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sábado, 19 de janeiro de 2013

Ferrovias - Associações ferroviárias

Abandono e resistência nas ferrovias brasileiras

Imagem: my.opera.com

O sistema ferroviário não é composto apenas por locomotivas, vagões e trilhos. Pontes, viadutos, túneis, obras de contenção de encostas, estações ferroviárias, oficinas, vilas de funcionários, escolas, hospitais, instituições sociais como bandas de música e times de futebol, além de veículos de apoio como ambulâncias e caminhões, entre outros, compõe o complexo material e humano ligado às ferrovias.
O atual abandono do sistema ferroviário não é somente falta de inteligência e desperdício de recursos, é uma traição e desrespeito à dedicação, energia e tempo dos ferroviários que implantaram e mantiveram uma estrutura eficiente enquanto lhes foi possível.

Na época da privatização, o material ferroviário não foi abandonado ou reunido de qualquer maneira. Presenciei na cidade onde vivo a forma cuidadosa com que veículos e o material necessário para a manutenção foram guardados dentro de galpões ou nos locais destinados para essa finalidade e anos depois ali se encontravam, cobertos pelo pó, enferrujando devido à falta de uso ou manutenção, apodrecendo aos poucos no vácuo criado entre a incapacidade e lentidão do governo em terminar os inventários necessários para finalizar a burocracia que permitiria a venda ou utilização do material e a falta de interesse dos empresários em otimizar os recursos que possuíam, pois se concentram nas poucas rotas que lhes dão lucro a curto prazo, quase sempre no transporte de minério, soja ou produtos químicos.
A relação dos materiais existentes foi feita rapidamente na época que antecedeu às privatizações pelos funcionários do baixo escalão, que trabalhavam diretamente com o material. Os chefes e gerentes do médio escalão as reuniram e repassaram para o alto escalão com considerável rapidez, deixando de constar na ocasião os locais onde o serviço desorganizado não conseguiu transmitir a tempo as informações necessárias.
No alto escalão do governo, composto por funcionários públicos concursados, desmotivados ou incapazes, por diretores com pouco ou nenhum conhecimento técnico, indicados por apadrinhamento político, além dos políticos corruptos que aceitaram propinas para aprovar certas decisões, é que se deu a injustificável demora e descaso com as informações que poderiam aumentar o valor das ferrovias quando de suas vendas ou evitar que o material que se encontrava em perfeito estado de conservação e uso fosse desperdiçado.

Ferroviários aposentados e da ativa, além de simpatizantes, sentindo-se traídos e indignados, se uniram e criaram organizações não governamentais em diversos pontos do Brasil para preservar material, documentação, instalações e o que mais contribuísse para manter a memória e a esperança para as ferrovias brasileiras.
Estes grupos se mantiveram inicialmente apenas com as contribuições dos associados. Com o passar dos anos e diante dos resultados eficientes e sérios de suas ações, vêm conseguindo apoio financeiro de empresários e recentemente capital governamental através de programas culturais, principalmente na preservação das estações ferroviárias. Essas estações sempre foram cobiçadas pelo mercado imobiliário por situarem-se geralmente em amplas áreas centrais e planas, com alto valor financeiro e estratégico na malha urbana.
As associações de preservação ferroviária não têm uma organização centralizada, o que faz com que percam eficiência e representação política, mas vêm se integrando através de seminários, encontros e eventos comemorativos, trocando experiências, compartilhando dificuldades e soluções, ganhando visibilidade na mídia e apoio da população.

O que une todas essas entidades e pessoas é um sincero e profundo respeito e amor pela atividade ferroviária e o desejo de que esta possibilidade de transporte não acabe para as futuras gerações.
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Sites:

Associação Brasileira de Preservação Ferroviária ( ABPF )
http://www.abpf.org.br 

Movimento de Preservação Ferroviária ( MPF ) 
http://www.mpfbrasil.com.br   

Clube Amantes da Ferroviária
http://www.amantesdaferrovia.com.br   

Amigos do Trem
http://www.amigosdotrem.com.br  
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Vídeos:

Preservação ferroviária no Brasil
Curta-metragem editado em 2010 com imagens captadas entre 1989 e 1990 para um registro histórico da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) sobre os primeiros trabalhos de preservação ferroviária no Brasil.
( 17:00 )
https://www.youtube.com/watch?v=F9Ld62l-tTk  

Trem de Prata (1995)
Vídeo mostrando um pouco da rotina de luxo proporcionada pelo Trem de Prata, que fazia a viagem ligando Rio de Janeiro e São Paulo.
( 5:19 )
https://www.youtube.com/watch?v=M_Bbzc0fQ5o   

Viagem de trem ( Belo Horizonte - Vitória )
Uma viagem ferroviária possibilita um conforto e uma interação com o trajeto e com as outras pessoas que não se consegue em uma viagem rodoviária.
( 5:17 )
https://www.youtube.com/watch?v=S0AccAFfGmg    

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ferrovias - Cemitérios

Cemitérios de locomotivas e de pessoas

Cemitério de locomotivas ( Horto Florestal em Belo Horizonte )
Imagem: midiaindependente.org

Estudos confirmam que se a construção de uma ferrovia é mais cara do que uma rodovia, o custo de manutenção dos trilhos é menor do que das estradas, ocorrendo em espaço de tempo relativamente curto o retorno do investimento na ferrovia, que proporciona maior rentabilidade e segurança a médio e longo prazo. Também é sabido que quanto maiores forem as distâncias percorridas, maior é a vantagem proporcionada pela ferrovia em relação à rodovia. O Brasil, com suas extensões continentais, abandonou boa parte das ferrovias existentes no início do século XX e não constrói novas no século XXI, apesar do nítido aumento da população e do comércio. Tal negligência causa um gargalo na capacidade de circulação de pessoas e riquezas, diminuindo a qualidade de vida no meio urbano e no ritmo do crescimento econômico do país.
A união de estradas mal planejadas ou conservadas, repletas de caminhões e ônibus, com uma frota de veículos de passeio com motores de baixa potência para ultrapassagens leva à enorme quantidade de mortes no trânsito. É óbvio que a falta de educação dos motoristas contribui para o elevado número anual de mortes nas estradas brasileiras.
"Na Colômbia, em 43 anos de guerra civil morreram 32.000 pessoas. Em Cuba, Fidel Castro em 49 anos de poder mandou matar 17.000. O número de vítimas de trânsito no Brasil é alarmante! Segundo as estatísticas, morrem por ano mais pessoas do que os 40.000 americanos que morreram durante os dez anos de guerra no Vietnã."
Site Atividades Rodoviárias ( http://www.atividadesrodoviarias.pro.br/acidente.htm )

Para se ter uma noção de como um eixo ferroviário pode aliviar o trânsito em uma rodovia, basta basear-se no trem brasileiro com carga de soja que, com 5 locomotivas, movimenta 125 vagões. Cada vagão tem a capacidade aproximada de uma carreta com eixo duplo. É só fazer as contas para perceber quanto se ganha em economia de diesel e segurança com 125 caminhões a menos em uma estrada sendo substituídos por apenas 5 locomotivas.

Na minha opinião, em um raciocínio simples, o aumento de cemitérios de locomotivas causa um aumento proporcional no número de cemitérios de pessoas, mortas nos acidentes de trânsito que crescem ano após ano, impulsionados pelo maior número de veículos, movidos pela facilidade de crédito.
Motoristas sem habilitação, imprudentes, bêbados ou agressivos causam muitos acidentes, matando a si, quem estava em seu veículo e pessoas em outros veículos ou nas vias de trânsito. Se estes motoristas fossem passageiros em um trem que circula por um caminho pré-definido pelos trilhos, com um condutor que é mais facilmente monitorável por conta de exigências profissionais, quantas mortes teriam sido evitadas?
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Vídeos:

P 190 Matisa - Construindo uma linha ferroviária
Com modernas tecnologias é possível atualmente construir ferrovias em um ritmo mais rápido do que uma rodovia, e com custos menores em comparação às ferrovias de tempos atrás. Devido à economia da mão-de-obra mecanizada e uso de materiais como dormentes de concreto ou borracha vulcanizada reciclável, além de trilhos com ligas de metal mais resistentes, o custo de manutenção de uma moderna ferrovia tornou-se baixo.
( 5:18 )

Trem de Prata ( 1995 )
Vídeo mostrando um pouco da rotina de conforto proporcionada pelo Trem de Prata, que fazia a viagem ligando Rio de Janeiro e São Paulo.
( 5:19 )

Viagem de trem ( Belo Horizonte - Vitória )
As viagens ferroviárias permitem alguns confortos e uma interação social que não são possíveis nas viagens rodoviárias.
( 5:17 )

domingo, 25 de março de 2012

Ferrovias - (Des)Caminhos

Caminhos e descaminhos das ferrovias no Brasil

Imagem: photoshoptotal.com.br

A primeira ferrovia construída para transporte regular de carga e passageiros foi inaugurada na Inglaterra em 27 de setembro de 1825, ligando as cidades de Stokton e Darlington. Tinha 60 quilômetros de extensão e levou 10 anos para ser construída.

A primeira ferrovia no Brasil foi inaugurada em 30 de abril de 1854. Percorria a distância de 14 quilômetros entre o Porto de Estrela, na Baía da Guanabara, e a localidade de Raiz da Serra, em direção à Petrópolis. Irineu Evangelista de Souza (o Barão de Mauá) foi o responsável pela construção dessa ferrovia.

Nos Estados Unidos, Japão e Europa as bitolas (distância entre os trilhos no mesmo dormente) foram padronizadas em um único tamanho, permitindo que se realizem viagens sem a necessidade de troca de trens, economizando tempo e dinheiro.
Alguns destes governos enfrentaram, na ocasião, oposição de setores interessados em manter exclusividade comercial em determinada região ou desinteressados na diminuição do lucro no período de adaptação, além de reclamações de parte da população pelos transtornos causados na época. Acontece que, diferentemente do Brasil que tradicionalmente possui governos meramente reativos à mídia, estes governantes não esperaram que a questão dos transportes se tornasse um problema muito grande ou prejudicial, exigindo medidas ainda mais radicais e caras. Eles tiveram um planejamento e execução visando resultados a longo prazo.
O Brasil ainda hoje possui 3 diferentes medidas em seus trilhos (1,000 metro, 1,435 m e 1,600 m). Isso significa que em determinadas regiões, haveria a necessidade do trem parar e ocorrer a transferência dos passageiros e da carga para outro trem próximo, em uma linha com bitola diferente, o que ocasionaria gasto de tempo e mão-de-obra, diminuindo a eficiência e aumentando o custo deste transporte.

A política de destaque às rodovias no governo de Juscelino Kubistcheck, na década de 1950, foi lucrativa para as corporações automobilísticas norte-americanas e iniciou um longo processo de sucateamento da malha ferroviária brasileira, com desativação progressiva de trechos considerados “pouco lucrativos”, degradação do material rodante e precarização dos serviços oferecidos aos passageiros.

Há quem afirme que esta conduta foi intencional, visando piorar a qualidade e segurança do serviço ferroviário a ponto da população desejar ou ao menos não se posicionar contra a privatização. Outros defendem que o descuido com as ferrovias foi apenas uma consequência da priorização dos investimentos nas rodovias e falta de visão a longo prazo, causada pela nomeação de diretores baseando-se em alianças políticas e não competência técnica, o que levou a decisões tomadas por funcionários do alto escalão que não tinham conhecimento do assunto, mas possuíam autoridade para impô-las.

Fato é que na década de 1990, com a tendência neoliberal, as estradas de ferro brasileiras foram privatizadas com preços abaixo do mercado internacional e promessas de um transporte de melhor qualidade. No entanto, as empresas que venceram os leilões de privatização utilizam a maior parte da malha ferroviária nacional para o transporte de cargas, que oferece maior lucro do que o transporte de passageiros, restando aos últimos poucas linhas com investimento inexpressivo.
Para tornar a situação ainda mais lamentável, a pressa do governo da época em não se responsabilizar pelo transporte ferroviário fez com que as privatizações acontecessem sem que se terminasse os inventários dos materiais das diversas ferrovias. Isso significa que o governo foi irresponsável e incompetente a ponto de não saber a quantidade, o estado de conservação e o valor de mercado do material que vendeu. As ferrovias foram arrecadadas pelo setor privado quase sempre próximo ao preço mínimo e vêm oferecendo lucros cada vez maiores a seus donos, sem que a população se beneficie.

O Brasil se ofereceu para sediar a Copa o Mundo e Olimpíadas, dois eventos que para receber eficientemente um grande número de turistas necessitam de pesados investimentos na rede de transportes (aeroportos, portos, rodovias, ferrovias e transporte coletivo urbano, através da integração de ônibus, transporte ferroviário de superfície e subterrâneo). Até o momento, o Brasil mal está dando conta de reformar os estádios de futebol, que oferecem retorno a uma parcela limitada da população, e novamente não investe no óbvio e necessário setor da infra-estrutura dos transportes que pode ficar como herança destes eventos para as próximas gerações de brasileiros.

Se quiser saber um pouco mais sobre a história das ferrovias no Brasil, acesse os links abaixo:

Transporte ferroviário no Brasil
( Wikipédia )
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transporte_ferrovi%C3%A1rio_no_Brasil

Histórico ferroviário
( Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes - DNIT )

http://www1.dnit.gov.br/ferrovias/historico.asp 

A história das ferrovias no Brasil
( Cabaña )
http://cabana-on.com/Brasil/artigos/artigo22.html


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Video:

Rodovias e Ferrovias no Brasil
( 7:52 )
https://www.youtube.com/watch?v=J6q9RccgVdc   
Reportagem da Bandeirantes mostra que o Brasil, ao contrário de muitos países desenvolvidos, investe mais em estradas (meio de transporte individual) do que em ferrovias (meio de transporte coletivo). A incompetência e pressa do governo brasileiro em privatizar as ferrovias causaram dificuldades para o sistema de transporte de passageiros e prejuízos aos cofres públicos.