sábado, 21 de setembro de 2019

Árvores urbanas


Árvores & Cidades

ArborizAção

Quem já se sentou debaixo de uma árvore num dia quente, sabe que nada se compara à sua sombra. O frescor dela não é igualado por toldos, guarda-sóis ou lajes. Somado a isso tem o barulho calmante das folhas quando venta, a beleza e/ou odor das flores quando existem e o cantar dos pássaros, por ela atraídos.
Isso tudo é possível numa única árvore solitária, numa praça ou numa calçada; imagine então isso multiplicado por dezenas, centenas ou milhares em bosques e parques.

Uma rua arborizada se torna mais agradável para o transitar e menos estéril aos sentidos, possibilitando um panorama artístico quando estão bem podadas. Uma praça arborizada, com bancos à sombra, é um convite ao relaxamento, à contemplação solitária ou conversas confortáveis com os outros.
As árvores também tornam os ambientes mais úmidos, diminuindo as irritações nasais, dos olhos e da pele durante os períodos de seca prolongada.

Todos esses benefícios em troca da ação de plantar, regar e podar ocasionalmente da forma adequada... não é muito, então me é incompreensível que as cidades estejam cada vez menos acolhedoras e mais estéreis com suas calçadas nuas e quentes, paredões de concreto, cimento e vidro e pouca ou nenhuma natureza por diversos quarteirões seguidos!
Investindo na praticidade e baixo custo da pouca manutenção, as prefeituras estão negligenciando a qualidade de vida da população urbana, oferecida pelo paisagismo e o contato com a natureza dentro das cidades, mesmo que de forma limitada. Está ocorrendo um desleixo individual e governamental com o necessário e possível equilíbrio entre os fazer e o lazer, contrabalançando o trabalho com o descanso, para aqueles que não têm a possibilidade (por falta de dinheiro ou tempo) de sair da cidade em viagem para o campo.

A prefeitura plantou árvores na rua onde moro e, com o passar dos anos, os moradores foram arrancando as jovens árvores da frente de suas residências porque elas (realmente!) soltam diariamente uma grande quantidade de pequenas folhas, deixando a calçada suja e precisando de constante varrição. A única árvore restante atualmente é a que está no portão da minha casa, porque eu e minha mãe a adotamos, colocando rede de proteção em sua volta quando era mais nova e aguando-a com frequência. É fato que suas folhas sujam muito e exigem paciência e persistência, mas também é fato ser esta árvore um tipo que dá pequenas flores vermelhas durante quase todo o ano, atraindo muitos pássaros.
Pouco tempo depois que a prefeitura plantou esta leva de árvores que foi dizimada pelos moradores, numa parte um pouco acima da rua foram plantadas outro tipo de árvore. Como ficavam numa calçada no lado da rua onde não havia residências por ser um barranco, para garantir sua sobrevivência resolvi adotá-las e, nos dois primeiros anos após o plantio, andava os 50 metros rua acima de onde moro com um balde de água e molhava as oito árvores que me propus cuidar, amarrando depois nos finos caules uma garrafa de 2 litros com água, com a boca fortemente enfiada na terra molhada, para garantir hidratação por mais algum tempo. Fazia esta ação uma vez por semana, e o processo gastava em torno de 40 minutos. Todas as árvores que ajudei a cuidar estão vivas até hoje e alguns vizinhos, vendo que eu saía da minha casa para cuidar de uma árvore na frente da casa deles, resolveram ajudar na irrigação.
Não estou descrevendo estes fatos para me vangloriar! O objetivo é mostrar como atitudes simples, que não exigem muito tempo, dinheiro ou conhecimento técnico, fazem a diferença que propicia a continuidade das árvores, bem como um exemplo pode inspirar alguns a zelar pelo patrimônio público que é um centro urbano arborizado.

Junte-se a grupos que cultivam e plantam mudas de árvores – ou crie um se não tiver nenhum onde vive (duas ou três pessoas já conseguem fazer uma grande diferença, agindo uma vez por semana). Sua ação será uma colaboração para o presente e para o futuro, não só para você e para os seus, mas também para as futuras gerações. Mãos à obra!

Rua arborizada em Seritinga (MG)

Para ver uma publicação deste blog sobre o Dia da Árvore, celebrado no dia 21 de setembro, acesse:
https://historiasylvio.blogspot.com.br/2017/09/dia-da-arvore.html 

Ipê Rosa em área urbana

Fontes de referência:

InvestVida
Área verdes nas cidades e seu benefício para a saúde.
Qual árvore plantar na sua cidade.
https://www.ideiasdiferentes.com.br/qual-arvore-plantar-na-sua-cidade 

EcoVida
15 árvores adequadas para plantio em vias urbanas e dicas de como plantá-las adequadamente.
http://www.ecovidabomdespacho.com/2016/10/dicas-de-arvores-adequadas-para.html 

Soluções para Cidades
31 árvores que você pode plantar em sua calçada. Produzem frutos, sombras e flores. Não destroem calçadas nem danificam a rede elétrica. 
http://solucoesparacidades.com.br/blog/arvores-que-voce-pode-plantar-em-sua-calcada 

Yvelise de Oliveira
Pedido de Socorro: Árvores Urbanas – Não as deixem morrer! 
http://www.yvelisedeoliveira.com.br/news/arvores-urbanas-nao-as-deixem-morrer 

Vídeos: 

Benefícios das árvores urbanas
https://www.youtube.com/watch?v=stE9RgZAfq4 
(01:17) 

Meu Ambiente : Arborização Urbana
https://www.youtube.com/watch?v=JfCGuFQnVsE  
(24:03) 

As Árvores ( Documentário )

Rua arborizada em Caxambu (MG)
Foto : Rafael Siqueira

Túnel verde na Rua da República - Porto Alegre (RS)

Árvores bem podadas em Patrocínio do Muriaé (MG)

Árvores adultas cortadas na Av. Francisco Bicalho - Rio de Janeiro (RJ)

sábado, 7 de setembro de 2019

AtualizAção

Mudam as aparências, permanecem as essências !


Se a História nos ensina algo, é que não conseguimos aprender com a História !
( Rachel Henderlite )

sábado, 24 de agosto de 2019

Povoamento de Minas Gerais


Pintura retratando a lavra do ouro em primeiro plano e Vila Rica ao fundo
( Rugendas, 1820 - 1825 )

O povoamento de Minas Gerais (no Brasil Colônia)
Autora: Angela Xavier

Com a descoberta do ouro e diamantes, se dirigiram às Minas pessoas de todas as raças e camadas sociais, de toda parte. Soldados abandonavam os fortes no litoral, padres vinham em busca de riqueza. Escravos fugitivos das plantações de cana no nordeste se dirigiam para as minas em busca de uma vida melhor. Em pouco tempo o Sertão dos Cataguases foi povoado por civilizados e passou a ser chamado de Minas do Ouro.
Nos locais onde estavam as jazidas mais ricas, formaram-se os primeiros arraiais. Grupos armados estavam em constante vigilância porque, além do perigo das feras, dos negros fugidos que andavam em bandos realizando assaltos nas estradas e acampamentos, havia também o perigo dos aventureiros que atacavam as lavras e se apossavam delas. O ouro enchia as bruacas e as pessoas não pensavam em morar naquele lugar depois de ricos. Nada se plantava, pois não compensava ocupar terras e braços de garimpo para plantações, uma vez que se podia ficar rico de um dia para o outro. Pensavam que, encontrando o ouro, tudo se comprava. Por isso os artigos de primeira necessidade custavam um preço altíssimo e eram pagos em ouro. Havia poucas mercadorias à venda e o comércio ainda não era regular. Não havia estradas, apenas estreitas trilhas por onde passavam cavalos e gente a pé.
Na Serra do Ouro Preto formaram-se os primeiros arraiais auríferos que, devido à intensa atividade mineradora, até hoje é toda perfurada por diversos túneis de minas. Ali se concentrava o grande filão do ouro pobre, assim chamado porque a terra desbarrancava fácil e, ao ser lavada, revelava um alto teor aurífero em forma de granitos com uma capa escura, semelhantes a grãos de café torrado, que tinham em seu interior ouro de fino quilate. É onde se encontram os primeiros núcleos de povoamento nesta região: Moro da Queimada, Morro de Santana, Morro de São Sebastião, Morro de São João, Morro da Piedade, Taquaral, Padre Faria, Bom Sucesso e Antônio Dias. A Serra do Ouro Preto enlouqueceu os homens!
Nos primeiros anos da exploração do ouro ninguém queria gastar tempo plantando, nem culturas mais fáceis como mandioca e milho. Depois de algum tempo, as barrigas estavam vazias e as minas cheias de ouro. Não havia comida e uma epidemia de bexiga* atacou os arraiais. Os animais de carga precisavam ser vigiados para não serem mortos e devorados pelos garimpeiros famintos. Um saco de comida era defendido a bala e faca. O ouro não podia comprar o que não existia.
Os mineradores, acompanhados de seus escravos, formavam um bando de famintos que começaram a abandonar o garimpo em direção a Ouro Branco e Itaverava. Muitos caíam pelo caminho por inanição ou eram assaltados sem reação, devido à fraqueza física. Ainda hoje existe nesta região um lugar chamado Campo das Caveiras, onde foram encontradas muitos ossos humanos atribuídos aos fugitivos da fome do início da mineração em Minas. Os que persistiram e sobreviveram em Ouro Preto eram abastecidos por mercadores vindos do Rio de Janeiro, com cargas de víveres vendidos a preços exorbitantes.
Aos poucos os moradores começaram a plantar os frutos da terra, de fácil colheita, como o inhame e a batata doce, além da mandioca e milho, criando também porcos e galinhas. Pelo caminho do norte começou a chegar o gado da Bahia através do rio São Francisco. Então as pessoas começaram a se fixar na terra. Os caminhos que ligavam os arraiais se tornaram ruas com belas casas, construídas com o conforto e luxo que o ouro encontrado permitia.
Hoje os primeiros núcleos de povoamento de Ouro Preto foram descaracterizados pelo crescimento desordenado e sem planejamento da cidade, mas mostram ainda os vestígios dos antigos arraiais nos muros de pedra canga, nas bases de algumas casas, nos restos de mundéus aqui e ali, nas muitas minas que surgem nos quintais das casas e seguem por caminhos tortuosos e desconhecidos, se estendendo subterraneamente por toda a Serra do Ouro Preto.

* A Varíola major, popularmente conhecida como Bexiga, caracteriza-se por quadros clínicos mais graves e alto índice de mortalidade. A Varíola minor, ou Alastrim, é mais branda e mata menos de 1% dos atingidos. A varíola é uma doença aguda, causada por um vírus – o Poxvirus variolae. Ocorre sob duas formas, com comportamentos epidemiológicos distintos e manifestações clínicas semelhantes.
A transmissão da varíola se dá pelo contato com pessoas doentes ou objetos que entraram em contato com a saliva ou secreções destes indivíduos. Penetrando no corpo, o vírus se espalha pela corrente sanguínea e se instala, principalmente, na pele. O período de incubação dura de 10 a 14 dias. As primeiras manifestações da doença são mal estar, febre, problemas gástricos e dores de cabeça e nas costas. Dois a três dias depois, começam as erupções na pele. Pequenas brotoejas evoluem para pústulas (bolhas purulentas). Muitas vezes estas lesões formam carreiras de pústulas se unindo ao longo do corpo, formando o que popularmente se chamava de “bexiga de canudo”, que dificilmente cessam sem deixar cicatrizes, e causam coceira intensa e dor. Há risco de cegueira pelo comprometimento da córnea, e morte por pneumonia ou doenças oportunistas, já que há comprometimento do sistema imunológico.

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Texto adaptado do livro “Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto”, de Angela Leite Xavier.
Págs. 31 a 33.
Edição do Autor; Ouro Preto (MG); 2009 (2ª edição).

Obs.: Esta postagem foi realizada mediante prévia autorização da autora.

Para mais "causos" e contos de Angela Xavier, acesse o blog dela:
Compartilhando Histórias
http://www.angelaleitexavier.blogspot.com.br 

Livro : Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

O livro reúne mais de 70 histórias, ambientadas do século XVIII até início do XX, coletadas junto a moradores ou em livros sobre a cidade. Olavo Romano, responsável pelo prefácio, afirma que "Ouro Preto era cheia de fantasmas, uma cidade mal iluminada, repleta de capelas e cemitérios, onde ninguém saia de casa depois das 21 horas. Trata-se de um livro que narra a História de Ouro Preto de uma forma agradável, à maneira dos contadores de histórias, e está entremeada de lendas e causos. Começa chamando a atenção do leitor para a necessidade de se preservar aquilo que faz parte da nossa memória e relata a descoberta do ouro, os conflitos que surgiram no início e as revoltas". 
A ênfase do livro é dada às histórias dentro da História, nas curiosidades que os livros de História não relatam, na sociedade que se formou ao redor das minas de ouro com suas crenças, seus valores e sua religiosidade. Relatos de grandes festas, de muitos casos assombrados e tesouros escondidos. A ilustração, com desenhos em bico de pena, é do artista plástico ouro-pretano José Efigênio Pinto Coelho.