sábado, 14 de dezembro de 2019

Revolta de Vila Rica


Julgamento de Filipe dos Santos
Autor: Antônio Parreiras (1923)

A rebelião de Vila Rica
(Conhecida como Revolta de Filipe dos Santos)
Autora: Angela Xavier

Para ter maior controle sobre as riquezas de Vila Rica, o governador resolveu mudar o centro da povoação da Serra do Ouro Preto para o bairro do Pilar. Com isso pretendia tirar a força dos chefes locais, que haviam se tornado muito poderosos após a Guerra dos Emboabas.
Por ser toda furada por minas com caminhos subterrâneos que só os moradores conheciam, a Serra do Ouro Preto se tornou uma região de difícil controle pelas tropas portuguesas.
A arrecadação do quinto do ouro sempre havia sido um problema. Havia o desvio feito através do contrabando ou da corrupção. Os moradores costumavam esconder o ouro em pó ou pequenas pepitas em variados locais. Emparedavam nas construções de pau-a-pique, debaixo do assoalho, dentro de imagens sacras, enterravam e tudo o que mais se pudesse imaginar. Além disso, mandavam fazer joias com o ouro descoberto e alegavam ser antigos patrimônios de família, evitando assim o pagamento da quinta parte devida à Coroa de Portugal. Difícil e desgastante controle, que afligia as autoridades coloniais.
Os conflitos eram constantes entre a população e as autoridades. A Coroa Portuguesa já havia tentado várias formas de cobrança: o quinto – 20% do ouro extraído – ou por capitação, que era uma taxa fixa cobrada por número de mineradores ou seus escravos. Tentou-se ainda cobrar trinta arrobas de ouro como quantia pré-estabelecida a ser paga anualmente pela capitania de Minas Gerais. O que faltasse seria cobrado em forma de Derrama, confiscando o que tivesse valor de qualquer habitante da capitania, começando pelos proprietários de lavras de mineração. Por mais que os portugueses criassem e adaptassem formas de cobranças, ficava claro que muito era sonegado e contrabandeado. Questão de difícil solução.
O excesso de rigor na cobrança dos impostos incitava a revolta entre os mineradores. Até imagens sacras particulares e de procissões eram usadas para esconder e transportar ouro. A situação era tão grave que a Coroa resolveu banir frades das regiões mineradoras e proibir a instalação de novas ordens religiosas. Posteriormente expulsou também os ourives, proibindo nas Gerais a arte de moldar o ouro e as joias. Estas medidas melhoraram o controle sobre a exploração dos metais preciosos, mas ainda longe do ideal. Os comerciantes que traziam mercadorias para os mineradores recebiam ouro em pó e pepitas como pagamento, portanto, sem impostos.
Em 1719, uma Carta Régia criou duas companhias de Dragões, com militares de cavalaria regidos por leis portuguesas, que deveriam proteger o governador, manter a ordem nas mais ricas regiões de mineração e escoltar os comboios do governo que levavam ouro e diamantes para o Rio de Janeiro, para enriquecer a Coroa Portuguesa.
Esse fato afetou a ordem social então estabelecida. Os poderosos da Serra de Ouro Preto tinham seus ordenanças armados desde a Guerra dos Emboabas, mantendo pequenas milícias particulares, além de muitos escravos a seu serviço, que serviam como força de intimidação. Junto com a instituição dos Dragões, foi decretado o desarmamento da população e a ilegalidade das milícias, abalando o poder dos chefes locais, entre eles Paschoal da Silva Guimarães, grande figura local com papel de destaque na Guerra dos Emboabas ao lado de Manuel Nunes Viana. Paschoal recebeu a patente de mestre de campo durante este conflito. Quando os franceses invadiram o Rio de Janeiro para criar a França Antartica, o governador Antônio de Albuquerque saiu das Minas Gerais com expedição para ajudar na expulsão dos invasores, deixando Paschoal em seu lugar para governar interinamente, que na ocasião cedeu trinta de seus escravos, armados, para serem incorporados às forças governamentais. Gente acostumada ao poder não abre mão dele facilmente, e os ricos mineradores e comerciantes engoliram com rancor o aumento da autoridade portuguesa, atentos a uma possibilidade de mudança.
♦
Apesar de melhorar o controle da sociedade mineradora, faltava à Coroa um sistema eficiente para arrecadar as riquezas extraídas das Minas Gerais. A solução planejada foi a criação de quatro Casas de Fundição: em Vila Rica, Sabará, São João del Rei e Serro Frio.
As autoridades portuguesas acreditavam que, vivendo os povos sossegados sob a estreita vigilância, a mineração e os lucros da Coroa aumentariam. Nada era feito para a melhoria da vida da grande massa de escravos, negros e índios livres, mestiços e brancos pobres que aumentava continuamente, constituindo uma fonte de tensão e perigo.
O governador da então capitania de São Paulo e Minas do Ouro, Conde de Assumar, que nutria grande animosidade pelo povo das Minas, assim escreveu sobre eles:
“Os dias nunca amanhecem serenos; o ar é um nublado perpétuo; tudo é frio menos o vício, que está ardendo sempre [...] a terra parece que evapora tumultos; a água exala motins; o ouro toca desaforos; desfilam liberdades os ares; vomitam insolências as nuvens; influem desordens os astros; o clima é tumba da paz e berço da rebelião; a natureza anda inquieta consigo e, amotinada, lá dentro, é como no inferno”.
A mestiçagem era considerada a principal responsável pelos defeitos da população. Havia um grande desprezo por tudo que vinha dos africanos e índios, considerados incapazes de serem “civilizados” e de se tornarem cidadãos honrados.
A implantação das Casas de Fundição parecia ser a solução ideal para trazer ordem às Gerais. A população deveria levar a estes locais todo o ouro encontrado para, depois de tirada a quinta parte devida ao rei, ser fundido em barras com o selo oficial da Coroa, tornando-o legalizado para circular livremente. Ouro em pó e pepitas era considerado contrabando, sujeitos à prisão e confisco do material.
Os mineradores alegavam que parte do ouro era usurpado na pesagem da fundição e que era difícil e arriscado caminhar as distâncias até as Casas de Fundição. Além disso, a administração do Conde de Assumar era corrupta, permitindo explorações e abusos por parte dos cobradores de impostos, num clima de subornos e injustiças.
Outro fator que agravava ainda mais a situação era o aumento da importância dos paulistas após a Guerra dos Emboabas. Como a capital da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro era em São Paulo, os paulistas ganhavam os cargos mais altos da administração das regiões mineradoras, que gerava progressiva hostilidade entre os mineradores e os administradores. Os paulistas se tornaram os denunciantes dos revolucionários armados. Havia muitos chefes locais com poder respaldado pelo povo.
♦
Vinte cinco dias antes de entrar em vigor a nova lei das Casas de Fundição, o povo de Vila Rica iniciou uma revolta, liderado por Paschoal da Silva Guimarães, Felipe dos Santos e outros. Já era noite quando uma multidão, armada e mascarada, desceu o Morro do Ouro Podre disposta a tudo, trazendo tochas e gritando: – Viva o povo ou morra!
Chegando ao Morro de Santa Quitéria, hoje Praça Tiradentes, os revoltosos se dirigiram para a casa do ouvidor Martinho Vieira, odiado pelo povo. Foi uma estratégia para conseguir a simpatia da população para o movimento. A ação foi bem organizada e contava com a participação de pessoas de posses, frades, doutores e figuras de destaque social em Vila Rica.
O ouvidor fugiu, deixando sua esposa e casa à mercê dos revoltosos. A casa, eles depredaram. Com a mulher não se sabe o que aconteceu. Depois deste ato, estabeleceram o comando revolucionário no alto do Morro de Santa Quitéria, onde acenderam fogueiras e elaboraram uma lista de reivindicações que levariam ao governador, em Mariana. Prepararam a marcha até a vila vizinha, onde se hospedava o Conde de Assumar quando estava nas Gerais.
A caminhada se fez à noite, em número aproximado de duas mil pessoas, decididas a conseguir um acordo ou morrer tentando. A guarda do governador, em Mariana, não foi suficiente para conter os revoltosos e, após breve combate, bateu em retirada. Foi assustador para o conde ver aquela multidão armada, com tochas e máscaras, cercando sua casa. Uma comissão apresentou a ele a lista com as exigências.
O governador, pego de surpresa, estava apavorado com a dimensão do movimento. Concordou com tudo para ganhar tempo, já pensando em não cumprir suas promessas. Os revoltosos acreditaram em sua palavra e retornaram para Vila Rica, dispersando-se em seguida, sentindo-se satisfeitos por conseguirem o que desejavam. Podiam ter aprisionado o conde e mandado-o para o Rio de Janeiro, elegendo um substituto para seu lugar, como fizeram nas Guerra dos Emboabas. Mas agora não tinham um líder com a experiência de Manuel Nunes Viana. Acreditaram no governador. Numa guerra não se pode dar passo em falso e ser generoso com o adversário, pois o preço a ser pago pode ser alto.
Foi o que aconteceu. O conde, refeito do susto, reuniu suas tropas, reforçando-as com escravos e mamelucos armados, e invadiu Vila Rica, rumando diretamente para as casas dos líderes da rebelião e prendendo-os. Felipe dos Santos conseguiu fugir e foi para o povoado de Cachoeira do Campo organizar uma reação popular, mas ali foi preso enquanto falava ao povo. Levado à Vila Rica, foi sumariamente julgado e condenado. Alguns dizem que sofreu a morte prevista aos altos traidores da Coroa Portuguesa: enforcamento seguido de esquartejamento dos membros e cabeça para serem espalhados pela povoação, para servir de exemplo aos que desafiavam a autoridade portuguesa. Outros afirmam que, por ter sido Felipe dos Santos o orador mais exaltado em Vila Rica, no início da revolta, e inflamado os ânimos dos manifestantes em Mariana, foi alvo de morte mais dolorosa e cruel, seguindo o modelo medieval: amarraram cada braço e perna a um cavalo diferente, num total de quatro, e depois açoitaram os animais até que arrancassem os membros do condenado, ainda vivo; depois amarraram noutro cavalo uma corda no pescoço e arrastaram cabeça e o tronco pelas ruas de Vila Rica, com destaque no Morro do Ouro Podre, local onde Felipe dos Santos vivia.  
Presos os ricos e influentes líderes revoltosos de Vila Rica, estes foram levados para a vila de Ribeirão do Carmo – atual Mariana – onde a guarda do governador era mais numerosa. Boatos surgiram de que mascarados e escravos armados pretendiam atacar Ribeirão do Carmo para soltar os prisioneiros. O alferes Manuel de Barros foi encarregado de acabar com o motim. Para minar o moral dos revoltosos de Vila Rica, o governador ordenou atear fogo a todo o arraial do Ouro Podre, onde ficavam as casas de Paschoal da Silva Guimarães, Felipe dos Santos e a maioria dos líderes rebelados.
Em uma noite o fogo destruiu o que levou vinte anos para ser construído. Toda a gente que ali morava viu tudo virar cinzas e escombros. Foi um incêndio infernal! O alferes Manuel de Barros, na pressa de espalhar o fogo, quase morreu sufocado pela fumaça no meio do labirinto de chamas que ele e seus comandados criaram. Sobraram apenas as pedras escurecidas pelo fogo e fumaça das construções mais imponentes. O antigo e poderoso Arraial do Ouro Podre estava destruído. Foi abandonado, associado à humilhação e tristeza, e até hoje assim continua, passando a ser chamado de Morro da Queimada.
O governador mudou-se para Vila Rica, preocupado com a intensidade dos acontecimentos e a grave possibilidade da perda de controle de uma região tão rica. O povo lhe era hostil e, desejando ganhar simpatia, o governador resolveu perdoar os presos da revolta de Vila Rica, com o respaldo do rei de Portugal. Para evitar novo levante, baixou decreto permitindo que a população poderia atirar para matar em qualquer mascarado que fosse encontrado no Morro do Paschoal ou em Vila Rica. Nunca ninguém atirou num mascarado, numa demonstração de apoio dos revoltosos.
O Conde de Assumar, na condição de governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, deveria se limitar a cumprir as ordens vindas do rei de Portugal. Ele não tinha autoridade para condenar ninguém à morte, com fez com Felipe dos Santos. O conde descreveu a situação de forma exagerada, dando a Felipe dos Santos uma autoridade maior do que ele tinha na verdade. Precisava se justificar perante o rei pelo que havia feito. Dizia que as minas mais pareciam “cavernas de feras que domicílios de homens”.
Mas, diante da gravidade dos fatos e do repúdio popular, o conde foi afastado do cargo de governador. Para se ter maior controle da situação nas ricas regiões de mineração, separou-se a capitania de Minas da de São Paulo. Agora haveria um governador cuidando somente dos mineiros, separando definitivamente os paulistas dos emboabas. O primeiro governador da Capitania de Minas Gerais foi D. Lourenço de Almeida, que tomou posse festiva em Ouro Preto, elevada a capital da nova capitania, em 1721, na matriz de Nossa Senhora do Pilar.
As Casas de Fundição só foram implantadas cinco anos depois, quando os ânimos já haviam se acalmado, e se anunciavam novos tempos de riqueza e esplendor.
O Morro do Paschoal é hoje o Morro da Queimada, um conjunto de ruínas de pedras, resto do que foi o grande e rico arraial do Paschoal. Sua casa, que era toda de pedra e ficava entre as capelas de Santana e a de a de São João, foi reduzida a ruínas. Elas existiram até mais ou menos 1940, quando foram arrasadas por pessoas ambiciosas à procura de tesouros escondidos.

Fonte de referência:
Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais (Auguste de Saint-Hilaire)

◄ ♦ ►

Texto adaptado do livro “Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto”, de Angela Leite Xavier.
Págs. 98 a 105.
Edição do Autor; Ouro Preto (MG); 2009 (2ª edição).

Obs.: Esta postagem foi realizada mediante prévia autorização da autora.

Para mais "causos" e contos de Angela Xavier, acesse o blog dela:
Compartilhando Histórias
http://www.angelaleitexavier.blogspot.com.br 

Livro : Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

O livro reúne mais de 70 histórias, ambientadas do século XVIII até início do XX, coletadas junto a moradores ou em livros sobre a cidade. Olavo Romano, responsável pelo prefácio, afirma que "Ouro Preto era cheia de fantasmas, uma cidade mal iluminada, repleta de capelas e cemitérios, onde ninguém saia de casa depois das 21 horas. Trata-se de um livro que narra a História de Ouro Preto de uma forma agradável, à maneira dos contadores de histórias, e está entremeada de lendas e causos. Começa chamando a atenção do leitor para a necessidade de se preservar aquilo que faz parte da nossa memória e relata a descoberta do ouro, os conflitos que surgiram no início e as revoltas". 
A ênfase do livro é dada às histórias dentro da História, nas curiosidades que os livros de História não relatam, na sociedade que se formou ao redor das minas de ouro com suas crenças, seus valores e sua religiosidade. Relatos de grandes festas, de muitos casos assombrados e tesouros escondidos. A ilustração, com desenhos em bico de pena, é do artista plástico ouro-pretano José Efigênio Pinto Coelho.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Negritude

20 de novembro - Dia da Consciência Negra


Por um mundo menos superficial e mais essencial !
(onde a cor da pele não seja motivo para dificultar ou facilitar a vida)

Integridade

O Dia da Consciência Negra começou a ser celebrado no Brasil em 2003, inicialmente como comemorações no calendário escolar, até ser oficialmente instituído em âmbito nacional mediante a Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A ocasião é dedicada à reflexão sobre a importância e as dificuldades da inserção dos negros na sociedade brasileira. A data foi escolhida para coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.



Negritude:
substantivo feminino
1. qualidade ou condição de negro.
2. orgulho racial e conscientização do valor e da riqueza cultural dos negros.

Fonte:
Dicionário Online de Português

Consciência

O objetivo da celebração é promover informações e reflexões sobre a inserção dos negros na sociedade brasileira, como modo de reduzir a discriminação e o racismo.
A necessidade de programações pedagógicas sobre o assunto e de ações para aumento da valorização e autoestima da população negra em nosso país, por si, já é uma inegável prova da deficiência de formação cidadã no Brasil. Em minha opinião é a mesma coisa de se instituir uma semana ou um dia para celebrar o "Dia da Honestidade" para reforçar a ideia de que não é certo sair por aí enganando e assaltando os outros ou o "Dia da Integridade Física" de modo a lembrar como é errado estuprar as pessoas. Tais conceitos já deveriam ser instituídos pelas famílias e sistema educacional como lugar comum, algo tão básico que seria desnecessário gastar tempo discutindo sobre o óbvio. Na mesma linha de raciocínio, é lamentável e mostra nosso atraso e subdesenvolvimento como nação ser necessário existir legislação sobre o Crime de Racismo para penalizar e desestimular atitudes que deveriam ter tal coerção pelo senso comum e pela simples tradição oral, transmitida através das gerações.  
Também revelador do grau de baixa civilidade e cultura de parte dos brasileiros é o fato do Dia da Consciência Negra ser considerado uma conquista, com necessidade de ser defendida e justificada, devido à ignorância ou conivência de parte da população com desnecessários constrangimentos e dificuldades que alguns têm que enfrentar.

20 de novembro - Dia Nacional da Consciência Negra

Deixo claro que não sou ativista por direitos humanos, militante de causas sociais ou coisa parecida. Não considero necessário engajamento comunitário para respeitar o outro! Simplesmente sou uma pessoa que acredita que devemos nos aproximar ou afastar, tratar bem ou mal alguém por suas atitudes, não pela cor da pele. Ter o revestimento do corpo por um tecido de cor branca, preta, amarela, verde, azul ou outra cor qualquer não justifica destratos, sendo sinal de deficiência por parte do discriminador, não do discriminado.
Particularmente não sou a favor de cotas para negros em instituições públicas, acreditando ser mais coerente e justo reservar cotas para pobres – independentemente de cor ou etnia. O fato da maior parte da população pobre no Brasil ser composta atualmente por negros, já beneficiaria mais aos negros sem discriminar brancos, índios ou imigrantes. Penso que cotas para negros é uma incoerente política de compensação através de discriminação!
Opiniões à parte, fato é que desejo que num futuro próximo o Dia da Consciência Negra se torne desnecessário. Como disse a escritora e psicoterapeuta paulista Lou de Olivier: "No dia em que invés de se preocuparem com a consciência negra, branca ou amarela, buscarem a consciência humana, não haverá necessidade de comemorar o Dia da Consciência Negra", referindo-se ao fato de termos que nos aceitar como não havendo superioridade biológica de uns sobre outros.

Consciência todos os dias

sábado, 9 de novembro de 2019

Woodstock

Festival Woodstock de 1969

Festival de Woodstock em 1969 
( foto feita a partir de um dos helicópteros de apoio )

Em 2019 o Festival de Woodstock completou meio século! Houve a tentativa, por parte de Michael Lang (um dos organizadores do festival original), em realizar um festival comemorativo pela ocasião mas, apesar de seus esforços, foi cancelado após uma série de problemas de licença, mudança de local e desistências de investidores e artistas.
Esta publicação é uma celebração deste blog por Woodstock, que não foi o primeiro nem o maior festival de música popular, mas tornou-se um marco histórico devido a uma conjuntura singular de fatores: o esforço dos produtores para administrar o público e artistas apesar multidão, a empatia do dono do local e parte da população e autoridades da vizinhança e o espírito de cooperação dos espectadores.


O Festival de Woodstock (cujo nome oficial era Feira de Artes e Música de Woodstock) foi realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, na fazenda de gado leiteiro de 600 acres de propriedade de Max Yasgur, próximo à região de White Lake, na cidade de Bethel, no estado de Nova York, nos Estados Unidos. O local se localizava 70 quilômetros a sudoeste da pequena cidade de Woodstock, que originalmente sediaria o festival, mas depois foi transferido para a cidade de Wallkill, onde próximo à data do evento os moradores locais não aceitaram o evento temendo desordem, o que levou o espetáculo para a pequena Bethel. 
Apesar das mudanças de local, o festival manteve o nome da primeira localidade, por questões de praticidade na propaganda.

32 bandas apresentaram-se durante um fim de semana por vezes chuvoso, para até 400 mil espectadores. Apesar de tentativas posteriores de repetir o festival, o evento provou ser único e lendário, reconhecido como um dos maiores momentos na história da música popular.

Festival de Woodstock (1969)
Quando a cooperação superou a deficiência de estrutura.

O Festival de Woodstock foi fruto dos esforços de Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. Os quatro reuniram-se para discutir a criação de um evento que financiasse a construção de um estúdio de gravação de música na pequena cidade de Woodstock. A ideia evoluiu para uma feira de artes e música ao ar livre.

Mesmo considerado um investimento arriscado, o projeto foi montado tendo em vista o retorno financeiro. Os ingressos passaram a ser vendidos em lojas de disco na área metropolitana de Nova York, ou via correio através de uma caixa postal. Custavam 18 dólares antecipadamente ou 24 dólares se adquiridos no dia. 
Inicialmente, os organizadores esperavam vender em torno de 50 mil ingressos. Aproximadamente 186 mil ingressos foram vendidos antecipadamente, e a organização se preparou para um público estimado em 200 mil pessoas. No entanto, 400 mil pessoas compareceram, congestionando todas as estradas de acesso, derrubando cercas e tornando o festival um evento gratuito, com pessoas acampando de formas improvisadas em uma área de aproximadamente 5 quilômetros em torno do palco dos shows.
Esta inesperada quantidade de pessoas provocou congestionamentos imensos, bloqueando a Via Expressa do Estado de Nova York e as estradas de terra da região, eventualmente transformando Bethel em uma "área de calamidade pública". Quando as pessoas percebiam que o tráfego não fluiria, encostavam seu veículo ao lado da estrada e seguiam à pé. Em pouco tempo nenhum veículo conseguia entrar ou sair da fazenda onde os shows seriam realizados. A infraestrutura do festival não foi equipada para providenciar alimentação, estadia, saneamento ou primeiros-socorros para tal multidão. Por causa disso, faltou comida, água, banheiros e o público tomou iniciativas coletivas para racionamento e distribuição de comida, água e organização de um sistema que permitisse a continuidade dos shows.

Ingressos do Festival de Woodstock (1969)
Acima os vendidos antecipadamente.
Abaixo os vendidos na bilheteria da entrada do festival.

Os valores de contracultura e da década de 1960, com ênfase na não-violência e negação da produção capitalista, propagaram a cultura hippie através de cenas de nudez descompromissada, bem como o uso de drogas alucinógenas.
Basicamente, o festival foi um misto de música, drogas, sexo e lama (devido às constantes chuvas), com uma sensação de estar vivenciando uma comunidade libertária.
Havia uma mistura de tendências alternativas no público que incluíam hippies, motoqueiros, hare krishnas e jovens que não se incluíam em nenhum rótulo comportamental mas desejavam uma sociedade menos moralista e materialista.

O folk e o rock psicodélico foram os ritmos símbolos do festival. As letras das músicas ressaltavam lemas pacifistas e havia protestos contra a Guerra do Vietnã (na época, o conflito já se arrastava há 10 anos). A  liberdade de expressão se tornou uma forte bandeira do Woodstock. A música se firmou como um instrumento de contestação política.

Woodstock não foi o primeiro nem o maior festival de música popular! 
O Festival Internacional de Música Pop de Monterey (Califónia - EUA) aconteceu entre 16 a 18 de junho de 1967. Jimi Hendrix, The Who, Janis Joplin, Otis Redding e outros artistas se apresentaram de graça, com toda a renda sendo doada à instituições de caridade. Mais de 200 mil pessoas compareceram ao festival, que é considerado como o começo do "Verão do Amor" dos hippies.
O Festival da Ilha de Wight (Inglaterra), em sua edição de 26 a 30 de agosto de 1970, reuniu um público de aproximadamente 600 mil pessoas. Bandas como Procol Harum, The Doors e The Who, Jimi Hendrix, entre outras, se apresentaram para um então recorde de maior público na história dos festivais de música.
O que tornou Woodstock um marco histórico e símbolo de uma época foi a espontaneidade e sucesso da prática do estilo alternativo de vida caracterizado pela cultura hippie do "paz e amor", num evento que tinha grande probabilidade de ser um fracasso tumultuado, mas que pela união do compromisso dos organizadores, da colaboração dos espectadores e habitantes das localidades vizinhas, provou-se uma experiência de coletividade de diferentes vertentes sociais: empresários, músicos, autoridades e população em geral.
Viva a sociedade alternativa – nem que seja por um final de semana!

Cartaz da Feira de Artes e Música de Woodstock (1969)
anunciando "Uma Exposição Aquariana - 3 dias de paz e música"

Na medida em que percebiam que não chegariam com automóveis no local dos shows
os espectadores deixavam seus veículos na estrada e seguiam a pé
congestionando todas as vias terrestres de acesso para o Festival de Woodstock
Imagem: https://www.buzzfuse.net/244-1/rare-historical-photos-from-the-1969-woodstock-music-festival 

O indiano Sri Satchidananda, então conhecido como Guru Dev – mestre espiritual e de yoga – proferindo o discurso de abertura do Festival Woodstock em 1969


Se não pode vencer a chuva junte-se a ela

O público fazia sua música nos intervalos e durante os shows das bandas no palco

Ânimo e cooperação garantiram a diversão
( a água que faltava para beber sobrava no chover )

Os que chegaram primeiro ao local do festival acamparam na área destinada para isso
mas na medida em que a multidão aumentava foram ocupando locais cada vez mais distantes,
inclusive este pequeno cemitério.
Imagem: http://tribupedia.com/1969-woodstock-photos-color 

Curiosidades sobre o Festival Woodstock de 1969:

• A motivação para a criação do festival foi a intenção de arrecadar dinheiro para montar um estúdio de música na pequena cidade Woodstock. Tudo se iniciou quando os jovens John Roberts e Joel Rosenman decidiram que deveriam aplicar o capital que  tinham num evento para arrecadar mais dinheiro e possibilitar a construção deste estúdio. Os dois colocaram no jornal da cidade o anúncio "jovens com capital ilimitado procuram por oportunidades legítimas e interessantes de investimento para negócios". 
Por conta desse anúncio, Artie Kornfeld e Michael Lang contataram os anunciantes. Os quatro se uniram para organizar o festival, que de uma proposta inicial modesta, evoluiu para um evento de música, arte e espiritualidade.

• Com o imenso público inesperado, os ingressos à venda acabaram na bilheteria local. Pessoas começaram então a pular as cercas temporárias para assistir aos shows, Com o descontrole na entrada do evento e as cercas ameaçando desabar devido ao crescente número de penetras, a entrada passou a ser gratuita. 
Por causa disso, o Woodstock passou de um investimento para uma grande dívida. Seus organizadores terminaram devendo mais de 1 milhão de dólares, valor que só foi quitado por inteiro 10 anos depois.
Esta dívida foi criada devido à necessidade de contratar helicópteros para trazer e retornar com as bandas e a compra de gêneros que se tornaram necessários (como medicamentos, água potável, comida, material de higiene e limpeza). Também tiveram que contratar mais pessoal para a equipe de saúde, a equipe de segurança e uma equipe que tentava auxiliar o público em suas necessidades básicas. 

• A produtora e distribuidora de filmes norte-americana Warner Bros, até então uma pequena empresa, se consagrou após o sucesso do festival. Tudo se iniciou quando Kornfeld pediu dinheiro a um dos executivo da empresa, Fred Weintraub. A Warner apostou no sucesso do festival e investiu mais de 100 mil dólares na produção de um longa metragem documentário. O filme não só foi um sucesso estrondoso de bilheteria nos cinemas como também levou o Oscar em sua categoria no ano seguinte. 
Graças a esse filme a dívida dos produtores foi reduzida para menos da metade. 

• Com relação à comida, os moradores das cidades vizinhas começaram a doar frutas, sanduíches e suprimentos em geral para o público. Os alimentos chegavam ao local através de uma corrente de espectadores voluntários ou por meio dos helicópteros, uma vez que as estradas de acesso estavam completamente congestionadas por carros.
A granola ganhou destaque nos cardápios após o festival, pois era o único tipo de alimento que os fazendeiros locais tinham estocado em quantidade para oferecer ao público.

• Embora o festival tenha sido reconhecidamente pacífico, houve três fatalidades registradas: uma por conta de um ataque de apendicite, uma por overdose de heroína, e a outra por atropelamento do trator que realizava a limpeza matinal do local para os shows, tendo o condutor não conseguido avistar um jovem que dormia enrolado num cobertor coberto de lama (sendo que o campo estava enlameado após chuva). Houve também dois partos registrados (um dentro de um carro preso no congestionamento e outro em um helicóptero) e quatro abortos.
Inicialmente haviam 18 médicos e 36 enfermeiras na equipe contratada para o festival. Durante os demais dias do evento, no entanto, foram contratados mais 50 profissionais da área de saúde para ajudar a cuidar do público.

Max Yasgur e sua esposa, Miriam Yasgur
Proprietários da fazenda onde aconteceu Woodstock

Max Yasgur, então com 49 anos, era um dos maiores proprietários de terra e o maior produtor de laticínios da região, com 650 vacas cujo leite era pasteurizado na própria fazenda. Quando o produtor Michael Lang viu um pasto na fazenda de Max que era plano, mas terminava numa depressão, formando um anfiteatro natural, percebeu ter encontrado o local ideal.
Max foi procurado por Michael Lang, que lhe ofereceu cerca de US$ 50 mil para usar o terreno. Inicialmente indeciso sobre aceitar a oferta, a decisão do fazendeiro de sediar o festival só se reforçou ao ver um movimento de boicote a seus produtos se formando entre os habitantes de Bethel. "Não compre o leite de Yasgur, ele é amigo dos hippies", diziam cartazes espalhados pela cidade. Apesar de Max Yasgur ser um conservador favorável à guerra do Vietnã, valorizava a liberdade de expressão "ainda que esta liberdade viesse de pessoas cujos estilos de vida e crenças fossem muito diferentes das suas". Max não era homem de se deixar intimidar, tornando um desafio pessoal não se deixar acuar pela pressão dos vizinhos. Aceitou então sediar o Festival de Woodstock em sua fazenda.
Pouco depois da notícia se espalhar entre os moradores de Bethel, ele começou a receber ameaças telefônicas anônimas, inclusive de queimá-lo vivo, enquanto outros lhe prestavam apoio na expectativa de um crescimento na estagnada economia da pequena cidade.

Max Yasgur resolveu "apadrinhar" os jovens produtores do festival e fez um acordo com alguns produtores locais de fornecer comida a preço de custo. Quando ouviu que moradores estavam vendendo água aos jovens que começavam a chegar para os concertos, ele colocou uma grande faixa vermelha diante da cancela de sua fazenda com os dizeres "Água grátis" e numa reunião com alguns moradores perguntou "como é que alguém pode pedir dinheiro por água?". Reuniu todas as garrafas de leite vazias de sua fazenda, as encheu de água e distribuiu aos jovens. Resolveu então distribuir gratuitamente todo o leite e seus derivados que tivessem estocados na fazenda.

Depois do encerramento do Festival de Woodstock, muitos dos vizinhos e amigos de Max viraram-lhe as costas e ele deixou de ser bem-vindo ao supermercado de Bethel e em outros estabelecimentos comerciais, mas não arrependeu-se de sua decisão. 
Em janeiro de 1970 foi processado por moradores pelos danos causados às suas propriedades durante o festival, com a baixa na produção leiteira (pelo estresse do gado e impossibilidade de escoamento da produção nas estradas interditadas) e invasão de propriedades vizinhas para acampamento.
Em 1971, Max vendeu sua fazenda de 600 acres e mudou-se para Maratona (Flórida, EUA) onde morreu de ataque cardíaco em 9 de fevereiro de 1973, aos 53 anos. A revista Rolling Stone dedicou-lhe um obituário de página inteira, um dos poucos não-músicos a receber tal homenagem de seus editores.

Amor entre a música e lama de Woodstock
 Nick Ercoline e Bobbi Kelly em 2019

Ela é Bobbi Kelly. Ele é Nick Ercoline. Ambos foram fotografados então com 20 anos. Eles se conheciam há apenas três meses na época, se casaram em 1971 e ainda estão vivos e juntos hoje, em 2019, 50 anos depois. Bobbi dá uma dica para os casais permanecerem juntos por tanto tempo: "Não fique zangado. As pessoas não crescem ao mesmo tempo e na mesma medida. É preciso muita paciência para que as coisas tenham sintonia".
O jovem casal envolvido num edredom velho e sujo em volta de hippies que dormiam no chão de uma fazenda em Bethel, foi fotografado no domingo, 18 de agosto de 1969, por Burk Uzzle da revista "Life". Ele capturou o momento sem que Nick ou Bobbi percebessem que estavam sendo flagrados e eternizados na história da música e da fotografia. O casal só descobriu a imagem quando o disco de vinil da trilha do festival foi lançado, em 1970.
Hoje o casal (ambos nascidos na região da fazenda onde foi o Festival de Woodstock) vive como aposentados e avós tradicionais em Pine Bush, no interior do estado de Nova York. O local fica a 64 km do local onde a foto foi tirada. 
Sobre Woodstock, eles afirmam que foi difícil chegar até lá por conta do caos nas estradas. Um amigo pegou emprestado o carro da mãe dele e foram. No caminho, encontraram muitos policiais na estrada e também alguns bloqueios. Mas, como eram locais, fizeram um percurso alternativo, seguindo o rio Delaware, atravessando propriedades privadas e rotas desconhecidas até chegar ao ponto mais próximo que conseguiram do festival, a 8 quilômetros da fazenda em Bethel. Daí foram caminhando e nesse trajeto o casal encontrou caído ao lado da estrada o edredom da foto. 
Nick afirma: "Fomos totalmente despreparados. Sequer tínhamos ingresso ou comida. Decidimos ir de última hora e não sabíamos o que esperar. Havia milhares de pessoas indo para o mesmo lugar, levando sacos de dormir e instrumentos musicais. Chegando lá, sequer conseguíamos ver o palco, mas o som era incrível!". 
Bobbi afirma que "a música nem foi o principal evento do Woodstock! Lembro-me mais das pessoas, da humanidade e da comoção em torno do festival. Aquilo foi incrível e muito empolgante. Nunca vivemos algo como Woodstock! Não levamos comida, mas não passamos fome. Muitas pessoas doavam alimentos. Lembro de gente passando bananas ou pedaços de pão. Todos compartilhavam o que tinham".
Um colecionador apaixonado pela história dos dois ofereceu US$ 30 mil no edredom usado por eles em Woodstock, mas ele já não existe mais. "Ficaríamos felizes em doá-lo. Mas agora já foi", finalizou Nick.

Woodstock '94
Para comemorar os 25 anos do Festival de  Woodstock de 1969, 250 mil pessoas se reuniram em 13 e 14 de agosto de 1994 no Woodstock '94, em Saugerties, a 135 km de Nova York. 
Pagaram 135 dólares para ouvir 40 bandas, entre eles o Nine Inch Nails, Aerosmith, Metallica, Green Day, Red Hot Chili Peppers e músicos como Peter Gabriel, Carlos Santana e Joe Cocker. 

Woodstock '99
Outra edição ocorreu entre 22 a 25 de julho de 1999. Como nos festivais anteriores de Woodstock, foi realizada no norte de Nova York , desta vez em Roma – a cerca de 160 km do local do evento original – na antiga Base da Força Aérea Griffiss, com a participação de aproximadamente 400 mil pessoas em quatro dias.
Pagaram 150 dólares para ouvir 108 bandas que se revezaram em três palcos, entre elas Limp Bizkit, Megadeth, Red Hot Chili Peppers, KoRn, The Offspring, Rage Against The Machine, Metallica, Elvis Costello, Willie Nelson e The Brian Setzer Orchestra.
Woodstock 1999 foi marcado por violência, agressão sexual, alegações de estupro, saques e incêndios. Alegam que os fãs de bandas como Limp Bizkit, Insane Clown Posse e Kid Rock foram responsáveis pelos tumultos. Produtos caros vendidos na área do evento, o extremo calor do verão e a deficiência na infra-estrutura de conforto são responsabilizados pela onda de descontentamento e violência que marcou negativamente o nome Woodstock à cultura de paz, amor e não comercialismo.

Woodstock 50 
Em 9 de janeiro de 2019, Michael Lang (um dos organizadores do festival original) anunciou que a comemoração dos cinquenta anos do festival seria entre 16 e 18 de agosto de 2019, em Watkins Glen, Nova Iorque.
Mais de 80 artistas chegaram a ser contratados, entre os quais estariam Santana, Robert Plant, David Crosby, Greta Van Fleet, The Killers, entre outros.
Entretanto, o Woodstock 50 foi cancelado em 31 de julho de 2019, após uma série de problemas de licença e produção, mudança de local e desistências de investidores e artistas.

Fontes de referência:

Wikipédia
Festival de Woodstock
https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_de_Woodstock 

O Globo
Woodstock, 50 anos: o que foi, quando e onde ocorreu
https://oglobo.globo.com/cultura/woodstock-50-anos-que-foi-quando-onde-ocorreu-23876765 

Segredos do Mundo
Woodstock - curiosidades e fotos que resumem a loucura que foi o festival
https://segredosdomundo.r7.com/woodstock 

Tribupedia
Fotos de Woodstock 1969

Ninja Journalist
Fotos tiradas em Woodstock 1969

BuzzFuse
Fotos do Festival de Música de Woodstock de 1969

Reverb
Casal símbolo de Woodstock segue juntinho, 50 anos depois

Vídeos:

Woodstock 1969 - 50º Aniversário (Parte 1)
( 46:09 )

Woodstock 1969 - 50º Aniversário (Parte 2)