sábado, 6 de outubro de 2012

Nossas praças

Vamos valorizar e preservar nossas praças!

Abraço simbólico na Praça Jarbas de Lery (29 Set 2012) - Juiz de Fora (MG)
Imagem: tribunademinas.com.br

No fim do século XIX e início do século XX, com a crescente industrialização da sociedade, grande parte da população rural migrou para as cidades em busca de trabalho. As praças de então serviram como um modo de trazer a natureza para dentro da cidade, permitindo aos vindos do meio rural não perderem completamente o vínculo com suas origens.
Praças e pequenos parques urbanos tinham a finalidade de mostrar, dentro do raciocínio da época que acreditava que as ciências tudo modificaria e melhoraria, que o homem havia dominado a natureza, modelando-a conforme sua vontade. Praças geometricamente planejadas, com árvores e arbustos cuidadosamente podados, grama e flores sempre cuidadas, mostravam a vitória do racional sobre o natural.
As praças tinham também chafarizes e fontes, alguns iluminados e com mecanismos que criavam diferentes formas para a distância, altura ou o momento em que a água surgia.
Complementando a função social das praças de então, era comum a construção de coretos, onde se reuniam diferentes bandas de música aos domingos, feriados ou dias comemorativos. Estes mesmos coretos eram tradicionais pontos de manifestações políticas ou reuniões para comícios em épocas de eleição.

Praça Bernardino de Campos (1917) - Itapira (SP)
Imagem: tempossaudososplinio.blogspot.com

Praça da Matriz (Década de 1950) - Santa Rita do Sapucaí (MG)
Imagem: emporiodenoticias.com

É possível se ter uma ideia da importância e dinâmica das praças nesta época pelas belas narrativas nos links abaixo:

Itapira - Tempos Saudosos

Empório de Notícias
Retratos da minha cidade (Por Carlos José Kallás)
http://www.emporiodenoticias.com/2012/03/retratos-da-minha-cidade-por-carlos.html

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Na cidade onde moro (Juiz de Fora), no período de aproximadamente dois anos, por duas vezes a administração pública cogitou a possibilidade de se cortar duas diferentes praças com ruas para "desafogar o trânsito" de veículos. Até o momento a opinião pública conseguiu evitar esta ação. Não sei por quanto tempo. A notícia mais recente foi publicada em um jornal local e está disponível no primeiro link nas referências abaixo. 
Uma praça perdida dificilmente será recuperada ou compensada com outro espaço para convivência entre pessoas. 
Se nas antigas cidades existia a preocupação em construir praças (muitas vezes até grandes em proporção à área urbanizada de então), me parece que na maioria das atuais cidades o poder público não se preocupa em criar grandes praças, além de demonstrar a tendência em acabar com as existentes. Outra tendência é a de nomear como "praça" algum pequeno canteiro para manobra de veículos, onde mal cabem dois bancos e não muito raro não possui nenhuma árvore.
Não serão mais 100 metros de rua asfaltada que conseguirão resolver o problema de uma frota de veículos que cresce e continuará crescendo em número muito maior que a capacidade de absorção das ruas. Uma rua que toma o lugar de uma praça é uma clara priorização do veículo sobre o ser humano, em uma visão imediatista e equivocada que, tentando resolver uma necessidade atual, cria um problema ainda maior a longo prazo. Tempos atrás o poder público acabou com o transporte ferroviário de passageiros, afirmando que a modernidade assim o exigia e hoje temos estradas e ruas congestionadas sem trens para desafogá-las.
Uma praça é um local de encontro e convivência da população daquele local, permitindo que próximo à sua residência exista um ambiente agradável e mais apropriado para se exercitar ou relaxar em meio à multidão.

Um exemplo de cidade que conseguiu crescer e valorizar suas praças é Curitiba.
Vale a pena pesquisar na Internet as imagens de suas praças para perceber a conservação e beleza destas, principalmente a Praça do Japão.

Vamos preservar nossas praças e criar novas!

Praça do Japão - Curitiba (PR)
Imagem: baixaki.com.br

Praça do Japão - Curitiba (PR)
Imagem: conhecercuritiba.com.br

Praça Tiradentes - Curitiba (PR)
Imagem: guiaturismocuritiba.com

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Referências:

Jornal Tribuna de Minas
Abraço coletivo contra corte de praça no São Mateus
http://www.tribunademinas.com.br/cidade/abraco-coletivo-contra-corte-de-praca-no-s-o-mateus

Guia Geográfico Curitiba
Praça do Japão
http://www.curitiba-parana.net/japao.htm 

Guia Geográfico Curitiba
Praça Tiradentes
http://www.curitiba-parana.net/tiradentes.htm 

Guia Geográfico Curitiba
Praça Santos Andrade
http://www.curitiba-parana.net/patrimonio/santos-andrade.htm 

Turismo Curitiba
Praça do Japão
http://www.guiaturismocuritiba.com/2010/11/praca-japao.html

Turismo Curitiba
Praça Tiradentes
http://www.guiaturismocuritiba.com/2010/10/praca-tiradentes.html

Turismo Curitiba
Praça Santos Andrade
http://www.guiaturismocuritiba.com/2010/10/praca-santos-andrade.html

6 comentários:

  1. É Sylvio, e o pior de tudo é a constatação de que, mesmo com todas as evidências sobre a piora na qualidade de vida, candidatos continuam a se eleger para cargos executivos com esse discurso chinfrim e progressista de construir muito e encher as ruas de carros. Como diz o consultor da ONU Jaime Lerner, idealizador dessas praças que vc reproduziu aí em cima: "Povo subdesenvolvido é aquele que importa soluções obsoletas". É aliar burrice à subserviência.

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  2. É Jorge... O ser humano tem a infeliz tendência de desejar adquirir mais, mesmo sem ter a competência para manter adequadamente o que já possui. Queremos mais opções de lazer, mas não percebemos ou valorizamos a função simples, porém importante e eficiente de uma praça bem cuidada próximo do local onde habitamos ou trabalhamos.

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  3. Grande Sylvio,
    Beleza de postagem! Essa luta deveria ser de todos!
    A grande verdade é que somos nós, os humanos, que estamos “atrapalhando” os veículos circularem. Fico com “pena” dos motoristas, pois a qualidade de vida de quem dirige está cada vez pior. (risos) Mas pode ficar tranquilo, que num futuro próximo, irá surgir congressos, debates, reuniões pra se tentar achar uma solução pra esse incomodo chamado PEDESTRE. Uma solução rápida terá que surgir principalmente, no que tange a estacionamentos, paradas obrigatórias ou proibidas, construção de novas HUMANOVIAS e tudo mais. E do jeito que a coisa vai caminhando, muito em breve, poderemos até ser proibidos de falar no celular enquanto estivermos atravessando uma rua, pois correremos o sério risco de causar um acidente entre veículos. Rodízio por ordem alfabética ou data de nascimento poderá ser uma solução também! Imagine a situação: Hoje só se poderão sair de casa os nascidos de 1956 a 2004 ou aqueles cujos nomes começarem com A até F e por aí vai. Tudo em nome desses pobres carrinhos indefesos, que estão sendo atrapalhados de circularem e correrem livremente pela cidade.
    É realmente lamentável, pra quem viveu uma infância se divertindo na RUA, fazer estas brincadeiras.
    Abraços e mais uma vez parabéns pela postagem.
    Serjão

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  4. Serjão, do modo como a maioria das pessoas coloca a conveniência antes da coerência, não duvido que em breve realmente surjam propostas de limitar a locomoção das pessoas para beneficiar o trânsito dos veículos.

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  5. Morei em Curitiba ao lado da Praça do Japão.
    Os administtradores públicos são sem criatividade e preferem destruir em vez de criar alternativas que preservem o patrimônio do povo. Tem que se estar atento e mnater o controle sobre os atos burros que eles desejam fazer. Em BH um prefeito que já morreu, destruiu as árvores da Av. Afonso Pena, para alargar as vias. Nem me lembro do nome dele, foi para o ostracismo.
    Esse prefitinho de Jf deveria pensar em fazer uma via por baixo da praça. Há em Sampa uma praça assim, que foi reformda atualmente - Praça Roosevelt.
    Prefrem fazer a obra mais simples e barata e que se dane o meio ambiente.
    Olho vivo e pau nele.

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  6. Conservar as praças do local onde moramos é algo pelo qual vale a pena gastar tempo e energia.

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