sábado, 14 de outubro de 2017

Vira Saia


Ilustração: José Efigênio Pinto Coelho
Pág. 106 do livro Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

O Vira Sahia
Autora: Angela Xavier

Uma vez, subindo a Ladeira de Santa Efigênia, mostraram-me uma casa muito antiga, com a base de pedra à mostra, muitas janelas e árvores aparecendo detrás de um muro.
– Esta é a casa do Vira Sahia! disseram.
Defronte estava um oratório dedicado à Nossa Senhora das Almas. Eu já havia escutado muitos casos assombrados com relação àquela casa. Um arrepio percorreu meu corpo ao me lembrar deles.
As casas antigas, com seus cômodos amplos e piso de madeira, guardam muitas histórias entre suas paredes de pau-a-pique. Histórias muito antigas que deixaram rastros.
Dizem ter sido essa casa também um convento. Pessoas que viveram lá dizem já ter visto padres ao lado da cama, enquanto dormiam ou andando pela casa. Também aparece um senhor desconhecido muito bem arrumado, de bengala na mão, assentado num sofá, ouvindo as conversas da família reunida para o terço da noite. Pode ser o próprio Vira Sahia.
Algumas pessoas riem dessas coisas, dizendo serem cismas de mineiros. Um parente que se hospedou na casa se considerava um desses céticos.
Uma noite, já bem tarde, ele estava no fundo da casa, próximo à cozinha, pintando um quadro. Gostava de pintar nessa hora em que todos dormiam e os outros não interrompiam seu momento criativo. Saindo da cozinha, tem uma escada que vai dar no porão. De repente ele sentiu um cheiro forte de fumo de rolo, como se alguém estivesse fumando um cigarro de palha ou cachimbo ali do seu lado. Ele olhou em volta, não havia ninguém Não deu importância. Continuou pintando.
Terminando o quadro, ele parou pois devia esperar até de manhã para as cores secarem. Foi ao banheiro e de lá escutou os passos de alguém subindo as escadas do porão até a cozinha. Eram passos pesados. Nessa hora sentiu medo. Sabia que todos estavam dormindo. Aquilo estava muito estranho. Não acabou de escovar os dentes e correu para o quarto. Ao atravessar o corredor comprido que dava para seu quarto, onde sua esposa estava dormindo, ele escutou passos atrás de si. Entrou rápido no quarto e bateu a porta. O coração disparado. O barulho dos passos cessou. A mulher ficou rindo, pois ela já havia passado por algo semelhante e sofreu deboches dele.
Existem relatos de que esta casa tem um túnel passando por debaixo dela. Há uns cinquenta anos atrás, as crianças que viviam na casa descobriram a abertura do túnel. Queriam entrar, como é natural da curiosidade infantil. O pai, temeroso do que poderia haver dentro, mandou tapar a entrada. Antes disso, soltou uma galinha dentro do túnel e ela não voltou. Também contam que, nessa mesma época, foi necessário dar uns reparos no muro de adobe que cerca a propriedade. Ao começar os trabalhos, os operários levaram um enorme susto ao ver, no meio do muro, um esqueleto. Ele parecia ter sido emparedado na época da construção do muro e estava agachado; usava um chapéu de couro, botas e tinha um chicote na mão. Parecia um feitor. Assim que foi descoberto ele se desmanchou em contato com o ar.
Outros emparedados já foram encontrados em Ouro Preto. Esse costume de sepultar pessoas no meio da parede de pau-a-pique veio da Europa. Eram pessoas assassinadas ou doentes que, depois de mortas, tinham o corpo desaparecido, sendo descobertos muitos anos depois. Quando aparece um emparedado, costumam chamar um padre e ele conduz os restos a um cemitério, para dar repouso digno ao desconhecido.
Os lugares assombrados nos conectam com o passado. Estamos no ano de 1741, quando a casa de Vira Sahia foi construída.
Na velha Vila Rica do século XVIII havia pouca iluminação e, quando a noite caía, coisas estranhas aconteciam. Sombras e vultos fantasmagóricos surgiam inesperadamente. Vozes se confundiam com o ladrar dos cães. Ruídos assustadores povoavam as noites levando pânico à população. Seres alados com pés de pato, chifres e olhos em brasa eram vistos na noite escura. Muitas famílias se mudavam para longe, outras se trancavam em casa à noite, saindo somente em caso de emergência. A população assustada pediu providências ao governador. Foi baixado um decreto que dizia:
“Para evitar todo gênero de desassossego que têm com os mascarados, atirem-se contra estes e os matem, por serem perturbadores do sossego público, e se lhes declara que ficarão incursos em crime algum os que mataremos ditos mascarados, antes sim, se lhes dará um prêmio de cem oitavas de ouro a todo aquele que constar que matou algum mascarado que apareça no morro ou na vila, a qualquer hora da noite.”
O bispo de Mariana sugeriu que fossem colocados pequenos oratórios no cruzamento das ruas para afastar os poderes sombrios. O povo, com mais medo de almas penadas que de ladrões, colocou oratórios nas encruzilhadas e imagens de santos de sua devoção dentro deles. Chegavam a rezar ao redor dos oratórios até três vezes num dia ou cantavam hinos pedindo o fim das aparições que acreditavam serem almas penadas. À noite acendiam candeeiros a óleo diante dos oratórios. Aqui começa uma tradição que já dura mais de 250 anos, onde estão as vozes de muitas gerações.
As figuras fantasmagóricas que tanto assustavam a população, na verdade, eram membros de uma quadrilha de ladrões que, com artimanhas, enganavam povo e governo em seus movimentos noturnos.
Escondidos nas matas próximas a Vila Rica, esperavam a noite cair e, entre assombrações forjadas por eles para assustar a população e garantir ruas vazias, faziam a distribuição do ouro e outros objetos roubados, principalmente dos portugueses. Uma parte para cada membro da quadrilha, outra para um esconderijo até hoje desconhecido. Aproveitavam, também, para se abastecer de alimentos, armas e outras necessidades. Quando o dia clareava, eles se passavam por cidadãos honestos, cada qual com sua família e trabalho. 
Sua ação principal era roubar o ouro que as autoridades portuguesas retiravam dos mineradores através da cobrança do quinto, isto é, uma quinta parte de todo o ouro explorado oficialmente.
Este bando chamava-se “Almas do Purgatório”, em alusão aos sustos noturnos que davam na população, mudado depois para “Os Vira Sahias”, em homenagem ao seu chefe, Antônio Francisco Alves, que tinha o apelido de Vira Sahia.
Ele era moreno, descendente de índios, alto e um tanto misterioso e excêntrico. Falava pouco, mas sabia ouvir. Foi criado por padres franciscanos, de quem era amigo e contribuía com a construção de capela dedicada ao santo. Possuía grande fortuna e tinha vários agregados que viviam em sua propriedade, sob sua proteção. Ainda não havia a Igreja de Santa Efigênia. Vivia ele com sua família na Ladeira de Santa Efigênia, número 141, onde havia uma nascente de água que ele doava ao chafariz mais próximo. Tudo ao redor era de sua propriedade. Era uma pessoa querida e respeitada pela comunidade.
Um grande amigo seu era o Gibú, com quem gostava de pescar. O Gibú era um padre jesuíta francês que se apaixonou e relacionou com uma espanhola e, para evitar escândalo, foi mandado para o Brasil como se não fosse padre. Desde então, viva ele e sua linda espanhola em Vila Rica. Era respeitado por sua cultura e arte. Dizem ser dele os desenhos do chafariz da Rua do Barão e da ponte de Antônio Dias. Também foi ele o autor do esconderijo para onde ia parte do ouro roubado na Estrada Real. Esse tesouro nunca foi encontrado. Dizem que está até hoje numa gruta, atrás de um sumidouro, num local de difícil acesso.
Havia naquele tempo dois caminhos para sair de Vila Rica para o Rio de Janeiro: um por Saramenha, passando por Ouro Branco, e outro pelas Cabeças, Passa Dez e por Cachoeira do Campo. O Vira Sahia havia mandado construir um oratório defronte a sua casa no qual colocou uma imagem de Nossa Senhora das Almas. Ele usava a imagem como senha para indicar aos salteadores o caminho por onde o ouro sairia.
Depois que o bando já acumulava uma considerável riqueza, costumavam roubar apenas o ouro levado pelos portugueses para o Rio de Janeiro, e que depois seria enviado à Lisboa. Os comerciantes e tropeiros que abasteciam as regiões de mineração não eram molestados pelo bando do Vira Sahia. Nesta época, passaram a compará-lo ao Robin Wood, aquele que roubava dos ricos e distribuía aos pobres.
Apesar de o líder ser um morador urbano, a quadrilha era organizada pelos irmãos Nunes, que viviam em uma fazenda perto de Itabirito. Lá se reuniam, armavam e saíam para os assaltos. Os Vira Sahias – como ficaram conhecidos estes salteadores – preferiam morrer a revelar algum segredo do grupo. Se algum deles fosse preso ou morto pelas autoridades, os companheiros discretamente prestavam assistência à sua família e se vingavam de seus captores ou executores. A garantia de consideração e amparo aumentava ainda mais a lealdade entre os bandoleiros do grupo.
Vocês devem estar se perguntando como o Vira Sahia sabia o caminho por onde passaria o comboio levando o ouro. Sendo uma pessoa carismática e com grandes posses, conseguiu a amizade de um funcionário da Casa de Fundição de Vila Rica, que recebia propinas para informar sobre o caminho por onde sairia o ouro. Usando a imagem do oratório defronte a sua casa, O Vira Sahia informava o caminho do comboio do ouro: virando a santa ora para o lado de Saramenha, ora para o lado de Passa Dez.
O transporte do ouro em lombo de burros era um desafio difícil. Segredo e astúcia eram usados para despistar os salteadores. As autoridades mandavam que os militares ou funcionários comentassem nas tabernas – simulando estarem alcoolizados – falsas datas e rotas, saindo antes ou depois da data anunciada, por outro caminho. Algumas vezes saía por um caminho um comboio escoltado pelos dragões, com as mulas levando caixas vazias; enquanto pelo outro caminho seguia, disfarçado de comerciantes e com a maior parte das armas ocultas, o grupo levando o ouro. Noutras ocasiões, o comboio saía de Vila Rica levando caixas vazias e, depois de pernoitar uma vez, ao invés de seguir caminho, retornavam para Vila Rica, saindo no dia seguinte ou poucos dias depois por rotas diferentes, repetindo a manobra algumas vezes para desgastar a paciência ou mantimentos de possíveis criminosos, até que uma dessas saídas, com o ouro, seguia seu destino.
Até então, as autoridades portuguesas tinham conseguido sucesso em transportar seu ouro. No período de atividade dos Vira Sahias, algumas vezes os portugueses conseguiam levar sua preciosa carga, mas os bandoleiros geralmente levavam a melhor. Por causa disso, certos de que havia um ou mais informantes entre eles, os portugueses estabeleceram um prêmio em ouro para quem fornecesse informações sobre o traidor ou do chefe da quadrilha.
Na medida em que aumentava a eficiência e prejuízos causados pelos bandoleiros, aumentava o prêmio oferecido e a violência dos portugueses. Muitas pessoas foram mortas por suspeita de colaboração com os bandidos. Suas cabeças ficavam expostas na saída da vila – no atual bairro Cabeças – espetadas em estacas para desestimular e servir como aviso do que aconteceria aos Vira Sahias e seus colaboradores que fossem descobertos.
Entre os salteadores havia um único estrangeiro, um espanhol. Ele havia se aproximado do bando devido ao ódio que sentia pelos portugueses. Seu sonho era voltar para a Espanha, mas não tinha dinheiro suficiente. Tentado pelo prêmio e instigado pela mulher, ele informou às autoridades o que sabia: que os bandidos se chamavam Almas do Purgatório e que na mata eram coordenados pelos irmãos Nunes. Em Vila Rica, havia um esconderijo onde uma parte do roubo ficava guardada por um feiticeiro cruel e vingativo, chamado Vira Sahia, que tudo adivinhava.
Com estas informações, as autoridades organizaram sua investigação. Homem apelidado de Vira Sahia só havia um, mas era rico e estimado. Ao invés de agir com a habitual truculência destinada aos pobres, homens à paisana passaram a vigiá-lo dia e noite. Depois de algum tempo, já conhecedores dos hábitos de sua família e dos mais próximos, um dos vigias notou que o pequeno oratório defronte a casa, cuidado pessoalmente pelo Vira Sahia, após rápida limpeza tinha sua santa virada por ele ora para a direita, ora para a esquerda. Inicialmente este detalhe pareceu sem importância, mas após um novo assalto bem sucedido ao carregamento de ouro, os vigias mataram a charada, ao perceberem que na ocasião a santa havia sido virada na direção do caminho do comboio!
Durante a noite, dragões e policiais cercaram a casa de Antônio Francisco Alves e a invadiram. Sua esposa e filhas foram amarradas, sua casa saqueada pelos militares sedentos de vingança pelas mortes e humilhações sofridas, os móveis foram revistados com violência, depois destruídos a machadadas e queimados, junto com documentos da família. Com o sangue fervendo na medida em que a invasão acontecia, os dragões perderam o limite de suas ações. Agrediram o homem diante da família e, depois, o mataram sem interrogatório ou julgamento. Sua esposa e duas filhas foram estupradas, mortas e jogadas num matagal próximo. O esconderijo com o ouro não foi encontrado na casa ou seu terreno, como imaginavam as autoridades.
O noivo de uma das moças, desconsolado, entrou para o convento e construiu no local uma capela, a Capela das Dores. Essa capela não tem torres, pois elas só existem para locais afortunados. Por três vezes, depois da morte do noivo, torres foram feitas no local, mas ruíram pouco tempo depois de prontas. Diante disso, os padres desistiram de novas construções. As duas palmeiras plantadas em frente à capela são uma homenagem às filhas virgens do Vira Sahia, assassinas pelos portugueses.
Um casal de velhos escravos e todos os cachorros da casa também foram mortos. A santa do oratório não escapou à sanha vingativa e foi reduzida a pedaços.
Depois de matar o Vira Sahia, os portugueses foram atrás do seu amigo Gibú com ordem de matá-lo se não revelasse o esconderijo. Gibú apanhou e foi morto diante de sua amada sem nada revelar. Seu corpo desapareceu, assim como o do Vira Sahia.
Toda a vila se horrorizou com a violência criminosa das autoridades. Havia fortes suspeitas de que os corpos foram afundados numa lagoa da cidade. Perto desta lagoa vivia um homem estranho, de nome José Dez, mais conhecido pelo apelido de Gambá, devido ao mau cheiro que ele exalava. Por pequena quantia praticava atos de magia negra, nos quais se incluía, segundo boatos, consumir parte de cadáveres, jogando-os depois na lagoa, que passou a ser conhecida como Lagoa do Gambá.
Suspeitando que os corpos do Vira Sahia e Gibú estivessem no fundo da lagoa, depois de terem sido amaldiçoados pelo feiticeiro por serviço pago pelos portugueses, os salteadores Vira Sahias mataram Gambá e incendiaram sua casa. Labaredas saíram dela com fortes estouros, lançando forte cheiro de enxofre. Diz a lenda que, desde então, entre meia noite e três da manhã, próximo à lagoa, via-se um cachorro – que de relance parecia um dragão – que passava a noite andando pelas margens da lagoa, emitindo uivos horripilantes. Os moradores da região procuraram o pároco local, que mandou construir um grande cruzeiro de madeira, levado em procissão a um morro próximo à lagoa, que havia se tornado conhecido como Morro do Cachorro. O padre celebrou no local uma missa para o cortejo de moradores locais e multidão de fiéis, jogando muita água benta no cruzeiro e na terra ao redor, por ser este o local onde o cachorro geralmente primeiro aparecia. Dizem que, desse dia em diante, o cachorro diabólico não mais foi visto, exorcizado pela cruz e pela fé nela concentrada. O local passou a ser conhecido então como Morro do Cruzeiro, onde hoje se encontra o Campus da Universidade Federal de Ouro Preto.
Quanto ao delator espanhol, foi assassinado pelos salteadores Vira Sahia enquanto esperava para receber o prêmio que seria entregue pelos portugueses somente depois da recuperação do ouro roubado ou de provas inquestionáveis da chefia do bando. Abordado em sua casa, fugiu dela, mas foi morto após breve perseguição. Sua casa foi incendiada, provocando a morte de sua esposa e filho. Dizem que a alma do espanhol, possuída pela frustração, saiu de seu corpo antes deste ser enterrado e tomou a forma de um urubu, passando a sobrevoar, e às vezes pousar, no local onde ficava sua casa, enquanto espera o retorno de seu corpo para a Espanha. Moradores da região da casa queimada ergueram, no atual bairro Lages, um cruzeiro no local onde foi deixado seu corpo, conhecido como Cruz do Espanhol.
A Igreja de São Francisco de Assis, que na ocasião da morte do Vira Sahia estava sendo construída principalmente com doações dele, ficou sem o sino da torre esquerda, como homenagem de luto por aquele que, roubando dos ricos, dava parte aos pobres.
Os irmãos Nunes conseguiram fugir e se embrenhar nas matas, não sendo nunca encontrados. Sua fazenda foi confiscada pela Coroa Portuguesa. As vastas propriedades urbanas pertencentes ao Vira Sahia foram tomadas pela Coroa Portuguesa, sendo dadas à funcionários, militares e policiais de altos cargos. Nessas propriedades caminhos foram abertos e depois se tornaram as atuais ruas públicas.
A quadrilha continuou a assaltar na Estrada Real por algum tempo ainda, mas não era mais conhecida como Almas do Purgatório, pois passou a ser denominada de “Os Vira Sahias”, mantendo a tradição de destinar parte de seus furtos aos pobres. O envelhecimento dos bandoleiros e o empobrecimento das minas deu fim aos assaltos.
Muito do que aqui foi descrito não está registrado em nenhum documento, mas a memória do povo não deixou apagar.

Casa do Vira Saia em Ouro Preto (Rua Santa Efigênia, nº 141)
Texto adaptado do livro “Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto”, de Angela Leite Xavier.
Págs. 107 a 116.
Edição do Autor; Ouro Preto (MG); 2009 (2ª edição).

Obs.: Esta postagem foi realizada mediante prévia autorização da autora.

Para mais "causos" e contos de Angela Xavier, acesse o blog dela:
Compartilhando Histórias
http://www.angelaleitexavier.blogspot.com.br 

Livro : Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

O livro reúne mais de 70 histórias, ambientadas do século XVIII até início do XX, coletadas junto a moradores ou em livros sobre a cidade. Olavo Romano, responsável pelo prefácio, afirma que "Ouro Preto era cheia de fantasmas, uma cidade mal iluminada, repleta de capelas e cemitérios, onde ninguém saia de casa depois das 21 horas. Trata-se de um livro que narra a História de Ouro Preto de uma forma agradável, à maneira dos contadores de histórias, e está entremeada de lendas e causos. Começa chamando a atenção do leitor para a necessidade de se preservar aquilo que faz parte da nossa memória e relata a descoberta do ouro, os conflitos que surgiram no início e as revoltas". 
A ênfase do livro é dada às histórias dentro da História, nas curiosidades que os livros de História não relatam, na sociedade que se formou ao redor das minas de ouro com suas crenças, seus valores e sua religiosidade. Relatos de grandes festas, de muitos casos assombrados e tesouros escondidos. A ilustração, com desenhos em bico de pena, é do artista plástico ouro-pretano José Efigênio Pinto Coelho.

sábado, 7 de outubro de 2017

Neoliberalismo

Reforma trabalhista & Deforma trabalhista


Triste realidade de uma política – convenientemente liberal – que diminui direitos trabalhistas, permitindo uma situação quase medieval, onde empregados ofertam seu tempo e energia em troca de cada vez menos benefícios e garantias, numa perspectiva de trabalhar visando apenas a sobrevivência, sem vislumbrar um período de descanso na velhice que possibilite aproveitar a vida com dignidade. 
Quem desejar não participar desta degradante condição terá que viver como trabalhador independente, correndo os riscos de atividades que exijam elevado nível de atenção, dedicação e disciplina; características que muitos não possuem, levando a prejuízos e difíceis recomeços, diminuindo a possibilidade da construção de um patrimônio, ou fazendo-o através de um grande e desnecessário desgaste.

Trabalhadores & Exploradores

Neoliberalismo:
Doutrina econômica e política, desenvolvida a partir da década de 1970, que defende a liberdade de mercado e intervenção mínima do governo sobre a dinâmica financeira e o mercado de trabalho, só devendo esta ocorrer em setores essenciais à existência do Estado e em épocas de crise.
Os neoliberais propagam que a distribuição de riqueza ocorrerá de forma natural e mais eficiente através do processo de oferta e procura. Para tanto é necessário investir em privatização de empresas estatais, na livre circulação de capitais internacionais, na atuação das empresas multinacionais e flexibilização das leis trabalhistas para o aumento do processo produtivo.
O Neoliberalismo é alvo de críticas sobretudo pelo processo de desregulamentação da força de trabalho e enfraquecimento das forças sindicais, gerando diminuição gradativa dos direitos trabalhistas e no padrão médio de vida da classe trabalhadora.
Um exemplo dessa dinâmica são os chamados Tigres Asiáticos, países industrializados e com mão de obra barata, consequência da inexistência ou deficiência de leis trabalhistas. Nestes países, os trabalhadores não contam com a garantia de férias, os benefícios são limitados e o salários mantidos baixos. Tudo isso para atrair empresas estrangeiras e assegurar altos lucros para os contratantes.

Trabalho & Mais-valia
Ilustração : Newton Silva

Mais-Valia:
Diferença entre o valor final da mercadoria produzida e a soma dos valores dos meios de produção e do trabalho para produzir algo. Mais-valia é a base do lucro no sistema capitalista, sendo o ganho líquido após descontadas todas as despesas. Em outras palavras, quanto menos se pagar pelo material e quanto menor for o salário dos empregados, maior será o percentual do dinheiro que ficará para o empregador.

Capitalismo neoliberal

Pobre que apoia o neoliberalismo é como judeu que apoia o nazismo:
desconhece e alimenta a fera que irá devorá-lo ! 

Novas leis trabalhistas & Antigos problemas sociais
Ilustração : Fred

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Dia da Árvore

21 de setembro - Dia da Árvore

Árvore - Reciclando vida

O Dia da Árvore é comemorado no Brasil em 21 de setembro e tem como objetivo a conscientização a respeito da importância e necessidade de preservação desse bem tão valioso. A data, que é diferente em outras partes do mundo, foi escolhida por anteceder o início da Primavera no hemisfério sul, que dependendo do ano pode ocorrer entre os dias 22 e 23 de setembro.

A árvore é um grande símbolo da natureza e é uma das mais importantes riquezas naturais que possuímos. As diversas espécies arbóreas existentes são fundamentais para a vida no planeta porque aumentam a umidade do ar graças à evapotranspiração, evitam erosões, produzem oxigênio no processo de fotossíntese, reduzem a temperatura, fornecem sombra e abrigo, servem de moradia para diversas espécies de pássaros e tornam os ambientes urbanos mais agradáveis e menos poluídos. Além disso, entre as diversas espécies arbóreas existentes, incluem-se várias plantas frutíferas, como a mangueira, o pessegueiro, a laranjeira, o limoeiro, a goiabeira, o abacateiro, entre outras.

Além de produzirem alimento, as árvores também possuem importantes aplicações comerciais e cotidianas. A madeira por elas produzidas serve como matéria-prima para a criação de móveis, casas, pontes, barcos, veículos (carroças, charretes, carrocerias de caminhões e caminhonetes), instrumentos musicais, dormentes de ferrovias, barris, entre outros. A celulose extraída dessas plantas, principalmente pinheiros e eucaliptos, é fundamental para a fabricação de papel. Além disso, algumas espécies apresentam aplicabilidade na indústria farmacêutica por possuírem importantes compostos.

Em virtude da grande quantidade de utilizações e da expansão urbana, as árvores são constantemente exterminadas, o que resulta em grandes áreas desmatadas. O desmatamento afeta diretamente a vida de toda a população, que passa a enfrentar erosões, assoreamento de rios, redução do regime de chuvas e da umidade relativa do ar, desertificação e perda de biodiversidade.

Sendo assim, o dia 21 de setembro serve como um dia de reflexão sobre as atitudes da humanidade em relação a essa importante riqueza natural. Esse dia é muito mais do que o ato simbólico de plantar árvores e deve ser percebido como um momento de mudança de postura e conscientização de que nossos atos afetam o mundo em que vivemos, para nossos contemporâneos e as gerações futuras. É importante também haver percepção a respeito da importância da conservação, bem como da necessidade de criação de políticas públicas que combatam a exploração ilegal de árvores.

Dia da Árvore

Curiosidades:

- O Dia da Árvore foi instituído no Brasil pelo Decreto Federal 55.795 de 24 de fevereiro de 1965, pelo presidente Castelo Branco, durante o regime militar. Alguns o celebram como Festa Anual das Árvores.

- Cada região do Brasil possui uma árvore símbolo:
Árvore símbolo da região Norte – Castanheira.
Árvore símbolo da região Nordeste – Carnaúba.
Árvore símbolo da região Centro-Oeste – Ipê Amarelo.
Árvore símbolo da região Sudeste – Pau-Brasil.
Árvore símbolo da região Sul – Araucária.

- No dia 21 de março é comemorado o Dia Internacional das Florestas e da Árvore (Dia Mundial da Árvore), que tem o mesmo propósito do Dia da Árvore, mas está associado à chegada da Primavera no hemisfério norte.

Majestosa Árvore

Fontes de referência:

Brasil Escola
21 de setembro - Dia da Árvore

Calendarr Brasil
Dia da Árvore

A Notícia
Como surgiu o Dia da Árvore

Vídeos:

As Árvores ( Documentário )
(24:41) 

Dia da Árvore
(07:39)  

Festa Anual das Árvores ( 2017 )
(01:30) 

21 de setembro - Dia da Árvore

Plante e preserve árvores. Ajude a preservar o ambiente.

Plantar uma árvore é cuidar do amanhã.

Plante uma boa ideia, plante uma árvore!

Valorizando a árvore.
Árvore faz oxigênio, faz umidade, faz sombra e faz falta!
Faça a sua parte!

sábado, 9 de setembro de 2017

O rei de Vila Rica


Ilustração: José Efigênio Pinto Coelho
Pág. 43 do livro Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

Chico Rei
Autora: Angela Xavier

Galanga Muzinga era rei de uma tribo no Congo. Seu reino enfrentava sério problema: os portugueses aprisionavam tribos inteiras e as levavam para o trabalho escravo em terras distantes. O próprio rei, sua família, a corte e os súditos foram aprisionados e levados para embarque rumo a destino desconhecido.
O rei de Portugal não permitia a entrada de pagãos na América. O papa havia decretado que os negros também tinham alma. Um padre jogou um balde d’água com duas colheres de sal sobre 191 prisioneiros, batizando todos os homens com o nome de Francisco e as mulheres se chamariam Maria.
Marcados a ferro em brasa com as iniciais do traficante, os passageiros, sentindo-se abandonados por seu deus Zambi Apungo, foram conduzidos ao veleiro Madalena, que os levaria ao Brasil.
Ali estavam, acorrentados e amontoados, no porão do navio, o rei Galanga, seu filho Zinga, a rainha Djalô e sua filha Itúlu, também toda a corte e alguns antigos súditos. Todos agora igualados no desamparo da escravidão.
Em alto mar, o veleiro encontrou águas revoltosas e fez água. Era preciso aliviar o peso jogando parte da carga ao mar ou naufragariam todos. Esse foi o destino das mulheres, sem nenhuma exceção. Eram mercadorias de menor valor. Os homens não conseguiram impedir. As correntes e chicotes eram superiores à força de suas vontades e desespero.
Chegou ao porto do Rio de Janeiro a carga mais valorizada de 112 escravos homens. O cheiro do veleiro estava detestável! Os negros foram levados, acorrentados uns aos outros, ao mar para serem lavados e tirar a sujeira acumulada durante a viagem. Negros forros, trabalhando de aluguel, cuidaram da limpeza dos prisioneiros. Após o banho de mar, passaram nos escravos buchas molhadas com azeite carrapateiro, depois trataram as feridas feitas pelos chicotes e argolas de couro cru no pescoço. A arte final foi feita com o azeite fino, que dava brilho à pele negra, valorizando a mercadoria.
Começaram a chegar os interessados em comprar negros para os vários trabalhos na próspera colônia brasileira. Um desses era o major Augusto, vindo de Vila Rica para adquirir uma nova leva de escravos para as suas minas. Depois de percorrer todo o mercado, seu capataz separou três fileiras de dez negros cada, entre os quais estavam Galanga, seu filho e parte de sua corte.
 
Foi uma longa e cansativa viagem a pé, através de campos e montanhas, do Rio de Janeiro para Vila Rica. Os pés descalços e os punhos amarrados se feriam e chegavam a sangrar.
Na senzala da casa do major Augusto os prisioneiros se adaptavam à nova realidade.
– Onde estamos? E esse frio que dói os ossos? Que será de nossas vidas? Perguntavam-se.
Galanga, com sua postura de rei, procurava acalmá-los:
– Não perdemos a vida. Agora é preciso paciência. A luta só acaba com a morte. Cada dia de vida é o que nos resta.
Para o major Augusto o novo grupo era sua esperança de encontrar ouro e saldar suas dívidas, que aumentavam com o tempo.
Era o primeiro dia de trabalho de Galanga – que tempos depois passaria a ser chamado pelos brancos de Chico Rei – na Mina da Encardideira, situada na área urbana de Vila Rica. Era um enorme buraco, cavado na montanha, onde os negros entravam e, cavando bem fundo, enchiam um calumbé de pizzara. Depois o traziam para fora onde, na bateia, apuravam o ouro existente.
A turma onde estava Chico se jogou ao trabalho com a vontade de quem deseja cavar uma nova vida, um dia de cada vez. O major sorriu feliz. Nunca tinha apurado tanto ouro. Chico enchia um calumbé atrás do outro, sem se permitir cansaço, para servir de exemplo de determinação para seu filho e conhecidos. Para tornar o trabalho menos penoso, frequentemente cantava músicas em seu idioma, e incentivava a outros que também fizessem parte de um revezamento diário de cantorias para espantar o cansaço e a tristeza do silêncio.
Entre os negros Chico continuava sendo um rei, e o exemplo de sua dignidade e persistência aumentava a esperança em dias melhores. Nas minas do major, onde Chico motivava seu grupo, o trabalho aumentava a descoberta do ouro. Tornou-se um escravo apreciado, não só pelo major, como por outros mineradores que desejavam comprá-lo.
Certo dia, major Augusto foi atacado por três escravos angolanos. O major caiu desacordado e os negros, dando-o por morto, fugiram rapidamente, com receio dos capatazes. O major foi levado para a Santa Casa da Misericórdia, onde foi tratado de seus ferimentos. A recuperação foi longa e difícil; ele ficou com os movimentos limitados em um dos braços e seu espírito nunca mais foi o mesmo.
Chico já falava suficientemente bem o português e era cada vez mais admirado por todos. Tornou-se amigo do padre Figueiredo, que propôs ao major a alforria do Chico, que tinha acumulado o suficiente para comprar sua liberdade. Nas minas, o escravo tinha a possibilidade de conseguir ouro, escondendo-o ou encontrando-o em quantias maiores que a estipulada pelo dono, como forma de motivar a produção.
A contragosto, o major vendeu a carta de alforria ao Chico. Concedeu-a em parte como forma de reconhecimento pelo trabalho que o havia enriquecido, mas também porque se não o libertasse, perderia a motivação daquele singular grupo de escravos que, buscando suas liberdades, aumentavam a prosperidade do major e sua família.
Chico Rei era, agora, um homem novamente livre. Empregou-se na Mina do Pitangui, que ofereceu pelo aluguel de seu trabalho valor um pouco acima dos demais contratados. Aos domingos, o dono da mina permitia que os melhores trabalhadores batessem por conta própria, nos locais que julgassem mais prósperos, dividindo o lucro do dia com o proprietário. No terceiro domingo de trabalho, Chico achou uma enorme pepita de ouro. Com sua parte do lucro, comprou a liberdade de seu filho com o abatido major, que ao fim de sua vida lhe dedicava crescente admiração. Chico tinha então trinta e sete anos.
 
Um dia, resolveu visitar o major Augusto, que se encontrava agora frequentemente doente. O major propôs vender-lhe a Mina da Encardideira, que considerava exaurida, mas que com muita dedicação e um tanto de sorte poderia ainda render um pouco de ouro. Como forma de gratidão pelos serviços prestados, o major afirmou que Chico poderia lhe pagar na medida em que encontrasse ouro. O preço combinado pela mina foi pequeno e a escritura foi passada em nome de Chico Rei, como forma de homenagem.
No dia seguinte ao registro da escritura, Chico e seu filho Zinga começaram a limpar a mina, que se encontrava abandonada. Mataram aranhas e escorpiões, tiraram pacientemente o entulho acumulado e drenaram água de algumas galerias mais profundas. Agora trabalhavam no que era seu, e conheciam bem aquela mina. Esforçaram-se muito até que o ouro se mostrasse. Metal de qualidade, 23 quilates. Combinaram manter segredo e foram enchendo de ouro um grande pote de barro, escondido no fundo da mina. Com esse ouro compraram a alforria dos trinta e sete membros ainda vivos de sua tribo do Congo, que passaram a trabalhar com eles. A Mina da Encardideira tornou-se um pequeno território livre do Congo dentro de Minas Gerais.
Dia 6 de janeiro de 1747 foi um dia de festa para os negros do Congo. Chico e todos os alforriados por ele compareceram à capela de Nossa Senhora do Rosário para agradecer pela vida que levavam então, depois de tanta dificuldade. Fizeram uma grande festa dedicada a Zambi-Apungo, representado no Brasil por Nossa Senhora do Rosário. Foi combinado que, todos os anos a partir daquele seria comemorada sua liberdade e dignidade, conquistadas com perseverança e união. Construir uma capela para Santa Efigênia, a santa negra, passou a ser uma meta para o grupo melhor comemorar sua prosperidade. Os esforços na mina se redobraram para alforriar mais negros e construir o templo, que foi erguido no terreno então pouco valorizado em cima de um morro, após uma íngreme e longa ladeira. Esta ladeira é hoje conhecida como Ladeira de Santa Efigênia, local pintado e retratado por muitos, com suas casas pequenas e simples, mas de uma beleza singular.
Pronta a capela em homenagem à Santa Efigênia, Chico foi coroado rei dentro dela, com autorização do bispo e do governador, com a presença de grande número de negros alforriados. Chico se vestiu nos trajes típicos da realeza africana, tendo em sua cabeça uma coroa de prata enfeitada com ametistas, uma vez que as autoridades não permitiram uma coroa de ouro, destinada aos “reis de verdade”.
Ao seu lado, sua nova esposa e agora também rainha, com quem Chico se casou em Vila Rica. Os participantes desta coroação se vestiram com roupas coloridas, em suas respectivas tradições africanas, com espelhos e chocalhos nos pés, dando o ritmo da dança ao som de tambores e rojões que estouravam. Depois da cerimônia, os participantes comeram e beberam à vontade, tudo por conta de Chico Rei. Essa festa inaugurou o coroamento dos reis do Congado em Minas Gerais.
O festivo cortejo da dança africana passou a percorrer as ruas de Vila Rica todos os anos a partir de então, saindo da Mina da Encardideira e subindo a ladeira em direção à Igreja de Santa Efigênia. Se apenas subir esta íngreme ladeira já é um feito considerável, subi-la dançando, cantando e tocando instrumentos, vestindo pesadas e luxuosas roupas, é algo admirável. Após cerimônia e festa na igreja, o cortejo se dirigia e terminava sempre na porta da prisão de Vila Rica, onde a nova rainha de Chico Rei distribuía presentes aos presos.
Era o Reinado do Rosário! Mesmo após a morte de Chico e sua corte, a tradição se manteve até a década de 1940, quando um bispo achou que aquela comemoração era profana. Aquilo mais parecia carnaval! E proibiu o congado na diocese de Mariana e região, que englobava Ouro Preto e outras cidades da região.
Após a morte deste bispo, esforços foram feitos para resgatar a tradição da Missa Conga e do Congado. Grupos que visitam Ouro Preto vão à Mina do Chico Rei para reverenciá-lo e à igreja de Santa Efigênia. Esses são símbolos fortes, perpetuados na memória popular.

Entrada da Mina do Chico Rei

Interior da Mina do Chico Rei 

Igreja de Santa Efigênia no alto da Ladeira de Santa Efigênia
( Ouro Preto - MG )
Imagem: http://olhares.uol.com.br/foto2698414.html 

Texto adaptado do livro “Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto”, de Angela Leite Xavier.
Págs. 44 a 49.
Edição do Autor; Ouro Preto (MG); 2009 (2ª edição).

Obs.: Esta postagem foi realizada mediante prévia autorização da autora.

Para mais "causos" e contos de Angela Xavier, acesse o blog dela:
Compartilhando Histórias

Livro : Tesouros, fantasmas e lendas de Ouro Preto

O livro reúne mais de 70 histórias, ambientadas do século XVIII até início do XX, coletadas junto a moradores ou em livros sobre a cidade. Olavo Romano, responsável pelo prefácio, afirma que "Ouro Preto era cheia de fantasmas, uma cidade mal iluminada, repleta de capelas e cemitérios, onde ninguém saia de casa depois das 21 horas. Trata-se de um livro que narra a História de Ouro Preto de uma forma agradável, à maneira dos contadores de histórias, e está entremeada de lendas e causos. Começa chamando a atenção do leitor para a necessidade de se preservar aquilo que faz parte da nossa memória e relata a descoberta do ouro, os conflitos que surgiram no início e as revoltas". 
A ênfase do livro é dada às histórias dentro da História, nas curiosidades que os livros de História não relatam, na sociedade que se formou ao redor das minas de ouro com suas crenças, seus valores e sua religiosidade. Relatos de grandes festas, de muitos casos assombrados e tesouros escondidos. A ilustração, com desenhos em bico de pena, é do artista plástico ouro-pretano José Efigênio Pinto Coelho.
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