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quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Vontades & Necessidades


Hipocrisia & Alienação

Estou cansado desses "guerreiros" de "butique" e "filósofos" de "buteco" proclamando a simpatia e necessidade de uma "revolução" da qual eles têm a possibilidade e não têm a vontade de participar!
O caminho para mudanças sustentáveis é através da evolução, não da revolução! Revoluções são eficientes em substituir um tipo de opressão por outro tipo de repressão, como nos mostra a História.

Incomodam-me esses "comunistas" consumistas que não investem seu dinheiro da cerveja e da maconha do fim de semana em ações sociais de distribuição de renda. Não se privam dos prazeres de viagens sazonais ou visitas a restaurantes da moda, cinemas, teatros e espetáculos para colaborar com projetos de igualdade social. Não se desapegam de parte de suas propriedades, veículos, eletrodomésticos e utensílios para aqueles que têm menos, assim promovendo a distribuição dos meios de produção. Nada fazem além de falar da necessidade da justa divisão de renda e bens dos que tem mais apenas por se considerarem entre os que tem menos e irão lucrar com esse discurso.
Vivendo nos benefícios do imperfeito sistema capitalista, ignoram intencionalmente os defeitos dos sistemas comunistas existentes.

Não me refiro aos desprovidos, que não tiveram acesso a educação escolar ou patrimônio material que lhes ofereça oportunidade de uma vida com possibilidade de dignidade presente e prosperidade futura. Esses estão vivendo e querendo coerentemente com sua realidade!
Digo aqui sobre os pequenos burgueses – funcionários públicos, microempresários, estudantes ricos, pensionistas e herdeiros – que propagandeiam esse suposto socialismo/comunismo que deve existir às custas das abnegações e dos prejuízos dos outros, não deles.
Estes últimos se tornam massa de desinformação por distorção, enquanto os primeiros se tornam massa de manipulação por conveniência! Ambos se tornam autores da cultura do coitadismo e do parasitismo.
Independentemente de paixões ideológicas, egocêntricas vontades e reais necessidades, quando tem mais gente gastando do que criando, o resultado é óbvio: empobrecimento e embrutecimento!

terça-feira, 28 de abril de 2020

Instrução X Educação

A família fornece educação!
A escola fornece instrução!
Educação é o conjunto de valores morais e aptidões intelectuais e emocionais! Tem muitos pais e responsáveis – por conveniência ou incapacidade – tentando terceirizar suas funções para a escola...

Ensinar & Educar
Imagem: http://cotidianospensamentos.blogspot.com/2014/07/escola-ensina-familia-educa.html 

Em minha opinião há diferença entre educação e instrução! Instrução consiste na transmissão de um conjunto de conhecimentos científicos e acadêmicos ensinados na(s) escola(s) ao longo de anos, numa grade de assuntos, para formação de uma cultura nacional e capacitação pessoal para cidadania e escolha de uma profissão. Educação consiste no desenvolvimento de características morais, intelectuais e físicas, dentro de regras de conduta e costumes sociais, que incluem a inteligência emocional para lidar com a vivência individual e coletiva. 
Educação, portanto, é um conjunto de habilidades maior do que a instrução! A instrução é uma das partes da educação, sendo esta um patrimônio pessoal que define a pessoa na individualidade e coletividade.

A escola é uma ponte entre a família e a sociedade, consolidando estereótipos e laços sociais! Nem todos vão à(s) escola(s), e cabe então à família ensinar os modelos seguidos pelo grupo onde está inserida e desenvolver a individualidade da pessoa numa comunidade.
A educação começa obrigatoriamente em casa com a família e, passando pela escola, prepara o indivíduo para a sociedade, tornando-o um cidadão. Quem não tem noção de suas obrigações e direitos dentro de uma coletividade não é cidadão, é apenas um indivíduo. 

O prejudicial equívoco educacional que vivemos no Brasil nas últimas décadas levou a uma deturpação do fundamental papel da família e suas responsabilidades para a formação da cidadania. Omissão – por receio ou preguiça – por parte dos pais e responsáveis (padrastos, madrastas, etc.) criou uma geração de pessoas sem vínculo com a coletividade, preocupando-se apenas com os "direitos" que julgam ter e a satisfação de suas vontades e necessidades. 

Como se lê no Dicionário da Língua Pedagógica, de Paul Foulquiè, o conceito de instrução significa "atividade que tem em vista a aquisição das qualidades morais e das virtudes sociais". No mesmo dicionário, a palavra "educar" vem do latim "ducere" que significa "conduzir para fora de", sendo portanto a lógica educativa orientada para o pleno desenvolvimento da pessoa, alargando as perspectivas de crianças, jovens e adultos por toda a vida.

Para que haja instrução, bastam existir meio de ensino e finalidade de aprendizado (por mais simples ou deficientes que sejam)! Para que haja educação, é necessário um plano de vida onde usá-la e atenção constante para cultivá-la e mantê-la! A valorização da instrução é aprendida na educação que se recebe na família! A deficiência na educação familiar causa a baixa na educação social!

Educação + Instrução = meio de evolução de uma nação

Fontes de referência:

Eduqa.me
A diferença entre professor e educador
http://naescola.eduqa.me/carreira/a-diferenca-entre-professor-e-educador 

Brasil Escola


sábado, 7 de setembro de 2019

AtualizAção

Mudam as aparências, permanecem as essências !


Se a História nos ensina algo, é que não conseguimos aprender com a História !
( Rachel Henderlite )

sábado, 30 de março de 2019

Mundo cru(el)

Quando eu era adolescente – na década de 1980 – considerava pejorativamente o "verniz social" como uma forma de hipocrisia, um modo de relacionamento comunitário baseado na superficialidade e falsidade. Atualmente, diante da crescente intolerância e falta de elegância que tem orientado a convivência, passei a sentir saudade daquele esforço para um mínimo de refinamento no trato das pessoas com aquilo que as cerca. Na praticidade e humildade que o passar dos anos nos força adotar considero mais saudável uma agradabilidade fingida do que uma sincera estupidez.
Me parece que estamos mais crus no modo de perceber e lidar com esta oportunidade dadivosa chamada vida! Consequentemente, o trato das pessoas com outras pessoas, com os animais e a natureza está cada vez mais bestializado (no sentido de ser nivelado aos animais irracionais). De cru para cruel é uma distância pequena, uma continuidade não só na forma de escrever (cru+el), mas também na de agir. 
A crueza da falta de percepção, gratidão e perspectiva leva a existir apenas para o momento presente, sem levar em consideração o passado ou se preocupar com o futuro. As ações são orientadas para o conforto e felicidade do agora, seja conseguindo o que se quer ou eliminando o que não se quer. Daí as pessoas com quem se convive se tornarem um obstáculo incômodo (para transitar por onde necessita, para a pessoa desejada, para a vaga de trabalho, para a prática da política, para a forma de entender Deus, etc.), algo a ser evitado ou atacado, empobrecendo assim a capacidade de viver a diversidade e os conflitos inerentes ao coabitar espaço com outros seres.

A crueza da satisfação apenas dos instintos e ações básicas (acordar, comer, copular, descansar, proteger-se) leva à crueldade para consegui-los. É um egocentrismo que ignora as consequências do que fazemos no momento e não tem vontade de deixar um legado para o futuro. É uma negação da importância da cultura como construção coletiva e superior a si.
Vamos nos tornando insensíveis a situações que não deveriam acontecer porque estas ocorrem com frequência e intensidade progressivas, por isso nos parecem normais, até que somos atingidos por alguma, e percebemos o quanto são danosas. 
O nível de possessão e descaso com as mulheres por parte dos homens no Brasil tem atingido patamares cada vez mais extremos e intoleráveis, com estupros, sequestros, espancamentos brutais, ataques com ácido e uma variedade de crueldades desnecessárias e covardes. Somando-se ao desrespeito às mulheres, os recentes massacres em Suzano (SP) e na Nova Zelândia (entre outros) mostram um novo tipo de terrorismo, onde não há motivação ideológica e vínculo com grupos extremistas. Se dissemina agora o terrorismo solitário motivado pelo narcismo e pelo ódio gerado na incapacidade de lidar com frustrações e diferenças, onde uma pessoa usa os recursos a que tem acesso para destruir aos outros porque esses não correspondem às suas expectativas.
Acredito que a facilidade típica do século 21 de se conectar e desconectar com pessoas e lugares tenha diminuído a capacidade de convivência e lidar com insatisfações. A falta de habilidade em lidar com o que desagrada ou é desigual leva os inábeis sociais ao desejo de aniquilamento – dos outros e de si – em comportamentos radicais e perversos.

Nos séculos 17 e 18 os iluministas acreditavam que o avanço das filosofias e ciências levariam a humanidade a um patamar de inteligência e eficiência que tornaria o mundo indubitavelmente melhor. No século 19, o positivismo defendia que o conhecimento científico devia ser reconhecido como o único conhecimento verdadeiro, tornando os seres humanos mais racionais do que passionais, sendo assim mais construtivos. No século 20, a enorme variedade e velocidade de novas tecnologias era apontada como ferramentas para libertar as pessoas de tarefas cotidianas e repetitivas, propiciando mais tempo livre a ser investido na melhoria da qualidade de vida (lazer, exercícios, estudos, família, etc.).
Essas expectativas se mostraram frustantes em sua maior parte! Houve melhoria no padrão de vida (mais acesso a comida, diversão, medicamentos, informações, etc.), mas não na qualidade de vida (felicidade, autoconhecimento, perspectiva social, etc.) para a maioria dos atuais habitantes do planeta.

Gostaria de ter uma solução para esta situação, ao menos uma sugestão, mas não encontrei até agora uma equação que conduza a um bom resultado! (Re)Educação seria a resposta óbvia, mas esse é um investimento em longo prazo, com ganhos incertos para quem precisa de mudanças o quanto antes. Para dificultar, há no Brasil uma confusão entre educação e instrução. Instrução é um conjunto de conhecimentos científicos e acadêmicos ensinados na escola ao longo de anos, numa grade de assuntos, para formação de uma cultura nacional e capacitação pessoal para cidadania e escolha de uma profissão. Educação é um conjunto de valores morais, religiosos e sociais, que incluem a inteligência emocional para lidar com a vivência individual e coletiva, e também a inteligência intelectual aprendida na escola. Tem muitos pais e responsáveis – por conveniência ou incapacidade – tentando terceirizar suas funções para a escola... e quando a família falha ou se omite na criação de um indivíduo, este não chega ao estágio de cidadão, que se sente inserido num grupo no qual tem direitos e deveres. Quem se sente pária ou vítima num grupo tem tendência a se torna um cru(el) carrasco do mundo!

Violência cotidiana

sábado, 27 de outubro de 2018

Paredes & Ouvidos

Tiranias
Ruy Proença

Antigamente
diziam: cuidado,
as paredes têm ouvidos.

Então
falávamos baixo,
nos policiávamos.

Hoje
as coisas mudaram:
os ouvidos têm paredes.

De nada
adianta
gritar.

Fonte:

sábado, 9 de junho de 2018

ExplorAção

(ir)responsabilidade pela (in)capacidade
Imagem: https://www.facebook.com/GegacaoCocaColaa 

Novas técnicas de gestão e novos recursos tecnológicos diminuem gradativamente o número de postos de trabalho necessários, criando uma dinâmica perversa que intensifica as distâncias entre as possibilidades para empregadores e empregados. Na relação entre oferta e procura, num mercado de trabalho com cada vez menos vagas disponíveis, gera-se maior número de desempregados dispostos a se sujeitar a condições e salários piores, possibilitando aos empregadores novas formas de exploração.
A ameaça de demissão permite intensificar a exigência de trabalho, impondo aos funcionários níveis de desempenho sempre superiores em qualidade e quantidade, causando sobrecarga de trabalho, que leva à queda no desempenho e satisfação por parte do trabalhador. Quando a ilusão ou amedrontamento não causam mais o efeito desejado de desdobramento no empregado, este é substituído por "carne nova", com prazo de validade já previsto para substituição por outra(s) pessoa(s) na medida em que não suportar(em) – física ou emocionalmente – as excessivas cobranças. 

A sobrecarga qualitativa refere-se às exageradas exigências com relação às competências, conhecimentos e habilidades do trabalhador. A sobrecarga quantitativa refere-se ao excesso de atividade a realizar, em um determinado período de tempo.  

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Preconceito & Racismo


preconceito de uns + indiferença de outros = racismo

As origens do preconceito e do racismo

Sei que a proposta desta postagem é presunçosa, uma vez que estas atitudes são um somatório de contextos e características sociais, familiares e pessoais, sendo ainda mutáveis ao longo do tempo. Como já presumia ao iniciar as pesquisas para escrever este texto, encontrei mais indicações e reflexões do que respostas prontas e definitivas. Do que vi, me pareceu aceitável elaborar um esquema que permita estabelecer uma cronologia e aspectos essenciais, presentes na maior parte das situações que conduzem à um processo coletivo de preconceito e racismo, que motiva guerras e violências como massacres, terrorismo e escravidão.

O Dicionário Online de Português mostra as seguintes definições:
Preconceito:
- Intolerância; repúdio demonstrado ou efetivado através de discriminação por grupos religiosos, pessoas, ideias; pode-se referir também à sexualidade, à raça, à nacionalidade entre outros.
- Prejulgamento; juízo de valor preconcebido acerca de algo ou de alguém cujo teor é construído a partir de análises sem fundamentos e/ou reflexão.
- Cisma; convicção fundamentada em crenças ou superstições.
- Forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado.
Racismo:
- Preconceito e discriminação direcionados a quem faz parte de uma raça ou etnia, causando separação racial.
- Comportamento hostil dirigido à pessoa ou grupo social que pertence a outra raça e/ou etnia. 
- Reunião dos conceitos que afirma existir uma hierarquia entre etnias e/ou raças.
- Sistema doutrinário que afirma a superioridade de um grupo racial em comparação a aos outros.
Discriminação:
- Segregar, separando, isolando, desunindo;
- Tratar pessoa(s) de forma injusta, de maneira diferenciada e condicional, por motivos de diversidades sexuais, raciais, religiosas, idade, etc,; 
- Discernimento; capacidade de distinguir ou estabelecer diferenças.
- Discriminação positiva. Reunião de regras ou leis que visam proteger grupos socialmente segregados, atribuindo determinadas proteções e direitos específicos a esse grupo, com o objetivo de garantir a igualdade de oportunidades.
 
Nem todo preconceito é racista, mas todo racismo é preconceituoso! 
Penso que um preconceito seja um conceito antecipado (um pré+conceito) sobre algo de forma generalizada, causando uma rotulação que não estimula análises individuais e exceções. O preconceito pode ser positivo (Ex: tudo que é feito de ouro é elegante!), mas geralmente tem uma significação negativa (Ex: tudo que é feito de ferro não tem valor!) e pode ter caráter ideológico, político, religioso, financeiro, cultural, sexual, racial, entre outros. 
Para se chegar a um racismo, é necessário que uma determinada raça/etnia se ache superior a todas as outras (tendo sobre si um preconceito favorável) ou que considere uma (ou mais) raça(s)/etnia(s) inferior(es), tendo sobre o(s) outro(s) um preconceito desfavorável. 

Diferença entre raça e etnia
Raça é determinada por um grupo com as mesmas características biológicas, enquanto etnia trata sobre aspectos culturais e linguísticos. 
Cientificamente, a espécie humana não possui subespécies e, portanto, só existe uma raça: a raça humana! Os conceitos de "raça negra", "raça branca", e outras variações são convenções sociais. A palavra etnia é derivada do grego ethnos, que significa "povo que tem os mesmos costumes".
Levando em consideração os estudos de comportamento com os atuais primatas e por dedução, acredito que o preconceito exista desde a pré-história, quando os hominídeos (família de grandes primatas, que inclui os ancestrais dos humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos) mais fortes, achando-se superiores aos demais machos e fêmeas do seu grupo, se reservaram ao direito de ter mais comida, habitar em locais melhores e copular com todas as fêmeas que desejassem.
Na medida em que o bando aumentou em número, os mais fortes criaram alianças com outros que consideravam úteis e esta turma reservou para si condições mais favoráveis dentro do grupo (estabelecendo um preconceito de elitismo acerca de si mesmos). Uma vez dominado o grupo e a região onde este habitava, a necessidade de locais mais adequados à sobrevivência levou ao ataque e dominação de outros grupos para controlar os recursos de seus territórios. Mesmo que não fossem escravizados de imediato, os dominados seriam vistos como inferiores em relação aos pertencentes ao grupo dominante.
Com a expansão da raça humana pelos diferentes continentes do planeta, a adaptação biológica aos diversos ambientes causou variadas características físicas e culturais, o que favoreceu ao preconceito e discriminação com os diferentes da forma de ser e agir da maioria daqueles com os quais se vive e identifica, tendo como desdobramento o racismo.


Ao longo da história da humanidade, perpetuou-se a dinâmica de dominação dentro dos bandos e destes para outros grupos, com adaptações na medida em que as sociedades se tornavam mais complexas. Tribos, cidades-Estado, reinos e impérios – em todos os continentes – praticaram o escravismo com seus próprios membros e com pessoas de outros povos (e para tanto é necessário que haja a concepção de que os escravizados são diferentes e inferiores a você).
Mesopotâmios, egípcios, chineses, gregos, romanos, persas, astecas, incas – entre outras nações – registraram em sua história, com orgulho e como sinal de poder, a dominação e aniquilação de povos vizinhos ou inimigos, também de minorias que se rebelavam contra as normas dos governantes. Massacres étnicos foram, e ainda são, usuais por todo o planeta como forma de manter o predomínio na política, econômica e religião em determinada região.

Se considerarmos os "pré+conceitos" como mecanismos mentais para agilizar a percepção e (re)ação, somos preconceituosos por ser uma forma econômica e eficiente de pensar e agir, baseada em rótulos de associações generalizadas, que não levam em conta, em um primeiro momento, características específicas. Como seres animais, essa economia de tempo permite melhores condições para defesa ou ataque, aumentando a probabilidade de sobrevivência. Como seres sociais, nos permite aumentar a probabilidade de lucro ou esquiva de prejuízo. Devido à sua utilidade, os preconceitos são inevitáveis.  
As práticas culturais mantém, extinguem ou criam preconceitos, de acordo com o tempo e espaço onde se vive. Se é mais fácil controlarmos nossas ações do que nossos pensamentos e emoções, não conseguindo deixar de ter preconceitos, devemos investir em ações educacionais que mudem e reforcem o aculturamento que reprove e contenha atitudes prejudiciais baseadas na intolerância, desrespeito e violência, que levam às humilhações, agressões, racismo, escravismo, estupros, torturas, guerras e toda uma série de ações – individuais e coletivas – que dão vazão ao que de pior há na natureza humana.

A maioria dos seres humanos tende a se reunir em grupos com percepções e ações semelhantes, objetivando evitar desnecessários desgastes e aumentar a probabilidade de conseguir resultados desejados com menor esforço e tempo. A comodidade e a segurança proporcionadas pela afinidade levam à disposição para a hostilidade quando estão em disputa elementos essenciais ao conforto e à vida, como um lugar para viver, um trabalho ou uma forma de se defender de agressões. Portanto, quanto mais confortável for a situação coletiva, menor incentivo e tolerância ocorrerão quanto a preconceitos individuais, e quanto pior estiver a situação social, mais tolerados e incentivados serão os preconceitos, como forma de preservação.
preconceito não | preconceito sim
reconceito : alterar o conceito
Imagem: Sylvio Bazote

X = X = + = X = X

Para uma visão geral da história da escravidão, acesse:

X = X = + = X = X

Fontes de referência:

Significados
Preconceito
Racismo 
Significado de raça e etnia 

Wikipédia
Discriminação 

Rede Brasil
Males do racismo 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Brasileiro cordial



Brasileiro cordial = Brasileiro passional

(Des)Construção do mito do brasileiro cordial

Tendo nascido em 1970, cresci ouvindo que o "brasileiro cordial" era a definição adequada para caracterizar a maior parte da população no Brasil. Eu entendia que essa cordialidade seria de pessoas pacíficas e de fácil trato; e por vezes via nos meios de comunicação que essa imagem era propagada também aos demais países, para incentivar o turismo.

As crescentes estatísticas de violência do cotidiano no nosso país e a recente onda de intolerância me levaram a acreditar que essa "cordialidade" era uma conveniente propaganda mentirosa, um equívoco ou uma condição extinta. Resolvi então compartilhar meu questionamento sobre isso aqui no blog e, para tanto, realizei uma breve pesquisa sobre o assunto, para não cometer erros elementares.
Comecei as consultas com a convicção que criticaria o conceito, insustentável diante do grande número de mortes no trânsito, dos crimes e brigas, das agressões contra mulheres e homossexuais, dos violentos enfrentamentos entre torcidas de futebol, da crescente falta de gentileza e verniz social no trato entre as pessoas nas ruas, nos veículos e nas redes sociais digitais.
Há os que afirmem que "brasileiro não é cordial, é cordeiro!", vivendo com preguiça ou medo de reagir, esperando que outros gastem tempo e energia resolvendo os problemas que também o afetam, querendo lucro sem esforço.
Parecia-me que os brasileiros confundem cordialidade com passividade, vivendo um imediatismo e alienação que conduzem a uma resignação com agressividade contida! Acreditava que os brasileiros cordiais ainda existem e persistem, mas que seriam uma espécie caminhando rapidamente para a extinção diante de tanta desonestidade, descaso e deselegância! 

Então compreendi que a cordialidade que eu questionava se refere à passionalidade, ao agir mais pelos impulsos da emoção do que pelos processos da razão. Então concordei com a definição desse brasileiro cordial = povo mais emocional do que racional! Compare os conceitos abaixo:

Cordial provém do latim cordialis ("relativo a coração"). Sérgio Buarque de Holanda (autor do clássico livro Raízes do Brasil, 1936) usa este termo para descrever o brasileiro como avesso a impessoalidade, valendo mais as relações de pessoalidade do que a cidadania. Cordialidade, nesse sentido, significa agir mais pela afetividade do que pelo raciocínio.
Esta "cordialidade" não é uma peculiaridade particularmente brasileira. Ela é comum às sociedades pouco desenvolvidas, próximas ao estágio de organização em torno de clãs familiares. Quanto menor é o nível educacional e cultural, há menos discernimento, mais impulsividade, mais barulho, mais efusão, mais contam os laços sanguíneos. Quanto mais educação, menos as atitudes se baseiam em emoção; e o fato de o brasileiro ser cordial, ou emocional, revela que somos (na média) um povo primitivo e imediatista.
Segundo Sérgio Buarque de Holanda, o "homem cordial" é um artifício, um ardil psicológico e comportamental, que está impregnado na formação do povo brasileiro. Por isso o autor afirma que "a contribuição brasileira para a civilização será o homem cordial".

Sinônimos de cordial: 
Que é educado e cortês; que possui sentimentos sinceros e afáveis. 
Fonte: https://www.sinonimos.com.br/cordial 

Sinônimos de passional: 
Que é intenso; irracional; impulsivo; apaixonado. 

Portanto:
brasileiro cordial = brasileiro mais emocional do que racional


Os brasileiros não são os únicos cordiais (impulsivos e inconsequentes) do planeta! Para ser justo, devo salientar que esta passionalidade é característica dos povos latinos (italianos, franceses, espanhóis e portugueses) e, por colonização, a América Latina e outros territórios espalhados pelo mundo.
Relatório divulgado pela ONG Visions of Humanity, em 2015, que elabora o Índice Global da Paz, aponta o Brasil como o 12º país mais violento do planeta, com 29 assassinatos para cada 100 mil pessoas (enquanto na Europa a média é de 2 assassinatos para cada 100 mil pessoas). Os gastos com segurança privada vêm aumentando seguidamente – reflexo do temor generalizado – e os progressivos gastos com segurança pública são insuficientes diante da escalada da violência. Mesmo que essas estatísticas não sejam precisas ou estejam desatualizadas, é inquestionável que a sensação de tranquilidade e segurança está cada vez menor!  
A América Central apresenta índices de violência proporcionalmente maiores do que a América do Sul. As nações e etnias na África estão em constantes guerras civis e massacres tribais e religiosos. As nações do sudeste da Ásia perpetuam preconceitos e intolerâncias. Os coreanos alimentam medo e ódio entre si. Os meios de comunicação mostram que a intolerância – que conduz à desconfiança e violência – é um problema generalizado em diversas populações e regiões do planeta, por motivos religiosos, raciais, culturais, políticos, econômicos, entre outros. 
Discordando de Sérgio Buarque de Holanda, penso que a "cordialidade" brasileira é apenas mais uma, entre outras, contribuindo na (des)construção para a civilização!

Fontes de referência:

Mundo Educação
O Homem Cordial na Formação do Brasil
Será que o brasileiro é mesmo cordial e pacífico? 
Índice Global da Paz aponta Brasil na 103ª posição, dentre 162 países