro
Cordas Cor de Ais
Juiz de Fora: Funalfa, 2014.

Imagem: eduardobroker.blogspot.com.br 

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Vontades & Necessidades


Hipocrisia & Alienação

Estou cansado desses "guerreiros" de "butique" e "filósofos" de "buteco" proclamando a simpatia e necessidade de uma "revolução" da qual eles têm a possibilidade e não têm a vontade de participar!
O caminho para mudanças sustentáveis é através da evolução, não da revolução! Revoluções são eficientes em substituir um tipo de opressão por outro tipo de repressão, como nos mostra a História.

Incomodam-me esses "comunistas" consumistas que não investem seu dinheiro da cerveja e da maconha do fim de semana em ações sociais de distribuição de renda. Não se privam dos prazeres de viagens sazonais ou visitas a restaurantes da moda, cinemas, teatros e espetáculos para colaborar com projetos de igualdade social. Não se desapegam de parte de suas propriedades, veículos, eletrodomésticos e utensílios para aqueles que têm menos, assim promovendo a distribuição dos meios de produção. Nada fazem além de falar da necessidade da justa divisão de renda e bens dos que tem mais apenas por se considerarem entre os que tem menos e irão lucrar com esse discurso.
Vivendo nos benefícios do imperfeito sistema capitalista, ignoram intencionalmente os defeitos dos sistemas comunistas existentes.

Não me refiro aos desprovidos, que não tiveram acesso a educação escolar ou patrimônio material que lhes ofereça oportunidade de uma vida com possibilidade de dignidade presente e prosperidade futura. Esses estão vivendo e querendo coerentemente com sua realidade!
Digo aqui sobre os pequenos burgueses  funcionários públicos, microempresários, estudantes ricos, pensionistas e herdeiros – que propagandeiam esse suposto socialismo/comunismo que deve existir às custas das abnegações e dos prejuízos dos outros, não deles.
Estes últimos se tornam massa de desinformação por distorção, enquanto os primeiros se tornam massa de manipulação por conveniência! Ambos se tornam autores da cultura do coitadismo e do parasitismo.
Independentemente de paixões ideológicas, egocêntricas vontades e reais necessidades, quando tem mais gente gastando do que criando, o resultado é óbvio: empobrecimento e embrutecimento!

terça-feira, 6 de junho de 2023

Medo(s)


Os medos e os desenredos

A palavra "medo" tem origem no termo do latim metus, que também significa "inquietação". Trata-se de uma angústia diante de um risco ou uma ameaça, real ou imaginária. 
O medo é uma emoção que se caracteriza por um intenso sentimento desagradável, provocado pela percepção de um perigo, seja ele presente ou futuro, real ou suposto. O medo é uma das emoções primárias que resultam da aversão natural à ameaça, presente tanto nos animais como nos seres humanos.

O mecanismo físico que provoca o medo encontra-se na parte do cérebro chamada retiniano. A amígdala cerebral controla as emoções e ocupa-se da localização da sensação de medo. Quando esta percebe o medo produz uma resposta que pode ser de fuga, paralisação ou enfrentamento. 
O medo produz reações físicas imediatas que, pretendem deixar o corpo com mais energia para uma fuga ou luta: liberação dos hormônio adrenalina e cortisol, causando a aceleração dos batimentos cardíacos – com consequente aumento da pressão arterial – para irrigar os músculos e deixá-los com mais força; acréscimo da glicose no sangue permitindo mais energia para os órgãos e tecidos; e as pupilas dos olhos são ampliadas, permitindo melhor visão. 

Medo & Coragem
Imagem: facebook.com

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Doido de carteirinha


"Dizem que sou louco por pensar assim
  Se eu sou muito louco por eu ser feliz
  Mas louco é quem me diz
  E não é feliz, não é feliz"

  Balada do Louco ( Os Mutantes )




Se é para ser considerado "doido de carteirinha", que o seja oficialmente! 
Apresento minha carteira de identidade emitida no 5º Festival da Loucura 
(15 a 18 de julho de 2010) na cidade de Barbacena (MG).

domingo, 15 de janeiro de 2023

Estranho no ninho


sentir-se um estranho no ninho
sem lugar e trabalho que criem conexão
sem origem ou direção
deserto e imensidão

não há porto seguro ou lar
jogando ao vento num constante vagar
rótulos que não colam para outro novo recomeçar
num ponto final que não chega



Estranho no Ninho

A cada passo que dei
Apaguei as pegadas
Pra que nem eu soubesse
Como fazer pra voltar
Que a trilha do desafio
Nunca chegasse ao fim
E agora todo esse esforço
Parece estranho pra mim

Alguns amigos da estrada
Já não correm comigo
Seus sonhos e seus segredos
Já não correm perigo
Cruzes plantadas no chão
São as flores deste jardim
A morte exibe suas formas
Tão estranhas pra mim

Houve um tempo em que eu
Lhe conhecia inteira
E não havia poeira
Que eu não pudesse soprar
Mas ainda não sei
Como ficamos assim
Até a cor dos seus olhos
Hoje é estranha pra mim

Às vezes penso que fiz
Alguma coisa importante
Que vai mudar num instante
O que sempre foi igual
Sinto que é a saída
Do que eu não estava a fim
Mas é somente a chegada
De algo estranho pra mim

Pessoas ficam me olhando
Com um sorriso estampado
Outras gritam e apontam
Erguendo o punho cerrado
Pensam saber da minha vida
Se sou bom ou ruim
Tantas mãos acenando
Todas estranhas pra mim

Marcelo Nova (vocalista da banda Camisa de Vênus)
Álbum: A sessão sem fim
Ano: 1994

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Fechando ciclo

Deixo registrado aqui as camisas que usei em janeiro de 2014 na minha querida cidade de São Thomé das Letras (MG), para celebrar o fechamento do ciclo de viagens por Minas Gerais (num projeto pessoal que batizei "MinHas Gerais") iniciado em abril de 2010 e que foi finalizado em fevereiro de 2014.
Para marcar a ocasião, tive a satisfação de virar duas noites (3 e 4 de janeiro de 2014) assistindo o 1º Festival Alternativo de São Thomé das Letras (que ficou conhecido como "Woodstone").





terça-feira, 18 de outubro de 2022

Raízes & Frutos

  
você (es)colhe o que planta


... gratidão pelo que fez, pai ...

Sylvestre Cortes Rossignoli
 

segunda-feira, 7 de março de 2022

10º aniversário do HistóriaS

Décimo ano do blog HistóriaS

Blog HistóriaS
Imagem: Sylvio Mário Bazote

Hoje o HistóriaS completa uma década de existência! Agradeço sinceramente o interesse e parceria dos amigos e curiosos ao longo do tempo. Foram mais de 1.214.000 de visitas até agora.

Este blog foi concebido para ter dez anos de publicações, contando que a sorte dos acasos da vida nos permitisse chegar até aqui. Hoje, portanto, o HistóriaS chega ao destino desejado!
Com satisfação e gratidão posso repetir as palavras do início deste projeto e jornada: Foi para mim uma experiência agradável e instrutiva conhecer novas pessoas e aprender novos assuntos, viajando entre pesquisas pela Internet em sites e blogs de pessoas e instituições. Tive contato com a sensibilidade, inteligência e percepção de muitos sobre o mundo, através de seus textos e imagens.
Desejo que os leitores frequentes e visitantes ocasionais tenham descoberto novos e interessantes fatos sobre a passagem da humanidade pelo tempo e espaço, e que através das palavras e imagens sobre o passado e o presente, tenham refletido e planejado um futuro melhor.
Tive e tenho o prazer de compartilhar aqui meu interesse por Minas Gerais, pelos trens, pelas artes e pelos sentimentos e ensinamentos que a história das pessoas e dos fatos nos proporciona.

Conforme o universal ciclo de começo, meio e fim; hoje o HistóriaS torna-se um quadro que, depois de receber todas as pincelas pertinentes, é concluído e fica disponível como registro de uma motivação e um trabalho.  
É difícil fechar esta porta por onde passei e recebi pessoas queridas e conhecimentos edificantes. Este espaço
 seguirá – conforme a inspiração de Vinicius de Morais, no Soneto da Fidelidade  sendo infinito enquanto dure...


Imagem: socaltrailriders.org

O link abaixo é do álbum no Picasa que tem uma coletânea das imagens que considero representar a essência dos assuntos e ideias do HistóriaS.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

vida apenas



Os ombros suportam o mundo
Autor: Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.