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domingo, 2 de maio de 2021

Movimento Bandeirante


Federação de Bandeirantes do Brasil

O Movimento Bandeirante pode ser considerado o "outro lado da moeda" do Movimento Escoteiro. São propostas e trajetórias que se complementam e, com o tempo, passaram a se igualar em diversos aspectos.
Se inicialmente os escoteiros foram idealizados nos moldes militares de rapazes praticando atividades físicas no campo, as bandeirantes foram idealizadas para que moças pudessem praticar atividades sociais na cidade. Posteriormente os escoteiros desenvolveram ações solidárias urbanas e aceitaram mulheres em seu meio; e as bandeirantes realizaram exercícios de campo e aceitaram homens em seu meio. 
Pode-se dizer que o Escotismo foca em aventuras como bivaques, orientação por bússola ou mapas e sobrevivência na mata; enquanto o Bandeirantismo foca em campanhas beneficentes, projetos educacionais e jogos.
Ambos os movimentos valorizam a estruturação pessoal para a contribuição comunitária, visando a formação de pessoas com capacidade e iniciativa para trabalhar, só ou em grupo, na construção de uma sociedade melhor, com valores e resultados.

Bandeirantes - Versão brasileira do escotismo, inicialmente exclusivamente feminina.

A história do Movimento Bandeirante começa em 4 de setembro de 1909, na Inglaterra, quando durante a reunião escoteira no Palácio de Cristal, um grupo de moças com uniformes azul-marinho, chapéu scout, lenços, mochilas brancas e compridas meias pretas se apresentou a Robert Baden-Powell (Fundador do Escotismo) e disseram que queriam também ter a oportunidade que os meninos estavam tendo.
Baden-Powell levou em consideração este pedido, afinal, já eram muitas as moças que haviam lido seu livro "Escotismo para Rapazes". Pensando nisso, ele começou a estruturar um novo movimento com os mesmos princípios, mas que estivesse de acordo com as necessidades, possibilidades e interesses das meninas e moças naquele momento.
Desta forma, o nome escolhido para o movimento que começava a nascer foi Girl Guides ("Meninas Guias", em inglês), fazendo alusão de quem vai à frente e abre caminhos para outros.

Robert Baden-Powell pediu a ajuda de sua irmã, Agnes Smyth Baden-Powell, que em 1912 escreveu o primeiro livro para as Girl Guides chamado "The Girl Guide Handbook or How Girl Can Help to Build the Empire" (Em inglês: "O Manual do Guia para Meninas ou Como as meninas podem ajudar a construir o Império [Britânico]").
Agnes foi fundamental para o nascimento do Guidismo, escrevendo panfletos de esclarecimento aos pais, propondo um uniforme próprio para as meninas e organizando com seriedade a identidade do Movimento das Girl Guides.
Em 1912 é fundada a Associação Inglesa das Girl Guides, da qual Agnes Baden-Powell se tornou a primeira Presidente. Assim, oficializou-se o movimento, que se espalharia por todo o mundo. 
Em 1914, Olave St. Clair Soames Baden-Powell, esposa de Robert, entra para o Movimento das Girl Guides e começa a trabalhar com Agnes Baden-Powell. Entusiasmando-se pelo escotismo feminino, Olave juntou-se ao trabalho de consolidação do movimento. 
Em 1921, Robert Baden-Powell publica o livro chamado Girl Guiding (Em inglês: "Menina Guiando" ou "Guidismo") no qual apresenta, entre outras coisas, a Promessa e o Código Escoteiro Feminino – os fundamentos do futuro Movimento Bandeirante.

Agnes Baden-Powell (esquerda), Olave Baden-Powell (centro) & Jerônima Mesquita (direita)

Movimento Bandeirante no Brasil

Logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1919, Olave Baden-Powell enviou uma carta ao Brasil, propondo a fundação do Movimento das Girl Guides no país. 
Sr. Barclay, amigo de Olave que viajava para o Rio de Janeiro a negócios, se responsabilizou pela correspondência, e a entregou nas mãos da família Lynch. 
No dia 30 de maio de 1919, a senhora Adéle Lynch promoveu uma reunião em sua casa com autoridades e senhoras interessadas no movimento. Entre os convidados estava May Mackenzie, canadense residente no Brasil que já havia participado do movimento na Inglaterra, e Jerônyma Mesquita, cunhada do Sr. Lynch e conhecida por trabalhos educacionais e sociais.

O Movimento das Girl Guides se apresentava como uma proposta de educação diferenciada, por acreditar na importância da mulher em assumir um papel atuante nas mudanças da sociedade. Essa característica cativou as pessoas que estavam na casa da Sra. Lynch. Jerônyma Mesquita dedicou então sua vida ao Bandeirantismo e foi homenageada com o título de Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante brasileiro.
Surgia a Associação das Girl Guides do Brasil (primeiro nome da instituição). Em 13 de agosto de 1919, realizou-se a cerimônia de promessa das 11 primeiras bandeirantes brasileiras – data oficial de fundação do Movimento Bandeirante no país.

Com o início do processo de expansão, a Chefe Jerônyma Mesquita solicitou ao professor Jonathas Serrano um nome nacional às Girl Guides. Este buscou na história do Brasil o sentido adequado para a ideia original do escotismo e escolheu o nome "Bandeirantes" numa alusão de quem abre caminhos. A instituição adotou então o nome de Federação das Bandeirantes do Brasil.

A primeira sede exclusivamente do Movimento Bandeirante foi inaugurada em setembro de 1927, construída na Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, na cidade do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano é iniciada a publicação do jornal "Bandeirantes", editado até a década de 1990.
Em 1928, o movimento rompe barreiras sociais e comportamentais para as mulheres da época, em especial para as que compunham a elite da sociedade brasileira, classe da qual todas as Bandeirantes do período pertenciam. Foi realizado o primeiro acampamento para chefes na cidade de Itaipava (RJ), que levou as moças para longe de seus cotidianos domésticos. Além disso, o campo de atuação das bandeirantes se estendeu para escolas municipais, favelas e bairros proletários, causando polêmica na época, dada a preocupação com a segurança e honra das "moças de família".

O Movimento Bandeirante foi se solidificando e expandindo, chegando a outros estados no Brasil – além do Rio de Janeiro – assim como à participação da classe média e pobres. 
A atual Sede Nacional do Movimento Bandeirante, no Rio de Janeiro, foi inaugurada em 19 de março de 1959, com a presença do então presidente da república, Juscelino Kubitschek. Foram 15 anos de empenho e mobilização para que a obra pudesse ser concluída, e muitos ajudaram nesta construção, com pequenas ou grandes contribuições.

O Movimento Bandeirante que, inicialmente, se destinava à formação de meninas e moças – tendo um papel fundamental na ampliação e participação feminina na sociedade da época – solidificou sua proposta de coeducação iniciada com a reformulação institucional entre os anos 1969 a 1974, abrindo suas portas aos meninos e rapazes. Mas a presença expressiva de homens ocorre efetivamente no final da década de 1990 e, a partir do Estatuto de 2004, a instituição é denominada como Federação de Bandeirantes do Brasil.

O resultado de suas ações foi o reconhecimento – por entidades nacionais e internacionais – de suas atividades comunitárias, além do crescimento da instituição em vários estados brasileiros, tendo formado crianças e jovens.

1º Grupo Bandeirante com Jerônyma Mesquita

O programa educativo do Bandeirantismo é dividido por faixas etárias, chamadas de Ramos, levando em consideração as características e especificidades de cada idade.

Ramos:
● Ciranda 5 a 9 anos
● B1: 9 a 12 anos
● B2: 12 a 15 anos
● Guia: 15 a 18 anos

O Ramo Ciranda é o primeiro da progressão bandeirante! Crianças de 5 a 9 anos são nomeadas Fadas (meninas) e Magos (meninos), aprendendo trabalho em equipes, divididos em Sextilhas. 
Os coordenadores bandeirantes do Ramo Ciranda são as/os Corujas, que ajudam nos passeios, boas ações, contação de histórias e participam de "encantamentos" (atividade em que formam um círculo e, cantando uma música, assumem a personalidade de médicos, besouros, artistas, expedicionários, marcianos ou frutas).
O lenço amarelo é a identificação deste ramo.

O Ramo B1 (abreviação de Bandeirantes 1) é o segundo na progressão bandeirante, com jovens de 9 a 12 anos. 
Trabalham em equipes, participando de acampamentos, jogos, gincanas, caminhadas, passeios e serviços na comunidade.
O lenço azul é a identificação deste ramo.

O Ramo B2 (abreviação de Bandeirantes 2) é o terceiro na progressão bandeirante, com jovens de 12 a 15 anos.
Participam de aventuras na natureza, acampamentos, acantonamentos, trabalhos comunitários, jogos, trilhas, montanhismo, entre outras atividades.
O lenço verde é a identificação deste ramo.

O Ramo Guia prepara jovens de 15 a 18 anos para se envolverem e atuarem em sua comunidade. Aprendendo várias habilidades, os Guias desenvolvem liderança para serem protagonistas da sua história. Além disso, uma parte muito importante do programa educativo deste ramo é o trabalho comunitário, no qual os jovens são incentivados a atuar como agentes de mudança.
Os Guias participam de acampamentos, acantonamentos, atividades nacionais e internacionais, jogos, trilhas, montanhismos, pernoites e assembleias. 
O lenço vinho é a identificação deste ramo.

A partir dos 18 anos, os Guias se tornam Guias Auxiliares. A nova etapa é simbolizada pelo lenço vinho com fita branca. Os Guias Auxiliares ajudam os Coordenadores Bandeirantes com os Ramos mais jovens e participam de treinos e cursos de formação de Coordenadores Voluntários.
 
Fontes:

Movimento Bandeirante Brasil
Ramo Ciranda

Movimento Bandeirante Brasil
Ramo B1

Movimento Bandeirante Brasil
Ramo B2
https://bandeirantes.org.br/ramo-b2 

Movimento Bandeirante Brasil


Se o Escotismo foca no aprimoramento pessoal através dos resultados na praticidade, no Bandeirantismo a ideia é incentivar a individualização lúdica e ensinar através de criatividade e adaptação.

Nos acampamentos e gincanas bandeirantes do ramo Ciranda, os jogos são mirabolantes e as crianças enfrentam monstros, índios loucos e esqueletos, ajudadas por jovens e adultos.
Os bandeirantes só costumam descobrir o tema na abertura do acampamento. Às vezes, são surpreendidos pelos jogos em andamento enquanto lavam a louça ou escovam os dentes: surge um "feiticeiro" e começa a ditar as regras. Ou os adultos (chefes ou coordenadores) se escondem misteriosamente, deixando o acampamento para as crianças desvendarem pistas. Outras vezes, os jogos são contínuos e as equipes passam dias na sequência da mesma história, incorporando os personagens relativos ao tema. 
Alguns exemplos:
Em 1992, em Boituva (SP), a máfia chinesa invadiu o acampamento. Quatro sábios de branco vagaram pelas barracas distribuindo pistas, enquanto os malfeitores de preto capturavam membros das equipes. 
Em outubro de 2001, em Araçariguama (SP), as crianças tiveram que resgatar a chama da magia por entre as árvores, sem pistas e sem lanterna.
Em abril de 2009, num sítio em São Bernardo do Campo (SP), jogos foram preparados incluindo circuitos com cordas, lama e toldos escorregadios. Os bandeirantes foram divididos em quatro equipes, simbolizando a terra, a água, o fogo e o ar, e tiveram de cumprir tarefas vagamente relacionadas aos signos do horóscopo (por exemplo: na base do signo de Sagitário – caracterizado no zodíaco pela liberdade e a aventura – passaram por um labirinto de cordas com os olhos vendados e apanharam ingredientes para um almoço mateiro).

Os ramos B1 e B2 realizam reuniões semanais, em que participam de jogos educativos nas áreas de saúde, habilidades, cultura, cidadania, meio ambiente e participação comunitária. O bandeirantismo se dedica a gincanas, visitas a creches e asilos, competições esportivas, brincadeiras de roda (às vezes com letras em espanhol que ninguém entende ou cantigas de significados sem nexo), jogos de cidade, caças ao tesouro, debates, pinturas, teatro etc.

Fonte:

Folha de São Paulo

Bandeirantes

Fontes de referência:

Movimento Bandeirante Brasil
História

Movimento Bandeirante Brasil
Promessa e Código Bandeirante
Movimento Bandeirantes

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Para saber sobre o Movimento Escoteiro:

Blog HistóriaS
Escotismo

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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Escotismo

23 de abril - Dia do Escoteiro


Distintivo Promessa de Lobinho (esquerda) e Distintivo Promessa Escoteira (direita)

Admiro a filosofia e prática dos escoteiros: o foco para o aprimoramento individual visando a produtividade grupal, o incentivo ao respeito, às boas ações, aos estudos e às atividades em contato com a natureza!
No atual contexto, de progressivo individualismo e isolamento num mundo virtual, o escotismo é uma ótima prática para manter valores a atitudes que, aos poucos, estão se perdendo pelos variados e tortuosos caminhos do século 21.


No dia 23 de abril, comemora-se o Dia do Escoteiro. A data foi escolhida pelo fundador do Movimento Escoteiro – Robert Baden-Powell – por ser o dia em que se celebra São Jorge, patrono do Escotismo. Na época, em 1910, era comum que se escolhessem santos como patronos. 
Baden-Powell justificou a escolha do santo apontando que suas qualidades são as mesmas que se espera encontrar em um escoteiro. Em seu livro "Escotismo para Rapazes" (24 de janeiro de 1908), ele explica: "Esta [referindo-se à lenda do dragão] é exatamente a maneira pela qual um escoteiro deve enfrentar um perigo ou uma dificuldade, por maior ou mais assustadora que pareça ou por mal equipado que esteja para a luta. Se enfrentar a situação ousada e confiantemente, usando toda a sua força para superá-la, a probabilidade é que se saia bem. O dia de São Jorge é 23 de abril. Nesse dia, todos os bons escoteiros fazem questão de meditar sobre a Promessa e a Lei Escoteira".

O lema dos lobinhos é "Melhor Possível".
O lema dos escoteiros é "Esteja Preparado" (do inglês "Be Prepared"), mas no Brasil foi adaptado para "Sempre Alerta".


O Movimento Escoteiro foi fundado em 1907 pelo tenente-general inglês Robert Baden-Powell. 

No dia 1º de agosto de 1907, ele levou 20 rapazes para a Ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, para realizar o primeiro acampamento escoteiro do mundo. Ao longo de oito dias, ele aplicou diversos ensinamentos sobre vida em equipe e ao ar livre, acampamentos, fogueiras, jogos, rastreamento, dedução e observação, técnicas de primeiros socorros, alimentação e boas ações. Ele havia pensado nas habilidades que os jovens pudessem usar para ser mais independentes.
O acampamento foi um sucesso e, no início de 1908, Baden-Powell lançou o guia "Escotismo para Rapazes" em seis edições quinzenais. A busca pelos manuais foi grande e difundiu as ideias e práticas do movimento.

Em 4 de setembro de 1909, mais de 10 mil jovens realizaram uma exibição de suas perícias escoteiras no Palácio de Cristal, em Londres.

Diante do rápido crescimento do escotismo, Baden-Powell, então com 53 anos, aposenta-se do exército britânico em 1910 e passa a dedicar-se à sua "segunda vida" – como costumava chamar – na organização do Escotismo uma fraternidade mundial.

Ainda em 1910, é criado o Escotismo do Mar, bem como surgem as "Girls Guides" (as Guias Escoteiras, ampliando o escotismo para o público feminino).
Em 1912, foi publicado o primeiro Manual das Guias Escoteiras, "Como as Moças podem ajudar o Império" escrito por Agnes Smyth Baden-Powell, irmã de Robert Baden-Powell.

Em 1916, a pedido das crianças menores que queriam fazer parte do Movimento Escoteiro, Baden-Powell criou o Ramo Lobinho, baseado no Livro do Jângal, de Rudyard Kipling, com auxílio de sua irmã, Agnes.

Em 1930, Olave Baden-Powell (esposa de Robert Baden-Powell) é aclamada Chefe Guia Mundial, função que exerceu até 1976, quando falece.


História do Ramo Lobinho

Na edição original do livro "Escotismo para Rapazes" (1908), Baden-Powell não fixou um limite de idade mínima, nem máxima para o ingresso no Movimento Escoteiro. Como consequência disso as tropas tinham meninos cujas idades variavam entre 9 a 18 anos. 

Com o rápido sucesso do escotismo e crescente adesão, os irmãos menores (abaixo de 9 anos) daqueles que já faziam parte do movimento, e que pela pouca idade não eram aceitos para a "diversão", queriam entrar na "brincadeira". Os pequenos foram persistentes, intrometendo-se nas reuniões das tropas escoteiras desde 1909. 

Os primeiros esforços de trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Alguns escoteiros se prontificaram em receber estas crianças como "Junior Scouts" (Escoteiros Juniores), mas os resultados foram ruins. Essas tropas desestruturaram-se, com alguns dos mais velhos não desejando realizar as tarefas mais básicas com os pequenos e estes não conseguindo acompanhar as vigorosas atividades feitas pelos escoteiros mais velhos. 

Apesar de Baden-Powell ser receptivo à ideia da inclusão de crianças, teve que tomar precauções para evitar a percepção que o escotismo seria um jardim de infância para jovens. No final do ano de 1913, preocupava-se que o novo ramo tivesse suas próprias características, não sendo uma versão simplificada do programa dedicado aos escoteiros.
Depois de um período de indagações e experiências, Baden-Powell solicitou a Percy Winn Everett (um inglês, editor-chefe da editora C. Arthur Pearson Limited) que estudasse o que estava fazendo e que redigisse um esquema provisório. Em novembro de 1913, Everett lhe apresentou o projeto intitulado "Regras para Escoteiros Menores". Baden-Powell adotou este projeto de Everett, salientando apenas o nome "Lobinho" ou "Cachorro" como adequados para o novo ramo do escotismo. Quanto ao uniforme disse que um boné, semelhante ao usado no jogo de críquete, e um suéter estariam de acordo com a elegância e praticidade desejáveis.
Com mudanças e emendas, em 1914, o Headquarter Gazette publicou um esquema para "Lobinho" ou "Jovem Escoteiro" com uma promessa e forma de saudação diferenciadas, um emblema em forma de cabeça de lobo e alguns testes simples adaptados à faixa etária. 
 
A publicação do Manual do Lobinho, em 2 de dezembro de 1916, é considerado como marco da fundação do Ramo Lobinho, embora tenha sido somente em 1923 que as regras completas do Lobismo foram reconhecidas.

Robert Baden-Powell escolheu pessoalmente os patronos para os diferentes Ramos do Movimento Escoteiro.  Para o Ramo Lobinho foi escolhido São Francisco de Assis (cujo dia consagrado é 4 de outubro) por ter vivido em paz com os animais e respeito pela natureza, além de ajudar os necessitados.


Guias Femininas – Escoteiras

Em 4 de setembro de 1909, na reunião no Palácio de Cristal em Londres, que consolidou o movimento escoteiro, várias garotas sem ingresso para o evento entraram de forma clandestina e se formaram junto às tropas. Robert Baden-Powell reconheceu o interesse feminino no escotismo, mas preocupava-se com atividades específicas para mulheres, de forma que estas pudessem desenvolver-se de forma diferenciada e mais adequada.
A orientação das atividades deveriam atender às necessidades de meninas e mulheres jovens. Grupos de guias femininas logo começaram na Inglaterra, Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia e África do Sul.

Em 1910, é criado as "Girls Guides" (as "Guias Femininas" ou Escoteiras, ampliando o escotismo para o público feminino).
Em 1912, foi publicado o primeiro Manual das Guias Escoteiras, "Como as Moças podem ajudar o Império [Britânico]" escrito por Agnes Smyth Baden-Powell, irmã de Robert Baden-Powell.
Em 1917, é constituído o primeiro Conselho Internacional da Associação de Guias da Inglaterra, e, no ano seguinte, é publicado o texto base do Guidismo, escrito especialmente para as guias.


Escotismo Modalidade do Mar

Em agosto de 1909, Robert Baden-Powell organizou às margens do Rio Beaulieu (Inglaterra) um acampamento para Escoteiros do Mar, com cerca de 100 jovens. Em 1910, baseado nas experiências deste acampamento, Robert lança o livro "Escotismo do Mar para Rapazes". Em 1912, seu irmão mais velho, Henry Warington Smyth Baden-Powell, apresenta o manual "Escotismo do Mar e Marinharia para Rapazes".
Surgiram novos chefes escoteiros provindos da Guarda Costeira da Inglaterra, os quais tinham conhecimento sobre as técnicas marinheiras.

O Escotismo Modalidade do Mar realiza suas atividades onde quer que exista água em quantidade e profundidade suficientes para que uma embarcação possa navegar, seja ela de que tipo for. Sendo assim, há atividades em oceanos, rios, lagos, lagoas ou pântanos. Procurando desenvolver nos jovens o gosto pelas atividades aquáticas, navegação à vela e a motor, pelas viagens e transportes marítimos, pela pesca, pelo estudo da oceanografia, pela exploração e pelos esportes náuticos. A gama de atividades realizadas pode ir da tradicional navegação a remo até mergulho ou windsurf.

Escotismo Modalidade do Ar

A Modalidade do Escotismo do Ar não foi idealizada por Baden-Powell, tendo sua origem no Brasil.

Dia 28 de abril de 1938, é oficializado o primeiro Grupo Escoteiro da Modalidade do Ar, o Grupo Escoteiro do Ar Tenente Ricardo Kirk, tendo como responsáveis o Major Aviador Godofredo Vidal, o Tenente-Coronel Aviador Vasco Alves Secco e o Primeiro Sargento Telegrafista Jayme Janeiro Rodrigues, no 5.º Regimento de Aviação, atual CINDACTA II, em Curitiba (PR).

Em 19 de abril de 1944, foi criada a Federação Brasileira de Escoteiros do Ar, a qual congregava todos Grupos Escoteiros da Modalidade, na época se restringindo aos estados do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.

O Brigadeiro Nero Moura, em 26 de julho de 1951, então Ministro da Aeronáutica, reconhecendo a expansão registrada e seus valiosos objetivos, determinou que todas as unidades da Força Aérea Brasileira dessem apoio à Modalidade do Ar, o que acontece até os dias presentes.

A Modalidade do Ar realiza atividades com temas voltados para a aviação, procurando desenvolver nos jovens o gosto pelo aeromodelismo, planadores, helicópteros e aviões, aeroportos, aeronavegação, foguetes espaciais, satélites artificiais, esportes aéreos, estudo da meteorologia, astronomia, engenharia aeronáutica, entre outros relativos.


Escotismo no Brasil

Em 17 de abril de 1910, encerrando um ciclo de quatro anos de renovação da frota naval brasileira, o Encouraçado Minas Gerais chegava ao Brasil, vindo da Europa, com um grupo de oficiais que trazia consigo uniformes e acessórios escoteiros, depois de acompanhar o enorme sucesso que Baden-Powell fazia na Inglaterra.

O grupo logo se organizou para fundar a primeira associação escoteira, chamada de Centro de Boys Scouts do Brasil, no Rio de Janeiro. Rapidamente o Movimento Escoteiro se espalhou pelo território brasileiro, inicialmente com diversas associações independentes, até que, em 4 de novembro de 1924, foi criada a União dos Escoteiros do Brasil.

Fontes de referência:

Wikipédia
Escotismo

Wikipédia
Robert Baden-Powell
https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Baden-Powell 

Déjà-vu Escoteiro
Mulheres no Escotismo
https://bildo.org/dejavuescoteiro/mulheres-no-escotismo 

Escotismo e suas histórias
Saudações escoteiras

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Para saber sobre o Movimento Bandeirante, a versão brasileira do escotismo:

Blog HistóriaS
Movimento Bandeirante

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