quarta-feira, 10 de abril de 2013

Bandeira de Minas Gerais

As bandeiras de Minas Gerais e dos inconfidentes mineiros

Bandeira de Minas Gerais com lema em português
Parede em Conceição do Ibitipoca - MG 
( 13 Nov 2013 )
Foto: Sylvio Bazote

A bandeira do estado de Minas Gerais foi baseada na bandeira que, de acordo com os planos dos conjurados mineiros, seria adotada após a independência em relação a Portugal. Há controvérsias sobre detalhes da bandeira.

O esboço inicial é de autoria de Cláudio Manuel da Costa, composto por três triângulos, onde haveria em seu interior um índio rompendo grilhões, simbolizando o povo brasileiro. Esta bandeira, fortemente influenciada pela Revolução Francesa, adotou as cores da bandeira francesa, sendo o branco representante do Poder Executivo, o azul do Poder Legislativo e o vermelho do povo.
Os inconfidentes e poetas Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e José Ignácio de Alvarenga Peixoto cultuavam a antiguidade clássica e seus poetas. Cláudio Costa sugeriu os lemas, em latim, "Libertas a quo spiritu" (Liberdade do espírito) e "Aut libertas aul nihil" (Ou liberdade ou nada), mas o escolhido foi o lema de Alvarenga Peixoto, também em latim, "Libertas quae sera tamen" (Liberdade ainda que tardia), cunhado a partir da adaptação de um verso das Bucólicas do poeta latino Virgilio, que dizia "Libertas, quae sera tamen, respexit inertem" (A liberdade, que embora tardia, olhou-me inerte).

Bandeira proposta por Cláudio da Costa e Alvarenga Peixoto
Imagem: vexilologia.com.br

Tiradentes propôs uma bandeira com apenas um triângulo, sem lema algum. Não há consenso sobre o significado do triângulo. No depoimento realizado na prisão, Tiradentes afirma não se lembrar de nenhum lema proposto e que o triângulo representaria a “Sagrada Trindade”, com o escrivão adaptando automaticamente este termo para “Santíssima Trindade” ao registrá-lo nos autos do processo. Tiradentes e outros líderes da Conjuração Mineira faziam parte da Maçonaria, onde o termo “Sagrada Trindade” faz referência aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, lema que os maçons estabeleceram para a Revolução Francesa. Não há confirmação, até o momento, se Tiradentes fez referência à Santíssima Trindade da Igreja Católica (talvez para não comprometer os integrantes maçons da Inconfidência Mineira) ou se o termo foi adaptado pelo escrivão e a mudança passou despercebida por Tiradentes.
Credita-se também a Tiradentes a sugestão do branco para o fundo da bandeira e do verde, cor-símbolo da Revolução Francesa, para o triângulo, apesar de nos autos da devassa (processo de investigação) não haver referência a nenhuma cor. Caso se confirme a autoria do verde por Tiradentes, reforça-se a teoria de que o triângulo tinha significado político (revolucionário) e não religioso.

Bandeira proposta por Tiradentes
Imagem: vexilologia.com.br
A hipótese que parece mais óbvia é a de que da junção das propostas criou-se o esboço da bandeira dos inconfidentes mineiros. Mantiveram o fundo branco proposto por Cláudio Manuel em sua bandeira e, em torno do triângulo verde proposto por Tiradentes, se escreveria o lema latino “LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN” proposto por Alvarenga Peixoto. Devido ao alto grau de vigilância da Coroa Portuguesa em Minas Gerais, esta bandeira não chegou a ser feita. Sua confecção seria realizada após o início da revolução.

Bandeira dos inconfidentes mineiros
Imagem: pt.wikipedia.org
Após a independência do Brasil, durante um certo tempo, as repartições públicas mineiras chegaram a usar ao mesmo tempo, em locais diferentes, bandeiras com o triângulo verde e outras com o triângulo vermelho.
A atual bandeira de Minas Gerais foi instituída pela lei estadual nº 2793 de 8 de janeiro de 1963, onde se regulamentou o triângulo vermelho, referência à cor-símbolo das revoluções e uma homenagem ao sangue derramado por Tiradentes.

Bandeira de Minas Gerais
Imagem: pt.wikipedia.org

Para saber mais sobre a Conjuração Mineira, acesse o link abaixo:



Fontes:

Wikipédia
Bandeira de Minas Gerais

Vexilologia
Estado de Minas Gerais
http://www.vexilologia.com.br/mg.html 

DUARTE. Marcelo. O Guia dos curiosos – Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 225.

9 comentários:

  1. Amigo Sylvio, após avaliação das bandeiras, só podemos afirmar que ainda bem que essa do Cláudio Manoel da Costa não passou, pois, com certeza, ganharíamos o título de bandeira mais trash do mundo. Abração.

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    1. Oi Jorge.
      Eu gostei da concepção dos 3 triângulos formando um grande triângulo, com um quarto triângulo invertido em seu interior.
      Gostei também da simbologia do nativo se libertando. O índio marombado e de sunga escolhido nesta concepção artística é que está estranho...

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  2. Sylvio,
    muito interessante essa história da nossa bandeira. Eu não sabia da cor verde antes do vermelho, muito menos da hipótese desse índio rompendo grilhões. Ainda bem que ficamos só com o triângulo ;)
    Gosto muito do lema escolhido - muito poético!
    Abraço e ótima semana nova pra vc!

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    1. Oi Jussara.
      O coitado do índio está com a cotação baixa com o público...
      Liberdade é uma palavra inspiradora. Se a bandeira de Minas tivesse o triângulo e apenas esta palavra em latim já transmitiria o recado de que vale a pena lutar para viver uma vida livre.
      A Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, descreveu primorosamente o conceito:
      "Liberdade.
      Essa palavra que o sonho humano alimenta,
      que não há ninguém que explique
      e não há ninguém que não entenda."
      Abraço.

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  3. Silvio, parabens pelo tema mas os versos de Cecilia Meireles em verdade poucos entendem de maneira ampla. O estrangeirismo atual é prova. Por exemplo o uso de uma única palavra ("Spread") por si só ja traz enorme ganho aos bancos e ao capital estrangeiro imagine o resto...Abraços

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  4. opa, você sabe qual era a bandeira de MG antes de 1963?

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    1. Olá Regis.
      Procurei esta informação e imagem na época desta postagem e fiz nova busca agora, por conta de sua pergunta.
      Não encontrei nada! Caso encontre algo, fico grato se enviar o que achar para meu e-mail, que consta neste blog.

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    2. Olá Sylvio,fiquei em dúvida quanto a cor vermelha relacionada à Tiradentes,pois muitos falam sobre,mas quando estudado a fundo,ouvi dizer que a cor vermelha se refere á luta e resistência e não a Tiradentes,poderia me tirar essa dúvida?

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    3. Na época da criação da bandeira da rebelião mineira, o verde era citado pelos intelectuais como a cor dos revolucionários. O vermelho era relacionado à nobreza e aristocracia.
      A autoria da sugestão da cor verde é creditada à Tiradentes, mas não há confirmação documental sobre o fato. Há quem afirme que a autoria dos diferentes aspectos da bandeira é mais fruto de especulação e padronização do que investigação e confirmação, e que Tiradentes, sendo um integrante da ala pobre dos inconfidentes, não teria participação nas decisões e símbolos da futura república em Minas Gerais.
      Com certeza o atual triângulo vermelho não foi sugerido por Tiradentes, uma vez que esta cor passou a ser associada ao sacrifício revolucionário ou heroico em algum momento entre a segunda metade do século XIX e início do século XX, bem depois da época da Conjuração Mineira. O triângulo vermelho da bandeira mineira foi instituído através da lei estadual nº 2793, de 8 de janeiro de 1963.

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