sábado, 15 de setembro de 2018

Penhor


O testamento do tesoureiro
Autora: Angela Xavier

No início do século XX, havia um senhor muito dedicado e correto, que era tesoureiro de uma Ordem Terceira* de Ouro Preto. Todos os anos ele prestava contas de tudo com correção inigualável, sendo sempre reeleito para o cargo. Não era rico, mas era proprietário de algumas casas.
Já velho e não tendo herdeiros, fez um testamento que guardou cuidadosamente no fundo de um baú. Adoeceu gravemente e, apesar dos cuidados, veio a falecer. Seus companheiros de Ordem Terceira cuidaram dos detalhes de seu enterro e do testamento.
O testamento era um longo texto onde ele pedia perdão a um ou outro, refletia sobre suas lembranças e contava um episódio que surpreendeu a todos.
Relatou que sempre respeitara o cargo de tesoureiro que lhe haviam confiado e que, certa vez, precisando de trezentos mil réis para reformar uma de suas propriedades, ele se dirigiu ao altar de Nossa Senhora e lhe pediu um empréstimo. Ajoelhado diante da imagem da virgem, por três vezes pediu-lhe a quantia desejada. Como a virgem nada respondia, ele concluiu:
– Quem cala, consente!
E tomou a quantia desejada do cofre da Virgem. Foi repondo, pouco a pouco, o que havia tomado emprestado até nada ficar devendo. Como gratidão, ele deixou para a Ordem tudo o que possuía.
A Ordem recebeu suas propriedades e bens, mandando celebrar missas por sua alma durante muitos anos.

* As ordens terceiras são um tipo de confraria, uma associação de leigos que se reúnem em torno da devoção de um santo. Distinguem-se das irmandades por estarem associadas às ordens religiosas da Idade Média.
Durante a colonização do Brasil, várias ordens religiosas se estabeleceram na colônia. As que mais tiveram influência foram os beneditinos, carmelitas, franciscanos, capuchinhos e os jesuítas. As ordens terceiras mais atuantes no Brasil foram a Ordem Terceira do Carmo e a Ordem Terceira de São Francisco.

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Texto adaptado do livro “Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto”, de Angela Leite Xavier.
Págs. 78 e 79.
Edição do Autor; Ouro Preto (MG); 2009 (2ª edição).

Obs.: Esta postagem foi realizada mediante prévia autorização da autora.

Para mais "causos" e contos de Angela Xavier, acesse o blog dela:
Compartilhando Histórias
http://www.angelaleitexavier.blogspot.com.br 

Livro : Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

O livro reúne mais de 70 histórias, ambientadas do século XVIII até início do XX, coletadas junto a moradores ou em livros sobre a cidade. Olavo Romano, responsável pelo prefácio, afirma que "Ouro Preto era cheia de fantasmas, uma cidade mal iluminada, repleta de capelas e cemitérios, onde ninguém saia de casa depois das 21 horas. Trata-se de um livro que narra a História de Ouro Preto de uma forma agradável, à maneira dos contadores de histórias, e está entremeada de lendas e causos. Começa chamando a atenção do leitor para a necessidade de se preservar aquilo que faz parte da nossa memória e relata a descoberta do ouro, os conflitos que surgiram no início e as revoltas". 
A ênfase do livro é dada às histórias dentro da História, nas curiosidades que os livros de História não relatam, na sociedade que se formou ao redor das minas de ouro com suas crenças, seus valores e sua religiosidade. Relatos de grandes festas, de muitos casos assombrados e tesouros escondidos. A ilustração, com desenhos em bico de pena, é do artista plástico ouro-pretano José Efigênio Pinto Coelho.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A esquerda pode !

 
Jair Bolsonaro é operado na Santa Casa de Juiz de Fora
     Imagem: https://www.otempo.com.br/facada-atingiu-intestino-de-bolsonaro-que-chegou-quase-morto-ao-hospital 

Atentado contra a vida de Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República

Na tarde desta quinta-feira (6 de setembro de 2018), o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) levou uma facada na região abdominal durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), na rua Halfeld próximo à esquina com a rua Batista de Oliveira. O autor da tentativa de assassinato, identificado como Adélio Bispo de Oliveira, foi preso em flagrante.

O presidenciável deu entrada na urgência da Santa Casa de Juiz de Fora às 15h40, passou por um exame de ultrassonografia e foi encaminhado para cirurgia.
A facada atingiu a veia cava inferior  principal veia que transporta o sangue venoso do abdômen e dos membros inferiores para o coração – ocasionando grande perda de sangue e perigosa baixa na pressão arterialBolsonaro precisou receber transfusão de duas bolsas de sangue durante cirurgia da cavidade abdominal.
Foi detectado que o intestino grosso foi transfixado pela faca, mas o órgão foi costurado. Outras três lesões foram detectadas no intestino delgado, mas também foram tratadas com êxito. A facada também atingiu a artéria mesentérica, que leva sangue para o intestino.
Em um primeiro momento, se cogitava que o fígado do candidato havia sido atingido, o que foi descartado. 
Após os procedimentos cirúrgicos, ele foi levado ao Centro de Terapia Intensiva (CTI) da unidade hospitalar, onde se recupera no momento. 

O homem suspeito do crime foi preso em flagrante e levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Juiz de Fora, para prestar esclarecimentos. Os policiais tiveram dificuldade em retirá-lo do local do crime porque apoiadores de Bolsonaro tentavam linchá-lo.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Adélio Bispo de Oliveira foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014. Ainda segundo o tribunal, Adélio é natural da cidade mineira de Montes Claros, se filiou ao PSOL na cidade de Uberaba (MG) e pediu o desligamento do partido por conta própria. 
Em depoimento para a polícia, ele alegou "questões pessoais" como motivação para o ataque.

Em minha opinião é indiferente se o agressor é ou foi filiado a um partido político, pois considero tal ato mais passional do que institucional (uma vez que uma arma de fogo teria resultados mais garantidos do que uma mera faca). Mas quero aproveitar a ocasião para mais uma vez salientar como os simpatizantes da política de esquerda exibem um discurso de coitadinhos, defensores da liberdade e da paz, mas agem com a mesma intransigência e violência daqueles a quem criticam e caracterizam como opressores na direita política.
Há crescente número de militantes de esquerda que se declaram vítimas excluídas pelo sistema, mas cada vez mais mostram-se parasitas que só querem saber do venha a mim e o resto que se dane. Gostaram da ideia  disseminada nos últimos tempos que um governo deve pegar dinheiro dos ricos para dar aos pobres, sem critérios ou méritos. Por ignorância ou hipocrisia, desprezam o óbvio em favor de suas necessidades e vontades, vendo-se com cada vez mais direitos e menos deveres sociais, por isso agindo de modo sem-vergonha e sem limites. 
Considerável parte do povo brasileiro, cada vez mais bestializado, tende a criar e idolatrar imagens de messias e mitos; afastando-se de análises racionais e factuais, dedicam-se à adoração e alienação, desconsiderando uma política de gestão eficiente, que conduza à prosperidade e tranquilidade.
Se esfaqueassem o lula, este seria visto como um mártir coitadinho. Já os seguidores do Bolsonaro irão enaltecê-lo como um super-herói fodão. E a sensatez vai se perdendo num mar de idiotice...
Está aberta a fase do mata-mata nas eleições de 2018!

Fontes de referência:

Uol
Bolsonaro leva facada em ato de campanha em Juiz de Fora (MG)

O Tempo
Facada atingiu intestino de Bolsonaro, que chegou 'quase morto' ao hospital

sábado, 25 de agosto de 2018

Kombi

Gosto muito de Kombi! Sei que é um gostar masoquista, pois o veículo não oferece conforto nem segurança. Pega fogo com relativa facilidade, capota com mais facilidade ainda, os freios aquecem e perdem eficiência, girar o volante para fazer vaga ou manobrar em vias estreitas exige boa vontade e resistência física dignas de uma aula de pilates, entre outras fragilidades e inconveniências.
Mas eu gosto do estilo e da sensação de aventura que ela oferece! Da possibilidade de juntar familiares, ou amigos, ou uma banda e encarar a estrada por algum tempo. Também dá para fazer pequenos carretos para trabalhos e mudanças. Com desapego e adaptabilidade, dá até para morar uns tempos naquele pequeno espaço de mundo, que oferece possibilidades que outros belos e confortáveis carros não oferecem.
A Kombi tem natureza de camaleão, quase um transformer. Juntando dinheiro, persistência e capricho dá para criar novas formas de vida veicular. É só ter (des)apego...

A Kombi é um automóvel utilitário produzido pela empresa automotiva alemã Volkswagen, entre 1950 e 2013. No Brasil, foi fabricada ininterruptamente entre 2 de setembro de 1957 e 18 de dezembro de 2013, sendo praticamente o carro mais antigo do país. É considerada a precursora das vans de passageiros e carga.
O nome Kombi vem do alemão Kombinationsfahrzeug ("veículo combinado" ou "veículo multi-uso", em alemão). O conceito surgiu no final dos anos 1940, ideia do importador holandês Ben Pon, que anotou em sua agenda desenhos de um tipo de veículo inédito até então, baseando-se em uma perua feita sobre o chassi do Fusca. Os primeiros protótipos tinham aerodinâmica muito ruim, porém retrabalhos na Faculdade Técnica de Braunschweig deram ao veículo, apesar de sua forma pouco convencional, uma aerodinâmica melhor que a dos protótipos iniciais com frente reta. Testes então se sucederam com a nova carroceria montada diretamente sobre a plataforma do Fusca, porém, devido a fragilidade do carro resultante, uma nova base foi desenhada para o utilitário, baseada no conceito de chassi monobloco. Após três anos passados desde o primeiro desenho, o carro ganhava as ruas em 8 de março de 1950.
Sua construção robusta monobloco (sem chassi), suspensão independente com barras de torção, além da excêntrica posição do motorista no carro (sentado sobre o eixo dianteiro e com a coluna de direção praticamente vertical), o tornam um veículo simples e robusto, de baixo custo de manutenção. Sua motorização é um caso a parte: embora os modelos recentes possuam motores mais modernos, durante 50 anos o motor que equipou o veículo no Brasil foi o tradicional "boxer" com refrigeração a ar, simples e muito resistente.
O para-brisa com capacidade de abertura ficou conhecido como "Safari" e a versão de passageiros lançada em 1952  com 15 janelas e teto com abertura retrátil – foi nomeada "Samba"No Brasil, entre 1976 e 1996 foi produzido o modelo Kombi Clipper, entre 1997 e 2005 foi vendido o modelo Kombi Carat (com o teto mais alto), e entre 2006 e 2013 foi comercializado o modelo com introdução da grade dianteira para o radiador.

Por suas características, a Kombi ganhou vários apelidos ao longo do tempo, que mesmo pejorativos tinham uma dose de carinho. Os primeiros modelos (1958 a 1976), com protetor sobre os faróis, ficaram conhecidos como "Corujinha", por lembrar o formato dos olhos da ave. Os modelos mais novos, com para-brisas inteiriços, são conhecidos todos como "Clipper", graças ao modelo alemão de 1967. Já a Kombi Pick-Up é popularmente conhecida como "Cabrita", porque a traseira pulava como cabrita quando estava sem carga. A longevidade e utilidade do modelo lhe rendeu o respeitoso apelido de "Velha Senhora". Apesar de diversas limitações em comparação a modelos similares, por diversas vezes já ouvi proprietários chamando seu veículo por "Kombosa" (Kombi + Gostosa).
Seu formato retangular e reto rendeu o apelido "Pão de Forma". Também conhecida como "Jesus me chama" por causa do grande número de capotamentos devido à sofrível estabilidade e pela ausência de motor e porta-malas na frente, que inspirou o provérbio que "o para-choque da Kombi é o peito do motorista"!

Seguem algumas fotos – entre tantas versões e personalizações – deste singular veículo, ao mesmo tempo antiquado e atemporal: 
Kombi retrô moderna - Modelo Samba (Com viseiras e espaço conversível no teto)
Kombi com para-brisa Safari ( 1965 )

Kombi "Corujinha" ( 1967 )
Kombi sociedade alternativa

Kombi comercial

Kombi esportiva
Mini Kombi
Fontes de referência:

Wikipédia
Volkswagen Kombi
Kombi: em vídeo, 10 curiosidades da “velha senhora”

Kombi Cama
Produtos e depoimentos

Vídeos:

Kombi: 10 curiosidades sobre um Volkswagen muito versátil
(2:37)

Kombi - AutoEsporte 
(5:25)

As Kombis dão adeus aos brasileiros
(4:57)

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