sábado, 9 de novembro de 2019

Woodstock

Festival Woodstock de 1969

Festival de Woodstock em 1969 
( foto feita a partir de um dos helicópteros de apoio )

Em 2019 o Festival de Woodstock completou meio século! Houve a tentativa, por parte de Michael Lang (um dos organizadores do festival original), em realizar um festival comemorativo pela ocasião mas, apesar de seus esforços, foi cancelado após uma série de problemas de licença, mudança de local e desistências de investidores e artistas.
Esta publicação é uma celebração deste blog por Woodstock, que não foi o primeiro nem o maior festival de música popular, mas tornou-se um marco histórico devido a uma conjuntura singular de fatores: o esforço dos produtores para administrar o público e artistas apesar multidão, a empatia do dono do local e parte da população e autoridades da vizinhança e o espírito de cooperação dos espectadores.


O Festival de Woodstock (cujo nome oficial era Feira de Artes e Música de Woodstock) foi realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, na fazenda de gado leiteiro de 600 acres de propriedade de Max Yasgur, próximo à região de White Lake, na cidade de Bethel, no estado de Nova York, nos Estados Unidos. O local se localizava 70 quilômetros a sudoeste da pequena cidade de Woodstock, que originalmente sediaria o festival, mas depois foi transferido para a cidade de Wallkill, onde próximo à data do evento os moradores locais não aceitaram o evento temendo desordem, o que levou o espetáculo para a pequena Bethel. 
Apesar das mudanças de local, o festival manteve o nome da primeira localidade, por questões de praticidade na propaganda.

32 bandas apresentaram-se durante um fim de semana por vezes chuvoso, para até 400 mil espectadores. Apesar de tentativas posteriores de repetir o festival, o evento provou ser único e lendário, reconhecido como um dos maiores momentos na história da música popular.

Festival de Woodstock (1969)
Quando a cooperação superou a deficiência de estrutura.

O Festival de Woodstock foi fruto dos esforços de Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. Os quatro reuniram-se para discutir a criação de um evento que financiasse a construção de um estúdio de gravação de música na pequena cidade de Woodstock. A ideia evoluiu para uma feira de artes e música ao ar livre.

Mesmo considerado um investimento arriscado, o projeto foi montado tendo em vista o retorno financeiro. Os ingressos passaram a ser vendidos em lojas de disco na área metropolitana de Nova York, ou via correio através de uma caixa postal. Custavam 18 dólares antecipadamente ou 24 dólares se adquiridos no dia. 
Inicialmente, os organizadores esperavam vender em torno de 50 mil ingressos. Aproximadamente 186 mil ingressos foram vendidos antecipadamente, e a organização se preparou para um público estimado em 200 mil pessoas. No entanto, 400 mil pessoas compareceram, congestionando todas as estradas de acesso, derrubando cercas e tornando o festival um evento gratuito, com pessoas acampando de formas improvisadas em uma área de aproximadamente 5 quilômetros em torno do palco dos shows.
Esta inesperada quantidade de pessoas provocou congestionamentos imensos, bloqueando a Via Expressa do Estado de Nova York e as estradas de terra da região, eventualmente transformando Bethel em uma "área de calamidade pública". Quando as pessoas percebiam que o tráfego não fluiria, encostavam seu veículo ao lado da estrada e seguiam à pé. Em pouco tempo nenhum veículo conseguia entrar ou sair da fazenda onde os shows seriam realizados. A infraestrutura do festival não foi equipada para providenciar alimentação, estadia, saneamento ou primeiros-socorros para tal multidão. Por causa disso, faltou comida, água, banheiros e o público tomou iniciativas coletivas para racionamento e distribuição de comida, água e organização de um sistema que permitisse a continuidade dos shows.

Ingressos do Festival de Woodstock (1969)
Acima os vendidos antecipadamente.
Abaixo os vendidos na bilheteria da entrada do festival.

Os valores de contracultura e da década de 1960, com ênfase na não-violência e negação da produção capitalista, propagaram a cultura hippie através de cenas de nudez descompromissada, bem como o uso de drogas alucinógenas.
Basicamente, o festival foi um misto de música, drogas, sexo e lama (devido às constantes chuvas), com uma sensação de estar vivenciando uma comunidade libertária.
Havia uma mistura de tendências alternativas no público que incluíam hippies, motoqueiros, hare krishnas e jovens que não se incluíam em nenhum rótulo comportamental mas desejavam uma sociedade menos moralista e materialista.

O folk e o rock psicodélico foram os ritmos símbolos do festival. As letras das músicas ressaltavam lemas pacifistas e havia protestos contra a Guerra do Vietnã (na época, o conflito já se arrastava há 10 anos). A  liberdade de expressão se tornou uma forte bandeira do Woodstock. A música se firmou como um instrumento de contestação política.

Woodstock não foi o primeiro nem o maior festival de música popular! 
O Festival Internacional de Música Pop de Monterey (Califónia - EUA) aconteceu entre 16 a 18 de junho de 1967. Jimi Hendrix, The Who, Janis Joplin, Otis Redding e outros artistas se apresentaram de graça, com toda a renda sendo doada à instituições de caridade. Mais de 200 mil pessoas compareceram ao festival, que é considerado como o começo do "Verão do Amor" dos hippies.
O Festival da Ilha de Wight (Inglaterra), em sua edição de 26 a 30 de agosto de 1970, reuniu um público de aproximadamente 600 mil pessoas. Bandas como Procol Harum, The Doors e The Who, Jimi Hendrix, entre outras, se apresentaram para um então recorde de maior público na história dos festivais de música.
O que tornou Woodstock um marco histórico e símbolo de uma época foi a espontaneidade e sucesso da prática do estilo alternativo de vida caracterizado pela cultura hippie do "paz e amor", num evento que tinha grande probabilidade de ser um fracasso tumultuado, mas que pela união do compromisso dos organizadores, da colaboração dos espectadores e habitantes das localidades vizinhas, provou-se uma experiência de coletividade de diferentes vertentes sociais: empresários, músicos, autoridades e população em geral.
Viva a sociedade alternativa – nem que seja por um final de semana!

Cartaz da Feira de Artes e Música de Woodstock (1969)
anunciando "Uma Exposição Aquariana - 3 dias de paz e música"

Na medida em que percebiam que não chegariam com automóveis no local dos shows
os espectadores deixavam seus veículos na estrada e seguiam a pé
congestionando todas as vias terrestres de acesso para o Festival de Woodstock
Imagem: https://www.buzzfuse.net/244-1/rare-historical-photos-from-the-1969-woodstock-music-festival 

O indiano Sri Satchidananda, então conhecido como Guru Dev – mestre espiritual e de yoga – proferindo o discurso de abertura do Festival Woodstock em 1969


Se não pode vencer a chuva junte-se a ela

O público fazia sua música nos intervalos e durante os shows das bandas no palco

Ânimo e cooperação garantiram a diversão
( a água que faltava para beber sobrava no chover )

Os que chegaram primeiro ao local do festival acamparam na área destinada para isso
mas na medida em que a multidão aumentava foram ocupando locais cada vez mais distantes,
inclusive este pequeno cemitério.
Imagem: http://tribupedia.com/1969-woodstock-photos-color 

Curiosidades sobre o Festival Woodstock de 1969:

• A motivação para a criação do festival foi a intenção de arrecadar dinheiro para montar um estúdio de música na pequena cidade Woodstock. Tudo se iniciou quando os jovens John Roberts e Joel Rosenman decidiram que deveriam aplicar o capital que  tinham num evento para arrecadar mais dinheiro e possibilitar a construção deste estúdio. Os dois colocaram no jornal da cidade o anúncio "jovens com capital ilimitado procuram por oportunidades legítimas e interessantes de investimento para negócios"
Por conta desse anúncio, Artie Kornfeld e Michael Lang contataram os anunciantes. Os quatro se uniram para organizar o festival, que de uma proposta inicial modesta, evoluiu para um evento de música, arte e espiritualidade.

• Com o imenso público inesperado, os ingressos à venda acabaram na bilheteria local. Pessoas começaram então a pular as cercas temporárias para assistir aos shows, Com o descontrole na entrada do evento e as cercas ameaçando desabar devido ao crescente número de penetras, a entrada passou a ser gratuita. 
Por causa disso, o Woodstock passou de um investimento para uma grande dívida. Seus organizadores terminaram devendo mais de 1 milhão de dólares, valor que só foi quitado por inteiro 10 anos depois.
Esta dívida foi criada devido à necessidade de contratar helicópteros para trazer e retornar com as bandas e a compra de gêneros que se tornaram necessários (como medicamentos, água potável, comida, material de higiene e limpeza). Também tiveram que contratar mais pessoal para a equipe de saúde, a equipe de segurança e uma equipe que tentava auxiliar o público em suas necessidades básicas. 

• A produtora e distribuidora de filmes norte-americana Warner Bros, até então uma pequena empresa, se consagrou após o sucesso do festival. Tudo se iniciou quando Kornfeld pediu dinheiro a um dos executivo da empresa, Fred Weintraub. A Warner apostou no sucesso do festival e investiu mais de 100 mil dólares na produção de um longa metragem documentário. O filme não só foi um sucesso estrondoso de bilheteria nos cinemas como também levou o Oscar em sua categoria no ano seguinte. 
Graças a esse filme a dívida dos produtores foi reduzida para menos da metade. 

• Com relação à comida, os moradores das cidades vizinhas começaram a doar frutas, sanduíches e suprimentos em geral para o público. Os alimentos chegavam ao local através de uma corrente de espectadores voluntários ou por meio dos helicópteros, uma vez que as estradas de acesso estavam completamente congestionadas por carros.
A granola ganhou destaque nos cardápios após o festival, pois era o único tipo de alimento que os fazendeiros locais tinham estocado em quantidade para oferecer ao público.

• Embora o festival tenha sido reconhecidamente pacífico, houve três fatalidades registradas: uma por conta de um ataque de apendicite, uma por overdose de heroína, e a outra por atropelamento do trator que realizava a limpeza matinal do local para os shows, tendo o condutor não conseguido avistar um jovem que dormia enrolado num cobertor coberto de lama (sendo que o campo estava enlameado após chuva). Houve também dois partos registrados (um dentro de um carro preso no congestionamento e outro em um helicóptero) e quatro abortos.
Inicialmente haviam 18 médicos e 36 enfermeiras na equipe contratada para o festival. Durante os demais dias do evento, no entanto, foram contratados mais 50 profissionais da área de saúde para ajudar a cuidar do público.

Max Yasgur e sua esposa, Miriam Yasgur
Proprietários da fazenda onde aconteceu Woodstock

Max Yasgur, então com 49 anos, era um dos maiores proprietários de terra e o maior produtor de laticínios da região, com 650 vacas cujo leite era pasteurizado na própria fazenda. Quando o produtor Michael Lang viu um pasto na fazenda de Max que era plano, mas terminava numa depressão, formando um anfiteatro natural, percebeu ter encontrado o local ideal.
Max foi procurado por Michael Lang, que lhe ofereceu cerca de US$ 50 mil para usar o terreno. Inicialmente indeciso sobre aceitar a oferta, a decisão do fazendeiro de sediar o festival só se reforçou ao ver um movimento de boicote a seus produtos se formando entre os habitantes de Bethel. "Não compre o leite de Yasgur, ele é amigo dos hippies", diziam cartazes espalhados pela cidade. Apesar de Max Yasgur ser um conservador favorável à guerra do Vietnã, valorizava a liberdade de expressão "ainda que esta liberdade viesse de pessoas cujos estilos de vida e crenças fossem muito diferentes das suas". Max não era homem de se deixar intimidar, tornando um desafio pessoal não se deixar acuar pela pressão dos vizinhos. Aceitou então sediar o Festival de Woodstock em sua fazenda.
Pouco depois da notícia se espalhar entre os moradores de Bethel, ele começou a receber ameaças telefônicas anônimas, inclusive de queimá-lo vivo, enquanto outros lhe prestavam apoio na expectativa de um crescimento na estagnada economia da pequena cidade.

Max Yasgur resolveu "apadrinhar" os jovens produtores do festival e fez um acordo com alguns produtores locais de fornecer comida a preço de custo. Quando ouviu que moradores estavam vendendo água aos jovens que começavam a chegar para os concertos, ele colocou uma grande faixa vermelha diante da cancela de sua fazenda com os dizeres "Água grátis" e numa reunião com alguns moradores perguntou "como é que alguém pode pedir dinheiro por água?". Reuniu todas as garrafas de leite vazias de sua fazenda, as encheu de água e distribuiu aos jovens. Resolveu então distribuir gratuitamente todo o leite e seus derivados que tivessem estocados na fazenda.

Depois do encerramento do Festival de Woodstock, muitos dos vizinhos e amigos de Max viraram-lhe as costas e ele deixou de ser bem-vindo ao supermercado de Bethel e em outros estabelecimentos comerciais, mas não arrependeu-se de sua decisão. 
Em janeiro de 1970 foi processado por moradores pelos danos causados às suas propriedades durante o festival, com a baixa na produção leiteira (pelo estresse do gado e impossibilidade de escoamento da produção nas estradas interditadas) e invasão de propriedades vizinhas para acampamento.
Em 1971, Max vendeu sua fazenda de 600 acres e mudou-se para Maratona (Flórida, EUA) onde morreu de ataque cardíaco em 9 de fevereiro de 1973, aos 53 anos. A revista Rolling Stone dedicou-lhe um obituário de página inteira, um dos poucos não-músicos a receber tal homenagem de seus editores.

Amor entre a música e lama de Woodstock
 Nick Ercoline e Bobbi Kelly em 2019

Ela é Bobbi Kelly. Ele é Nick Ercoline. Ambos foram fotografados então com 20 anos. Eles se conheciam há apenas três meses na época, se casaram em 1971 e ainda estão vivos e juntos hoje, em 2019, 50 anos depois. Bobbi dá uma dica para os casais permanecerem juntos por tanto tempo: "Não fique zangado. As pessoas não crescem ao mesmo tempo e na mesma medida. É preciso muita paciência para que as coisas tenham sintonia".
O jovem casal envolvido num edredom velho e sujo em volta de hippies que dormiam no chão de uma fazenda em Bethel, foi fotografado no domingo, 18 de agosto de 1969, por Burk Uzzle da revista "Life". Ele capturou o momento sem que Nick ou Bobbi percebessem que estavam sendo flagrados e eternizados na história da música e da fotografia. O casal só descobriu a imagem quando o disco de vinil da trilha do festival foi lançado, em 1970.
Hoje o casal (ambos nascidos na região da fazenda onde foi o Festival de Woodstock) vive como aposentados e avós tradicionais em Pine Bush, no interior do estado de Nova York. O local fica a 64 km do local onde a foto foi tirada. 
Sobre Woodstock, eles afirmam que foi difícil chegar até lá por conta do caos nas estradas. Um amigo pegou emprestado o carro da mãe dele e foram. No caminho, encontraram muitos policiais na estrada e também alguns bloqueios. Mas, como eram locais, fizeram um percurso alternativo, seguindo o rio Delaware, atravessando propriedades privadas e rotas desconhecidas até chegar ao ponto mais próximo que conseguiram do festival, a 8 quilômetros da fazenda em Bethel. Daí foram caminhando e nesse trajeto o casal encontrou caído ao lado da estrada o edredom da foto. 
Nick afirma: "Fomos totalmente despreparados. Sequer tínhamos ingresso ou comida. Decidimos ir de última hora e não sabíamos o que esperar. Havia milhares de pessoas indo para o mesmo lugar, levando sacos de dormir e instrumentos musicais. Chegando lá, sequer conseguíamos ver o palco, mas o som era incrível!". 
Bobbi afirma que "a música nem foi o principal evento do Woodstock! Lembro-me mais das pessoas, da humanidade e da comoção em torno do festival. Aquilo foi incrível e muito empolgante. Nunca vivemos algo como Woodstock! Não levamos comida, mas não passamos fome. Muitas pessoas doavam alimentos. Lembro de gente passando bananas ou pedaços de pão. Todos compartilhavam o que tinham".
Um colecionador apaixonado pela história dos dois ofereceu US$ 30 mil no edredom usado por eles em Woodstock, mas ele já não existe mais. "Ficaríamos felizes em doá-lo. Mas agora já foi", finalizou Nick.

Woodstock '94
Para comemorar os 25 anos do Festival de  Woodstock de 1969, 250 mil pessoas se reuniram em 13 e 14 de agosto de 1994 no Woodstock '94, em Saugerties, a 135 km de Nova York. 
Pagaram 135 dólares para ouvir 40 bandas, entre eles o Nine Inch Nails, Aerosmith, Metallica, Green Day, Red Hot Chili Peppers e músicos como Peter Gabriel, Carlos Santana e Joe Cocker. 

Woodstock '99
Outra edição ocorreu entre 22 a 25 de julho de 1999. Como nos festivais anteriores de Woodstock, foi realizada no norte de Nova York , desta vez em Roma – a cerca de 160 km do local do evento original – na antiga Base da Força Aérea Griffiss, com a participação de aproximadamente 400 mil pessoas em quatro dias.
Pagaram 150 dólares para ouvir 108 bandas que se revezaram em três palcos, entre elas Limp Bizkit, Megadeth, Red Hot Chili Peppers, KoRn, The Offspring, Rage Against The Machine, Metallica, Elvis Costello, Willie Nelson e The Brian Setzer Orchestra.
Woodstock 1999 foi marcado por violência, agressão sexual, alegações de estupro, saques e incêndios. Alegam que os fãs de bandas como Limp Bizkit, Insane Clown Posse e Kid Rock foram responsáveis pelos tumultos. Produtos caros vendidos na área do evento, o extremo calor do verão e a deficiência na infra-estrutura de conforto são responsabilizados pela onda de descontentamento e violência que marcou negativamente o nome Woodstock à cultura de paz, amor e não comercialismo.

Woodstock 50 
Em 9 de janeiro de 2019, Michael Lang (um dos organizadores do festival original) anunciou que a comemoração dos cinquenta anos do festival seria entre 16 e 18 de agosto de 2019, em Watkins Glen, Nova Iorque.
Mais de 80 artistas chegaram a ser contratados, entre os quais estariam Santana, Robert Plant, David Crosby, Greta Van Fleet, The Killers, entre outros.
Entretanto, o Woodstock 50 foi cancelado em 31 de julho de 2019, após uma série de problemas de licença e produção, mudança de local e desistências de investidores e artistas.

Fontes de referência:

Wikipédia
Festival de Woodstock
https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_de_Woodstock 

O Globo
Woodstock, 50 anos: o que foi, quando e onde ocorreu
https://oglobo.globo.com/cultura/woodstock-50-anos-que-foi-quando-onde-ocorreu-23876765 

Segredos do Mundo
Woodstock - curiosidades e fotos que resumem a loucura que foi o festival
https://segredosdomundo.r7.com/woodstock 

Tribupedia
Fotos de Woodstock 1969

Ninja Journalist
Fotos tiradas em Woodstock 1969

BuzzFuse
Fotos do Festival de Música de Woodstock de 1969

Reverb
Casal símbolo de Woodstock segue juntinho, 50 anos depois

Vídeos:

Woodstock 1969 - 50º Aniversário (Parte 1)
( 46:09 )

Woodstock 1969 - 50º Aniversário (Parte 2)

sábado, 26 de outubro de 2019

Sociedade de Minas Gerais



A sociedade mineira (no Brasil Colônia)
Autora: Angela Xavier

É fácil imaginar a desordem na incipiente sociedade das minas, pois ela era formada por um bando de aventureiros, ávidos de riquezas e cercados de variados perigos.
A população se organizou em irmandades que são associações religiosas laicas. Os conventos foram proibidos em Minas Gerais por temor que se tornassem centros de desvio de ouro. Havia a ordem secular constituída pelos párocos e as ordens terceiras que eram laicas. Administrando as organizações religiosas estavam os bispados. O primeiro bispado de Minas Gerais foi criado muito tempo depois, já na metade do século XVIII, com sede em Mariana.
No início, cada irmandade tinha seu altar dentro da igreja matriz. Com o tempo e o enriquecimento, cada irmandade construiu sua própria capela. Daí tantas igrejas e capelas nas cidades históricas de Minas Gerais. Só em Ouro Preto existem vinte e uma, cada qual com seu padroeiro ou santa de devoção.
Começando pelos primeiros arraiais formadores da cidade, temos:
- Capela do Senhor Bom Jesus das Flores (ou Taquaral), na saída para Mariana, capela que tem dois altares pintados com nítida influência árabe;
- Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Brancos (ou do Padre Faria) com pinturas em vermelho e dourado, inspiradas na arte chinesa, cujo sino tocou na inauguração de Brasília;
- Capela de São João Batista do Ouro Fino, no alto do morro de onde Antônio Dias e seus homens viram o Pico do Itacolomi;
- Capela de Sant’Ana;
- Capela de São Sebastião;
- Capela de Nossa Senhora da Piedade;
- Capela do Senhor do Bonfim, onde os condenados assistiam à última missa;
- Igreja de Santa Efigênia (ou de Nossa Senhora do Rosário do Alto da Cruz), construída pelos negros e por doações do Chico Rei;
- Igreja de Nossa Senhora das Dores do Calvário, segundo a lenda construída em homenagem às filhas mortas do Vira Sahia;
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (do Antônio Dias), onde está enterrado o Aleijadinho;
- Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, conhecida popularmente como Mercês de Baixo;
- Igreja de São Francisco de Assis da Penitência, cujo desenho e talha são considerados obra-prima do Aleijadinho.
- Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, projetada por Manoel Francisco Lisboa e modificada por Aleijadinho.
- Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, conhecida popularmente como Mercês de Cima, onde acontece a Missa das Almas;
- Igreja de São Francisco de Paula, a última a ser construída no alto do morro onde existiu a Capela de Nossa da Piedade;
- Igreja de São José, obra da Irmandade dos Pardos de São José e dos Bem-Casados;
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, que conserva em seu interior o douramento de sua talha;
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, com sua bela arquitetura em curvas, toda feita em pedras;
- Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (ou de São Miguel e Almas), situada no alto das Cabeças, já foi muito frequentada por romeiros;
- Capela do Senhor da Pedra Fria, situada na rua Alvarenga; e
- Capela de Nossa Senhora das Necessidades, próxima à Capela do Padre Faria.
Existem também cinco Passos, capelinhas que mostram um momento da Paixão de Cristo e são aberta somente durante a Semana Santa.
As irmandades dos ricos eram as do Carmo e de São Francisco de Assis, que disputavam entre si qual templo era mais belo. Quem ficasse fora das irmandades era um marginalizado na sociedade mineira do século XVIII. Como membros delas, os moradores tinham a oportunidade de participar dos principais eventos da cidade, tinham ajuda nas dificuldades financeiras e doenças, além de ser enterrados nos cemitérios de cada irmandade, contando pontos para a importante salvação da alma.
A sociedade também se organizou nas Gerais por cor e riqueza de seus membros. Os melhores cargos administrativos pertenciam aos nascidos em Portugal, depois aos filhos destes nascidos no Brasil e, por fim, aos brasileiros com poder aquisitivo. Os homens de maior prestígio eram os proprietários de terras nas zonas auríferas. Esses proprietários exploravam as minas através de grande número de escravos.
Os mais ricos moravam próximos às câmaras municipais e das igrejas matrizes ou em pontos altos das vilas, para fugir das inundações. Suas casas eram construídas com pedras de cantaria, com dois ou três andares e sacadas trabalhadas artisticamente. Eram pintadas de branco, com os portais e janelas azuis ou verdes, cores raras e caras. O acabamento dos telhados trazia a marca da prosperidade com beirais de madeira trabalhados artisticamente. Diz um ditado popular que as pessoas muito pobres são “sem eira nem beira”. Esta expressão veio de Portugal, onde eira é um espaço de terra batida ou cimentada, próximo às casas, usado para limpar e secar cereais. Já a beira é um acabamento em madeira na extensão do telhado que serve para proteger da chuva. Na lógica portuguesa, herança da Idade Média, quem não tem eira não tem terras e formas de produzir riqueza, e quem não tem beira não possui uma casa. Era, portanto, alguém pobre e sem perspectivas de melhora de vida.
Os pobres faziam suas casas nos vales, desprezados pelos ricos pelo risco de inundações, nas partes distantes da praça central e nas elevações muito íngremes. Suas residências eram pequenas, geralmente com uma porta e duas janelas, pintadas de branco com os portais em vários tons de marrom ou vermelho, resultado da mistura da tinta branca com terras de diferentes matizes, pegas gratuitamente nas periferias das povoações.
Os portugueses de classe mais baixa abriam vendas à margem das estradas mais movimentadas, onde vendiam bebidas alcoólicas e comidas variadas. Ali paravam os viajantes e os escravos de aluguel levavam objetos roubados ou sua produção artesanal em troca de cachaça. Na embriagues tentavam esquecer sua vida miserável.
Muitos taberneiros, habituados ao trabalho constante e árduo, faziam fortuna. Acostumados às duras condições de quem pouco tinha, eram econômicos. Geralmente seus filhos eram obrigados a prosseguir com o negócio da família, já sem a motivação e o comedimento dos pais e, não raro, gastavam a fortuna acumulada. Desta época há o ditado que diz “O pai taberneiro, o filho cavalheiro, o neto carreteiro”.
A miscigenação foi muito comum entre os portugueses e os povos dos países com os quais mantinham contato. Aqui não foi diferente. No início não havia mulheres portuguesas no Brasil e os costumes eram muito livres. As filhas dos brancos ricos eram enviadas para conventos em Portugal. D. Lourenço de Almeida, primeiro governador da Capitania de Minas Gerais, citou este fato como fator de despovoamento e pediu providências da Coroa Portuguesa. Atendendo a esse apelo, as mulheres foram proibidas de embarcar nos navios que se dirigiam para fora do Brasil. Isso por volta de 1731. Havendo poucas mulheres brancas, com quem casar? Os homens procuravam as índias e as escravas, prostituindo-as. Diferentemente das nativas que eram consideradas almas primitivas, mas puras, com as negras não assumiam os filhos, que eram tratados de forma melhor que um escravo, sem serviços pesados e com certa autonomia, mas sem direitos. As autoridades portuguesas no Brasil reprovavam oficialmente a miscigenação, mas na prática eram permissivos pois o povoamento era necessário para garantir a posse do território e o aumento dos lucros para a Coroa Portuguesa. Mulatos, pardos e cafusos aumentaram em quantidade e variedade.
Com o passar do tempo e das gerações, os portugueses costumaram reconhecer e dar seu nome aos filhos miscigenados. O número de mulatos se tornou maior que o de brancos, perdendo apenas para os negros que, apesar das muitas mortes nas duras condições de trabalho e pouca assistência, eram renovados com a chegada de novas levas de escravos vindos da África. 
Os mestiços constituíam uma classe sem lugar na sociedade. Eram chamados “vadios” os que eram livres, não sendo escravos nem donos, sem bens ou comércio que lhes permitisse viver de forma independente. Estes se viravam com trabalhos informais. Nesse grupo estavam doceiras e pasteleiras de tabuleiro, barbeiros, verdureiros, carregadores e outros ofícios ou biscates que a necessidade criava. Muitos se tornavam ladrões urbanos ou assaltantes das estradas e davam muito trabalho para os governantes.
Os negros vindos da África que trabalhavam nas minas sofriam todo tipo de provações. Tiveram que se adaptar ao clima frio, abriam túneis na rocha usando apenas picaretas. Dentro das minas alagadas pelas águas das chuvas, a umidade, o pó de pedra e os gases das lamparinas a base de gordura ceifavam muitas vidas. Desmoronamentos também matavam e obrigavam a refazer o penoso e pesado trabalho. Os produtos tóxicos usados para separar o ouro dos demais minerais eram manuseados sem proteção e matavam número também considerável, apesar de menor. A alimentação era fraca para recompor as energias e os escravos ficavam tuberculosos ou contraiam doenças que os matavam ou incapacitavam para o trabalho nas minas, sendo então empregados em plantações, serviços urbanos ou como escravos de aluguel, em variadas funções temporárias.
Trabalhavam seminus para evitar que escondessem ouro na roupa, mas esta imposição não era tão desconfortável, pois quanto mais se aprofundavam nas minas, mais abafado e escasso se tornava o ar, portanto muita roupa seria inadequado nessas condições. Prejudicial se tornava a pouca roupa nos dias frios, devido à intensa variação térmica do calor dentro da mina e o frio vento e neblina das montanhas, o que adoecia muitos deles. Tinham cotas – individuais ou em grupo, dependendo da mina – de ouro para encontrar. Alguns só recebiam comida se completassem tal cota diária, outros podiam dormir na palha macia se conseguissem a quantidade desejada de ouro e, em alguns lugares, podiam ficar com o excedente da cota estipulada. Com isso muitos compraram sua liberdade ou de pessoas que amavam. Os que não conseguiam a cota, recebiam apenas água e dormiam no chão duro e frio naquele dia.
Os portugueses trouxeram inicialmente para as Gerais negros do grupo Mina, experientes em localizar os veios de ouro nas entranhas da terra. Os Mina eram sudaneses – acostumados a procurar ouro e escravizar tribos menores em sua terra natal – que foram levados em sua maioria para a Bahia, onde tentavam constantemente realizar revoltas. Por este motivo, os baianos donos de fazenda ficaram satisfeitos em vendê-los aos mineiros, que ofereciam por este grupo preço pouco acima do mercado. Mas os Mina continuaram a ser um grupo de difícil controle, por isso os portugueses começaram a trazer os negros do grupo Banto, habitantes de Angola, Congo, Moçambique e Benguela. Eram mais fáceis de dominar, adaptando-se com mais facilidade e gostavam das festas – católicas ou não – convertendo-se em maior número para o cristianismo para terem a possibilidade de descansar e se divertir ao menos nos dias santos.
Ainda na África, os agora escravos eram batizados em grupo antes de embarcar, porque a Igreja Católica proibia entrar no Brasil os prisioneiros que não fossem cristãos. Quando o tempo disponível permitia, eram batizados individualmente, com nomes bíblicos: Antônio, José, Pedro, Paula, Maria da Graças, Maria as Mercês, Maria do Carmo, etc. Quando chegava ao posto no litoral um grupo de prisioneiros próximo à hora do embarque, separavam-se os homens das mulheres, um padre colocava um pouco de sal em dois baldes de água, os abençoava e jogava a água de um balde sobre os homens batizando-os todos com o mesmo nome, repetindo o processo com o grupo das mulheres.
Eram então embarcados acorrentados no porão do navio, em ambientes lotados onde pouco ou nada conseguiam se movimentar, sem sol, com pouca alimentação e roupas. Somadas a estas condições, a pouca higiene durante a longa viagem das pessoas vomitando devido ao enjoo, urinando e defecando umas sobre as outras tornava o porão dos navios negreiros locais insalubres, causando muitas mortes por inanição e infecção, agravadas pelo contato das secreções com as feridas abertas pelas correntes. Estima-se que, geralmente, em torno da metade dos prisioneiros morria durante a travessia do Oceano Atlântico e era atirada ao mar.
Com os sobreviventes que chegavam ao Brasil – nos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro – os portugueses formavam grupos com diferentes tribos e línguas, para dificultar que se organizassem em revoltas. Este procedimento separou muitas famílias.
A população negra em Ouro Preto era superior em número à branca e havia um grande receio por parte das autoridades de uma revolta generalizada. Muitos dos escravizados, após se adaptarem ao lugar para onde eram mandados, reagiam como podiam: suicidavam-se deixando de comer ou pulando de penhacos; abortavam filhos para livrá-los da escravidão; cortavam braço ou perna para tentar escapar de serviços pesados; tentavam envenenar os brancos com ervas ou raízes disponíveis; matavam os feitores e fugiam para as matas, onde procuravam ou criavam quilombos.
Em Minas Gerais foram localizados e destruídos mais de cem destes locais de refúgio. O mais famoso deles, o Quilombo do Ambrósio, tinha mais de mil habitantes. Documento publicado por Xavier da Veiga fala do Quilombo do Campo Grande, com grandes roças plantadas e que possuía rei, rainha e príncipe. Alguns quilombos tinham relações comerciais com povoações próximas e não eram denunciados. Outros eram base de bandos que assaltavam os viajantes e estes se tornavam alvo prioritário das autoridades, auxiliadas por fazendeiros e comerciantes.
Próximo a Rodrigo Silva, distrito de Ouro Preto, existe um morro chamado Morro da Guerra, onde já existiu um quilombo. Durante um cerco ou ataque, os quilombolas deste local faziam um pequeno foguete usando bambu onde colocavam pólvora e, colocando fogo e fazendo-o voar, era o sinal de pedido de ajuda para outros quilombos da região. Assim resistiu por muito tempo, até ser destruído por uma grande expedição, organizada pelos donos de minas da região, preocupados com o crescente número de tentativas de fuga de seus escravos para se juntarem ao quilombo.
Em 1719 houve uma tentativa de revolta de escravos em Vila Rica. Eles pretendiam aproveitar a Quinta-Feira Santa, quando os brancos estivessem na igreja rezando, e atacar suas casas, matando quem lá estivesse, e pegar facas, foices, machados, enxadas, armas de fogo e que pudessem usar para então atacar e matar a todos, tomando o controle da vila. Já haviam planejado como seria administrado o novo reino a ser estabelecido e escolhido o rei, os conselheiros e os ministros. Discussões entre alguns membros da futura cúpula, que desejavam cargos que não lhes foram destinados, fizeram com que alguns capatazes ficassem desconfiados e as suspeitas chagaram ao governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, o Conde de Assumar. Ele não acreditou, pensando tratar-se de um boato. Os senhores de minas começaram torturas e investigações por conta própria e novas fontes foram confirmando o planejamento da revolta. Os donos das minas levaram os supostos organizadores que estavam sob sua responsabilidade ao governador, que providenciou a prisão e execução dos líderes antes que a revolta acontecesse.
Há registro de outra tentativa de revolta em 1756. A Câmara de Vila Rica escreveu à de Mariana, Sabará e São João del-Rei, participando o plano descoberto que pretendia reunir todos os quilombos existentes em Minas Gerais, na noite da Sexta-Feira Santa, para atacarem ao mesmo tempo as povoações, aproveitando-se do momento de oração e jejum.
Assim como em 1719, os negros pretendiam atacar as casas para delas pegar todas armas possíveis, matando depois todos os homens, poupando-se então mulheres e crianças, que seriam transformadas em escravas.
Os negros Mina queriam que um dos seus fosse o rei dos territórios conquistados. Os negros Angola, que eram maioria, queriam que fosse o seu líder a assumir após a vitória. Nas discussões em torno dessa questão, vazou o segredo.
O governador escreveu ao rei de Portugal relatando o plano, que lhe concedeu carta branca para agir com a agilidade e força necessárias a manter o controle. Estimulados pelo pânico de uma revolta de escravos em grande proporção, os brancos acusaram quem considerassem suspeitos, sem provas. Foram presos os futuros reis Mina e Angola, seus chefes e conselheiros e outros que não faziam parte das lideranças. Todos foram sumariamente julgados e condenados à morte. Os considerados líderes apanharam até a morte nos pelourinhos dos locais onde habitavam. Os que se julgavam ter menos importância foram enforcados. Todos ficaram longamente expostos e os senhores de escravos levavam seus cativos, em pequenos grupos, para os locais das execuções, para que os mortos servissem como intimidação.
Nas duas tentativas de revolta planejadas pelos escravos em Minas Gerais, ficou comprovado o sucesso da estratégia portuguesa de reunir membros de diferentes nações africanas para que os escravos tivessem dificuldade em conciliar interesses e tradições.
O Conde de Assumar, preocupado com a superioridade numérica dos negros em Minas Gerais, especialmente dos negros forros, proibiu a concessão de novas cartas de alforria durante seu mandato. O fato que mais lhe chamou a atenção foi a “corte” de Chico Rei em Vila Rica, com suas festas de congado e crescente influência na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.


Mineiros & Garimpeiros


Texto adaptado do livro “Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto”, de Angela Leite Xavier.
Págs. 34 a 42.
Edição do Autor; Ouro Preto (MG); 2009 (2ª edição).

Obs.: Esta postagem foi realizada mediante prévia autorização da autora.

Para mais "causos" e contos de Angela Xavier, acesse o blog dela:
Compartilhando Histórias
http://www.angelaleitexavier.blogspot.com.br 

Livro : Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

O livro reúne mais de 70 histórias, ambientadas do século XVIII até início do XX, coletadas junto a moradores ou em livros sobre a cidade. Olavo Romano, responsável pelo prefácio, afirma que "Ouro Preto era cheia de fantasmas, uma cidade mal iluminada, repleta de capelas e cemitérios, onde ninguém saia de casa depois das 21 horas. Trata-se de um livro que narra a História de Ouro Preto de uma forma agradável, à maneira dos contadores de histórias, e está entremeada de lendas e causos. Começa chamando a atenção do leitor para a necessidade de se preservar aquilo que faz parte da nossa memória e relata a descoberta do ouro, os conflitos que surgiram no início e as revoltas". 
A ênfase do livro é dada às histórias dentro da História, nas curiosidades que os livros de História não relatam, na sociedade que se formou ao redor das minas de ouro com suas crenças, seus valores e sua religiosidade. Relatos de grandes festas, de muitos casos assombrados e tesouros escondidos. A ilustração, com desenhos em bico de pena, é do artista plástico ouro-pretano José Efigênio Pinto Coelho.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...