sexta-feira, 19 de junho de 2015

Esquecimento


Imagem: facebook.com ( Nos Trilhos do Infinito )

Neblina, entardecer
Autor: Raphael Gomes

Decidimos a viagem para o início das férias de fim de ano das crianças, combinei com meus primos o tão esperado reencontro para o mês de novembro, quando ficaria folgado para todos.

Saímos sábado com o dia clareando, rumo à cidade onde morava a irmã do meu pai com seus setenta e nove anos de idade. Papai tinha na época oitenta e um. Eram os dois filhos ainda vivos de meus avós, os mais novos de onze irmãos, homens e mulheres.

Papai sentou-se no lado direito do banco de trás onde eu podia vigiá-lo pelo retrovisor enquanto ele olhava as paisagens, para ele nubladas sempre, das quase quatro horas de viagem. E me dizia, quando via uma vaca, que na sua época eles acordavam cedo para tirar leite e cuidar da roça.
Papai se surpreendia cada vez que eu lhe perguntava se estava empolgado para encontrar a Lucinha. Esquecia sempre, não havia jeito, e não dava pelo esquecimento. Vivia os últimos anos em uma constante névoa, sem noção do presente e embaralhando o passado. As falhas da memória já não o incomodavam, ele não tinha mais condição de perceber-se doente.

Chegamos antes do almoço, nos cumprimentamos, minha família e as famílias de meus primos, as crianças, já nem tão crianças, se conheceram. Depois de levá-lo ao banheiro sentamos papai num banquinho de jardim, minha prima trouxe titia que estava na sala assistindo à missa na televisão. “Apresentamos” os dois, eles só se olharam um instante, depois se deram as mãos. Ficaram bem meia hora sentados em silêncio, olhando o mesmo vazio, unidos pelo Alzheimer familiar.

Era mesmo uma cena. Nenhuma palavra, só aquelas mãos velhas: papai de paletó, titia de vestido de flores. Paramos, nós os filhos, vendo os dois juntos como um antigo retrato pintado, pendurado numa parede testemunhal, confirmando a existência de um tronco que nos unia, distante e apagado. Depois fomos todos comer.

Na confusão da família reunida falou-se de negócios, vestibulares, nascimentos...
Os dois estavam quietos, ausentes nos cantos da sala. O velho segurava um copo d’água (de plástico) sentado ao meu lado – quando viajamos ele não desgruda de mim; e titia apoiava um pratinho de sobremesa nas pernas.

Às vezes algum filho ou sobrinho experimentava puxar conversa, aproximar os dois do fio da meada comum entre eles. Perguntaram a meu pai se ele achava que a irmã estava muito mudada, ele respondeu que nos tempos em que era criança ele levantava às cinco da manhã para tirar leite e cuidar da roça. Quiseram saber de titia se da próxima vez ela quem iria visitar seu Sebastião, a velhinha se inclinou para escutar melhor, e depois apontou o pratinho de doce com um sorriso: Está muito bom! Nos olhávamos sem muita graça, mas dávamos uma risadinha, e em seguida um silêncio, um desconforto, depois alguém descobria um assunto que discutíamos com todo o interesse merecido.

Talvez os velhos não entendessem que a reunião era por causa deles. A metade das pessoas eles não deviam conhecer, nem de mim tia Lucinha se lembrou, papai tão pouco reconheceu meus primos. Paciência.

Com a tarde caindo era hora de voltar. Entre primos nos despedimos com um clima de fracasso. O mais velho dos filhos de minha tia encolheu os ombros e levantou as mãos, como dizendo: Que se há de fazer?

É que esperávamos efusões de emoção, saudáveis abraços, tapinhas e implicâncias, e boas histórias de família. O fim do encontro entre os dois se deu com um simples aperto de mão. Dois velhos acanhados.

Já na volta, dentro do carro, perguntei a meu pai o que achou do passeio e sobre titia. Ele respondeu:
– Pois é, meu filho, tanto tempo que não vejo Lucinha... A gente tem que fazer uma visita um dia desses.

Esqueceu. É verdade, esquecera. Passou a tarde com ela e não recordava nada. É provável que titia também não. Na cabeça deles a última vez que se viram deve ter sido em alguma oportunidade uns trinta anos atrás, e mesmo que tenham se encontrado desde então, na lembrança apenas aquele ponto amarelado restava.

Não digo que não tenha valido nada, se na intenção de recordar um tempo que ia se apagando, mesmo essa experiência tinha se perdido em uma gaveta da memória. Não há realmente mal em esquecer, no fim tudo é esquecimento. Com efeito, gosto de pensar nos dois remontando o passado como um sonho de ontem, que fosse para perdê-lo em seguida, de mãos dadas, olhando a vida com os olhos opaco-azulados da velhice.

Imagem: mirror.co.uk  

Texto retirado do livro
Uma cidade inexistente
Juiz de Fora: Editora Funalfa, 2013.

Obs: Postagem realizada mediante prévio contato e autorização do autor.

Para trocar ideias com Raphael Gomes ou adquirir seu(s) livro(s), entre em contato através do e-mail:
raphaelgomesescritor@yahoo.com.br 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Ecologia e Meio Ambiente

05 de Junho - Dia do Meio Ambiente
&
05 de Junho - Dia da Ecologia


Tem coisas que são tão simples que, sinceramente, não sei como se tornam tão complicadas ao ponto de não parecerem possíveis.
Plantar flores, arbustos e árvores no local onde se mora e no seu entorno, e depois cuidar destas plantas, é algo que deveria ser tão natural (por ser tão necessário) que deveríamos estranhar quem não o faz!
Esse admirável mundo que construímos e mantemos não cansa de surpreender, com o que tem de bom e ruim...

05 de junho - Dia do Meio Ambiente e Dia da Ecologia
05 de junho - Dia Mundial do Meio Ambiente

Entre 05 e 16 de junho de 1972, em Estocolmo (Suécia), a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, que passou a ser comemorado todo dia 05 de junho. Essa data foi escolhida em referência ao dia do início da realização dessa conferência e tem como objetivo principal chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então muitos consideravam inesgotáveis.

Nesse encontro, que ficou conhecida como Conferência de Estocolmo, iniciou-se uma mudança no modo de ver e tratar as questões ambientais ao redor do mundo, além de serem estabelecidos princípios para orientar a política ambiental em todo o planeta. Desta forma, a Organização das Nações Unidas (ONU) procurou ampliar a atuação política e social voltada para os temas ambientais.

Atualmente existe uma grande preocupação em torno do meio ambiente e dos impactos negativos da ação do homem sobre ele. A destruição constante de árvores e a poluição de rios, por exemplo, são alguns dos pontos que exercem maior influência na sobrevivência de diversas espécies.

Tendo em vista o acentuado crescimento dos problemas ambientais, muitos pontos merecem ser revistos tanto pelos governantes quanto pela população para que os impactos sejam diminuídos. Se nada for feito, o consumo exagerado dos recursos e a perda constante de biodiversidade poderão alterar consideravelmente o modo como vivemos atualmente, comprometendo, inclusive, nossa sobrevivência.

Dentre os principais problemas que afetam o meio ambiente, podemos destacar o descarte inadequado de lixo, a falta de coleta seletiva e de projetos de reciclagem, consumo exagerado de recursos naturais, desmatamento, inserção de espécies exóticas, uso excessivo de combustíveis fósseis, desperdício de água e esgotamento do solo. Esses problemas e outros poderiam ser evitados se percebermos a importância do uso correto e moderado dos nossos recursos naturais.

Em razão da importância da conscientização da dimensão do impacto gerado pelas ações da humanidade, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma ocasião que merece bastante destaque no calendário mundial, com ações que mostrem a necessidade de mudanças imediatas nos nossos hábitos diários. Nesta data acontecem diversos eventos no mundo todo. Palestras, campanhas educativas, documentários, peças teatrais, plantios de árvores, limpeza de parques, praças e margens de rios, entre outras atividades, são realizadas com o propósito de despertar as pessoas para esta importante questão mundial. Em alguns países, neste dia ocorrem acordos ambientais e definição de políticas voltadas para a proteção do meio ambiente.

Apesar de muitos acreditarem que a mudança deve acontecer em escala mundial e que apenas uma pessoa não consegue mudar o mundo, é fundamental que cada um faça a sua parte e que toda a sociedade reivindique o cumprimento das leis ambientais. Precisamos assumir uma postura de responsabilidade ambiental, pois só assim conseguiremos mudar o quadro atual de crescente degradação do planeta.

A proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento econômico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de todo o mundo e um dever de todos os governos.
(Declaração de Estocolmo sobre o ambiente humano - 1972)

05 de junho - Dia Mundial da Ecologia

Juntamente com o Dia Mundial do Meio Ambiente, no dia 5 de junho comemora-se o Dia da Ecologia.
Um ecossistema é formado pela fauna, flora, micro-organismos e pelos componentes físicos do local, que são a atmosfera, o solo e a água. Os ecossistemas em conjunto formam a cadeia alimentar, uma relação de sobrevivência, em que a base é formada pelos vegetais, que produzem seu próprio alimento, depois pelos animais que se alimentam de outros animais, podendo ser predadores primários, secundários ou terciários e, por último, pelos decompositores.

Atualmente, a Ecologia divide-se em:
- ecologia das espécies;
- ecologia das populações (formadas por organismos da mesma espécie);
- ecologia das comunidades (conjunto de todas as populações); e
- ecologia dos ecossistemas.

O que é Ecologia

A Ecologia é a parte da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre si e destes com o meio ambiente. O termo, usado pela primeira vez em 1866 pelo biólogo alemão Ernest Haeckel, vem da junção de duas palavras gregas: oikos, que significa casa, e logos, que quer dizer estudo. Assim sendo, ecologia significa o “estudo da casa” ou o “estudo do habitat dos seres vivos”.

Ciência ampla e complexa, a Ecologia preocupa-se com o entendimento do funcionamento de toda a natureza. Assim como vários outros campos de estudo da Biologia, ela não é uma ciência isolada. Para entendê-la, é necessário, por exemplo, conhecer um pouco de evolução, genética, biologia molecular, fisiologia e anatomia.

O que é meio ambiente

O meio ambiente envolve todas as coisas vivas e não-vivas que existem na Terra, ou em alguma região dela, que afetam os ecossistemas e os seres vivos. É composto pelo conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural e inclue toda a vegetação, animais, microorganismos, solo, rochas, atmosfera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. Meio ambiente também compreende recursos e fenômenos físicos como ar, água e clima, assim como energia, radiação, descarga elétrica, e magnetismo.
Para as Nações Unidas, meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.

Reciclagem de ideias e atitudes
Imagem: http://ambientalistasemrede.org/municipios-tem-coleta-seletiva

Fontes de referência: 

CaetFest
05 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente
Brasil Escola
05 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente

Wikipédia
Ecologia

Brasil Escola
Ecologia

Wikipédia
Meio ambiente



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...